Análise de mercado do feijão

Publicado em 01/03/2010 15:11 e atualizado em 02/03/2010 14:39 1398 exibições

FEIJÃO CARIOCA - Após o Carnaval o mercado parece ser outro. Tanto é assim que percorremos na região do cerrado goiano as cidades de Cristalina e Paracatu e percebemos que os lotes a disposição para venda são somente os mais fracos. Foram feitos negócios com muita facilidade com feijão nota 8 / 8,5  por R$ 70/75 para nota 9. Os compradores pagavam até  R$ 80 na origem mas não encontraram ofertas na sexta-feira. Nesta região os produtores estão retardando o plantio na expectativa do comportamento dos preços e também da diminuição da pressão da mosca branca. A área tende a ser boa uma vez que novos pivôs foram instalados e também que a previsão para o nordeste é de diminuição das chuvas. A recomendação dos especialistas é que plantem carioca, preto e rajado e não somente uma cultivar.
Já no Paraná, com a alta os produtores, retiraram-se após venderem por até R$ 65 nota 7,5. Os produtores de Castro devem novamente ofertar via Bolsa esta semana, mas certamente irão alterar a base de preço. Em São Paulo no atacado nesta madrugada o preço do feijão nota 9 chegou a R$ 95.
 

FEIJÃO PRETO - No Rio Grande do Sul,  no final da semana passada estava muito difícil encontrar vendas de qualidade por menos de R$ 80. Existe, em toda região Sul, boa quantidade de feijão mais fraco que atrapalha as negociações deo fardo com preço entre R$ 44 e R$ 55. No Paraná os últimos lotes negociados junto ao produtor sem maquinar bateram a casa dos R$ 68 e terminaram  a sexta feira sem vendedores. Muitos compradores tentam, ainda, preços em torno de R$ 80, mas neste nível já não se encontra mercadoria tipo 1.

 

ESTAMOS DE OLHO 

 

Ibrafe protesta na Câmara Setorial em nome dos produtores de Feijão

                                          

O descaso das autoridades em relação ao alerta lançado pela Câmara Setorial em Novembro de 2009 ocasionou enormes prejuízos aos produtores e causará em breve aos consumidores também. Em Janeiro, os preços de venda nas fontes de produção estiveram ao redor de R$ 45 por saca de 60 kg e ,em Fevereiro, não passou de R$ 50.

 

Como houve baixa produtividade os produtores arcaram com prejuízos em relação ao prometido preço mínimo de R$ 80. Ainda mais, plantaram dentro da promessa e anúncios do governo que receberia 390 sacas, o que já seria pouco em relação as 750 sacas de 2009. Em Fevereiro de 2010 com a safra praticamente colhida em sua totalidade o produtor que já se encontrava abandonado recebe a noticia que a Conab decidiu, unilateralmente, sem ouvir a Câmara Setorial, baixar para 250 sacas, o que é uma afronta a sofrida classe produtora.

 

O desdobramento de ações inconseqüentes é que na segunda safra a área diminuirá sensivelmente. Já sobram sementes que não foram comercializadas denunciando, assim, que a ação desastrada da Conab irá refletir imediatamente na segunda safra e acarretará em diminuição da oferta encarecendo sobre maneira o preço do feijão para benefício de uma menor quantidade de produtores que arriscou plantar.

 

É digno de nota que até mesmo a burocracia, por exemplo, na regional do Paraná da Conab não tem pessoal suficiente em caso da necessidade de fazer AGF. Quanto menor a quantidade maior o trabalho e apenas três pessoas estão sobrecarregadas com o trabalho naquela unidade fazendo com que os processos levem 45 até 60 dias para serem finalizados. Além de que, imediatamente, na medida em que estes fatos sejam de domínio público por várias razões os preços vão começar a elevar-se. Nem de longe isto significa solução do problema, pois os produtores que tem estoques de mercadoria já depreciada pelo passar do tempo em Minas Gerais, Goiás, Bahia, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul  irão continuar tendo dificuldades de comercialização. Inúmeros já venderam o seu produto muito abaixo do preço mínimo. O fato de que o governo não se manifestou em Dezembro, Janeiro e Fevereiro - exatamente durante a época do plantio da segunda safra - ocasionará diminuição de oferta mais adiante. Ainda  no segundo semestre, teremos preços elevados aumentando  a cada dia  o descrédito  por parte da sociedade rural nas promessas governamentais dificultando em algum momento futuro o abastecimento, refletindo, por outro lado em inflação para o consumidor.

 

O que os produtores desejam são regras claras. Se não há recursos para cumprir as promessas,  não as façam. Não induzam a pesados prejuízos os sofridos produtores brasileiros.

 

As sugestões do Ibrafe são:

 

Que tenhamos claramente o montante dos recursos que serão aplicados em AGF – aquisição do governo federal nos diferentes estados -  e que os produtores possam adquirir o direito de entregar determinada quantidade adquirida em Leilão de Opções via bolsa. 

Que haja estudo para que o preço mínimo seja variável por região e por safra, pois existem variações de custo de produção nas diversas regiões.
Que haja estudo sobre a possibilidade de termos preços diferenciados por variedade, s para que haja incentivo para produção de feijão preto e rajado que tem mercados e preços distintos.
Que se faça uma consulta interna para a cadeia produtiva para a pertinência de incentivarmos o plantio de variedades exportáveis,  que podem facilmente encontrar mercado externo no caso de sobra no mercado interno, e também podem ser facilmente importadas e consumidas no Brasil.
 

 

ESTAMOS DE OLHO 

 

Leilão de Feijão de particulares

 

 

As boas notícias vêm da área privada. Com a criação do Padrão Nacional do Feijão (PNF) houve a possibilidade da  Bolsa Brasileira de Mercadorias  (BBM) em conjunto com o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe), desenvolverem com as Cooperativa Batavo, Cooperativa Castrolanda, Cooperativas Castrense e Cooperativa Bom Jesus  das ciodades de Castro e Lapa (ambas no PR)  em conjunto com o Sindicato Rural de Castro,  Cerealista Edmilso ltda e com o apoio do Unifeijão, o primeiro leilão de produtores particulares, sem intermediários, através da internet. 
 Os lotes vendidos são registrados, lacrados no armazém  credenciado junto a BBM,  e é classificado por entidade credenciada no Ministério da Agricultura. Nesta clçassificação há  registrado o odor da mercadoria, -  se não contem odor de fumaça de secador ou mesmo azedo, - e a cor,  registrada pelo colorimetro, (aparelho desenvolvido pela  Konica Minolta em parceria com o Ibrafe),  bem como foto do produto e todas as informações para que o comprador tenha segurança a distancia para efetuar a sua compra. O valor fechado em leilão é pago para o banco BM&F e após o embarque repassado ao produtor trazendo segurança a toda cadeia produtiva.  O primeiro leilão foi um sucesso absoluto e já estão sendo feitos contatos para que esta ferramenta chegue a todas as áreas importantes de produção de feijão no Brasil.
 

 


FIQUE DE OLHO 2
Ministro recebe projeto  selo de autogestão “100% Feijão”

 

O Instituto Brasileiro do Feijão (ibrafe) apresentou á Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Feijão  e  ao Ministro Reinhold Stephanes  o selo “100% Feijão”. O projeto objetiva facilitar ao consumidor identificar as marcas que implementam as “boas práticas de fabricação” e que respeitam o consumidor. 

 

Recentemente o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) denunciou que 60% das marcas de feijão no Brasil apresentam irregularidades. Irregularidades que vão desde rotulagem, insetos vivos, classificação em desacordo com a do rótulo, resíduos de pesticidas. Também é sabido que atualmente,  no mercado,  inúmeras marcas não têm qualquer cuidado com a higiene do produto. As marcas que estão cumprindo com a legislação não conseguem por si só mostrar ao varejo e ao consumidor o fato de que existem diferenças enormes em relação a qualidade entre as marcas.  O objetivo da autogestão é que,  por adesão voluntária,  as marcas possam vir a ter um selo de identificação. Dentro do escopo de trabalho do selo “100% Feijão” está também à determinação de fazer valer a legislação que prevê que o varejo é co-responsável, perante a sociedade, pela  qualidade do produto vendido em suas lojas. Assim é cabível que o mesmo seja autuado e denunciado na imprensa como conivente com a violação da legislação.

O monitoramento  do Ibrafe se dará com todas as marcas de feijão,  não somente as associadas ao selo prestando assim um relevante serviço a sociedade.
Mercado atacadista do Bras

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Preço pago ao produtor

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Fonte:
Correpar

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