Café: Estoques mundiais nunca foram tão baixos e não há condições de recomposição em curto e médio prazo

Publicado em 23/12/2011 15:32 e atualizado em 23/12/2011 16:41 881 exibições
Tivemos mais uma semana calma e desinteressada para os negócios de café, mas com muitas notícias sobre a produção de café, todas apontando para o apertado equilíbrio entre produção e consumo mundial. As cotações dos contratos de café na ICE Futures US oscilaram bastante, mas fecham a semana apresentando um saldo positivo.

A informação, divulgada pelo Wall Street Journal, sobre a infestação dos cafezais colombianos pela
ferrugem, assustou os operadores, mas não surpreendeu quem acompanha os sérios problemas climáticos enfrentados pelos países produtores de café. América Central, Colômbia, Brasil, Vietnã, Indonésia, países produtores da África, todos vem enfrentando, ano após ano, problemas para colher o volume de café estimado nos levantamentos de safra. Nas últimas três safras a Colômbia não atingiu o volume de produção previsto pela Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia.

As mudanças climáticas não podem mais ser ignoradas nas análises de mercado. Os estoques mundiais nunca foram tão baixos e não existem condições de recomposição em curto e médio prazo. Precisaremos de preços recompensadores por muitos anos para que os cafeicultores se sintam estimulados a reinvestir em uma cultura cara, trabalhosa e a cada ano mais arriscada.

O “La Niña” deste ano foi o mais forte dos últimos 60 anos e outro “La Niña” já está se desenvolvendo desde setembro (veja matéria no clipping de nosso site). É mais uma evidência de mudanças climáticas e de que devemos esperar eventos climáticos em número e magnitude cada vez maiores. A CONAB – Companhia Nacional de Abastecimento divulgou a sua quarta estimativa da safra brasileira de café 2011. Nossa safra foi estimada em 43,48 milhões de sacas beneficiadas. Foram produzidas 32,19 milhões de sacas de café arábica (74% do total) e 11,29 milhões de sacas de café conilon. Minas Gerais foi o maior produtor com 61% do total produzido, seguido do Espírito Santo com 26,6% e de São Paulo com 7,2% (veja o relatório completo na seção Safra de nosso site).

Como todos os anos, os números apresentados são imediatamente contestados por diversos operadores de mercado. O trabalho é realizado por uma grande equipe de técnicos e instituições (veja a relação na ”Introdução” do relatório da CONAB) e dificilmente outro levantamento poderia contar com uma equipe semelhante. Como os estoques brasileiros de café estavam praticamente zerados no final do último mês de junho, quando terminou o anosafra 2010/2011, será fácil confrontar esta estimativa com os números do mercado no final de junho de 2012. O total das exportações brasileiras de café neste ano-safra (julho de 2011 a junho de 2012) somado à estimativa de consumo interno da ABIC para o mesmo período poderá ser confrontado com a atual estimativa da CONAB. Em 2012 poderemos debater com clareza os números de produção, exportação e consumo interno.

Até o dia 22, os embarques de dezembro estavam em 1.561.330 sacas de café arábica, 60.709 sacas de café conillon, somando 1.622.039 sacas de café verde, mais 213.712 sacas de solúvel, contra 1.439.128 sacas no mesmo dia de novembro. Até o dia 22, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 2.349.786 sacas, contra 2.013.992 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 16, sexta-feira, até o fechamento de ontem, quinta feira, dia 22, subiu nos contratos para entrega em março próximo, 630 pontos ou US$ 8,33 (R$ 15,42) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 16 a R$ 528,10/saca e ontem, dia 22, a R$ 542,39/saca. Ontem, quinta-feira, nos contratos para entrega em março, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 150 pontos. No mercado calmo de hoje, são as seguintes as cotações por saca, para os cafés verdes, do
tipo 6 para melhor, safra 2011/2012, condição porta de armazém:

R$510/520,00 - FINOS A EXTRAFINOS – MOGIANA E MINAS.
R$500/510,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
R$470/490,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
R$420/450,00 - RIADOS.
R$330/370,00 - RIO.
R$340/370,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
R$300/320,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.
Os cafés cereja descascado (CD) bem preparados, valem R$ 520,00/540,00 por saca.

Fonte:
Escritório Carvalhaes

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