Soja, a locomotiva do desenvolvimento, por Isaías Soldatelli

Publicado em 23/12/2014 17:11 e atualizado em 02/03/2020 08:17
Isaías Soldatelli é Presidente da Aprosoja-MA

Destaque no cenário agrícola brasileiro, a região de Balsas, no Sul do Maranhão descobriu na soja a sua locomotiva para o desenvolvimento. O que começou no início da década de oitenta com apenas 80 hectares de soja, em cinco anos se multiplicou 125 vezes, indo a 10 mil hectares. E nos 25 anos seguintes, incrivelmente se multiplicou 7.500 vezes, chegando aos atuais 600.000 mil hectares. Outras culturas também prosperaram como o algodão e o milho.

E se a locomotiva de todo esse desenvolvimento foi a soja, os maquinistas foram os imigrantes do sul e do centro-sul do país que, atraídos pelos solos de boa qualidade, excelentes índices pluviométricos (acima de 1.500 mm) e os baixos preços das terras, fizeram investimentos e se estabeleceram no Maranhão. Estes produtores utilizaram tecnologias de ponta que proporcionaram o salto observado na agricultura da região.

Além de produtores individuais, grandes grupos também se interessaram pelas condições favoráveis e adquiriram grandes extensões de terras para o cultivo de soja e outras grandes culturas. Hoje, um único grupo chega a plantar mais de 50 mil hectares de soja. No total, a produção agrícola da região chega aos 7 milhões de toneladas, entre soja, algodão, milho, mandioca, cana e algodão.

Com tudo isso, a região se consolidou com uma produtividade de soja dentro da média nacional, e nas últimas três safras fazendo, também, a segunda safra (safrinha). Em algumas propriedades, inclusive, é possível o plantio de cem por cento da área em segunda safra, dependendo, apenas, da capacidade operacional de plantio e colheita da propriedade.

E se por um lado temos todos esses pontos positivos, por outro lado não faltam desafios. Como as péssimas condições das estradas, sendo a maioria delas conservadas pelos próprios produtores. A inexistência de redes de energia elétrica na maior parte das propriedades, encarecendo a produção e impossibilitando o investimento em irrigação, já que a região é rica em rios e riachos com capacidade de fornecer água suficiente o uso de pivô central.

E apesar de visualizarmos melhoria no sistema de exportação com a construção do Terminal de Grãos do Maranhão (TEGRAM), que entrará em funcionamento ainda esse ano, é sofrível ver o monopólio no transporte ferroviário sendo o único meio de se levar a produção até o Porto de Itaqui, em São Luis.

O TEGRAM possibilitará o transporte da produção sobre rodas até o Porto de Itaqui e retorno com fertilizantes. Mas para que tudo isso vire uma realidade, serão necessários investimentos para a duplicação de um trecho de 200 km da BR-135, a rodovia que dá acesso ao porto, especificamente no trecho de Alto Alegre até São Luís, além de melhorias nas condições de tantas outras.

Claro que à medida que a região cresceu, junto com o desenvolvimento, os produtores também passaram a se organizar. E como consequência, a principal cultura do estado, a soja, também passou a ter sua entidade representativa. A APROSOJA-MA foi fundada em 2013, e tem trabalhado de forma a congregar os produtores do estado e defender a classe. O objetivo tem sido focado na estruturação dos núcleos regionais, tendo sido incluídos na diretoria representantes das regiões de Chapadinha, ao norte e próximo a divisa com o Piauí e São Domingos do Azeitão, leste do estado, porém mais próximo da capital.

A APROSOJA-MA, além de demandas estaduais corriqueiras, tem atuado na aproximação dos produtores com o Governo do Estado, que antes era praticamente inexistente. Acreditamos no que isso já está acontecendo, e os benefícios desta aproximação já estão surgindo. Prova disso é a nomeação de um produtor rural de Balsas como Secretário Estadual de Agricultura.

Também temos buscado uma aproximação com os deputados estaduais para podermos discutir, entre outros assuntos, os valores dos emolumentos cartoriais, que atingem valores abusivos de até R$ 12 mil por cédula. Precisamos construir uma agenda conjunta com a bancada federal em Brasília, para envolver, os deputados eleitos, na defesa do agronegócio, para que façam parte da FPA e atuem junto com os demais.

E juntarmos a nossa nacional, a APROSOJA BRASIL, em defesa do Agro em todas as demandas, visto que não são poucas: Emplacamento de Maquinas Agrícolas, Legislação Trabalhista Rural desatualizada, Questão Fundiária, Indígenas, Quilombolas e tantas outras.

Mas para que tudo isso seja possível, precisamos nos unir. Os produtores precisam entender a importância da Aprosoja e se associarem. Não podemos nos isolar e ignorar questões políticas, deixar de opinar e contribuir. Afinal, se não nos manifestarmos, se não nos envolvermos nos temas que nos dizem respeito, alguém tomará a decisão em nosso lugar. Por isso, ao invés de reclamar e criticar as lideranças, associe-se a Aprosoja do seu estado e faça a diferença. 

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Fonte:
Aprosoja Brasil

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5 comentários

  • Fabrício Morais Brasília - DF

    Acho que o espaço para discutir essas questões e colocar opiniões é aqui mesmo. Mas vejo o convite dele aos produtores de soja. Meu comentários foi no sentido de que embora você tenha uma boa linha de argentarão, você escolheu a pessoa errada para criticar. Parece que voltou toda a sua revolta com o sistema político e a representação de produtores contra um guerreiro que está lá lutando pelos interesses dos produtores do estado dele...

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Não Fabricio, não é pessoal, não tenho nada contra a pessoa do Sr. Isaias, e tampouco escolho determinadas pessoas para criticar, eu entendo o que leio, e indiretamente Kátia Abreu foi citada sim, “Por isso, ao invés de reclamar e criticar as lideranças, associe-se a Aprosoja do seu estado e faça a diferença”.

    O que fiz Fabricio foi defender um espaço que me é concedido pelo Noticias Agricolas, para reclamar, se assim quiser, para criticar lideranças e autoridades, se assim desejar.

    Se no seu ponto de vista, coloco todos em um mesmo bojo, assim faço com aqueles que tem o mesmo discurso, uniforme, padronizado.

    Afirmei que certa classe política e entidades representativas apóiam o projeto do governo, onde está o estereótipo nisso?

    Estereótipo Fabricio, é considerar que somente os sócios da Aprosoja podem “fazer a diferença”. Aqui somos todos iguais, e nosso fórum de debates já possui mediador, e dos bons.

    Não coloco em dúvida o caráter do Sr. Isaias, o que deixo claro é que o discurso da entidade da qual é o Sr. Isaias é um dos representantes, não está de acordo com a opinião da maioria dos produtores rurais.

    Se não pudermos reclamar e criticar as lideranças aqui neste espaço, que poderemos dizer em outro lugar?

    Se meus argumentos, segundo sua própria opinião, merecem respeito é por que tem sim, conexão com o artigo, e posso demonstrar isso.

    No artigo está escrito, “E juntarmos a nossa nacional, a APROSOJA BRASIL, em defesa do Agro em todas as demandas, visto que não são poucas: Emplacamento de Maquinas Agrícolas, Legislação Trabalhista Rural desatualizada, Questão Fundiária, Indígenas, Quilombolas e tantas outras”.

    No meu comentário: “Ora, o Sr. Isaias Soldatelli, quer nos fazer acreditar que Kátia Abreu, por ser comadre de Dilma, terá força política para modificar o viés de uma ideologia totalitária apoiada pela maioria do congresso nacional”, e mais: “Os produtores querem exatamente o oposto do que o governo apoiado por Kátia Abreu, Blairo Maggi, Aprosoja, deseja. Os produtores querem menor interferência em seus negócios, uma carga tributária compatível com os competidores estrangeiros, acesso aos bens importados , sem tarifas absurdas de importação, uma política agrícola livre da interferência de políticos, isonomia ou igualdade na obtenção de empréstimos, o produtor rural é contra o favorecimento de determinados grupos por parte do governo, através de linhas de crédito especiais e altamente subsidiadas, incluindo nisso, qualquer setor econômico”.

    No artigo: “Precisamos construir uma agenda conjunta com a bancada federal em Brasília, para envolver, os deputados eleitos, na defesa do agronegócio, para que façam parte da FPA e atuem junto com os demais”.

    No comentário: “Um exemplo: O governo proibiu a fabricação e comercialização de vinho colonial sem o recolhimento de impostos, estabelecendo uma taxa de 40% de impostos aos pequenos produtores para venda de derivados de uva. A FPA apoiou a presidente Dilma. Segue a risca o dito totalitário e fascista de Benito Mussolini, “Tudo no estado, nada contra o estado, nada fora do estado”.

    Pois bem, diante do exposto creio não ter errado a pessoa, o lugar, nem a mão.

    Aproveito para devolver o convite feito no artigo, para que as lideranças, apóiem o Noticias Agricolas, esse site admirado pelos produtores rurais e feito por uma equipe de pessoas admiráveis, lideradas pelo nosso grande amigo João Batista Olivi.

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  • Fabrício Morais Brasília - DF

    Corrijo nojo por bojo no texto anterior.

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  • Fabrício Morais Brasília - DF

    Rodrigo, os seus argumentos fazem sentido. Porém, parece que você escolheu o lugar errado e a pessoa errada para fazer suas críticas... Não se fala de Kátia Abreu no Artigo. Uma análise simplista, admito, é que trata-se de um artigo histórico sobre a transformação da região descrita pela chegada da agricultura e da soja. Você estereotipou entidades representativas no mesmo nojo de figuras políticas do Agro, e faz referência ao presidente da Associação de Produtores de Soja do Maranhão, criada em 2013. Você tem idéia da luta Sr. Isaías para fundar e organizar os produtores de soja no Maranhão? Me parece que você errou na mão... e te respeito e seus argumentos, mas repito que não achei conexão com o texto do artigo, ficou parecendo algo pessoal seu.

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  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Falo por mim, e aponto as contradições de seu artigo e aproveito a viagem para rebater o Sr. Almir José Rebelo de Oliveira.

    Começo afirmando que todos os partidos, à exceção do DEM, são fundamentalmente estatizantes, para quem não sabe, significa que o estado, leia-se o governo, deve ter participação ativa em todos os setores da economia.

    O setor elétrico, a engenharia de irrigação, o transporte ferroviário, são todos altamente regulados, leia-se controlados pelos agentes estatais ou do governo.

    Ora, o Sr. Isaias Soldatelli, quer nos fazer acreditar que Kátia Abreu, por ser comadre de Dilma, terá força política para modificar o viés de uma ideologia totalitária apoiada pela maioria do congresso nacional. Como? A presidente, que quer a América Latina Socialista, que segue os ditames do foro de São Paulo, e que não hesita em saquear as estatais para levar o projeto adiante, irá deter-se ante Kátia Abreu?

    O código florestal, esse lixo ideológico enfiado goela abaixo nos produtores rurais, perde em muito ao Estatuto da Terra, legislação antiga e muito superior ao código florestal, que serviu aos grupos ideológicos ambientalistas.

    O governo PT tem caráter extremamente coletivista, e por serem proprietários, os produtores rurais são inimigos do regime que está sendo implantado no País.

    Os produtores querem exatamente o oposto do que o governo apoiado por Kátia Abreu, Blairo Maggi, Aprosoja, deseja. Os produtores querem menor interferência em seus negócios, uma carga tributária compatível com os competidores estrangeiros, acesso aos bens importados , sem tarifas absurdas de importação, uma política agrícola livre da interferência de políticos, isonomia ou igualdade na obtenção de empréstimos, o produtor rural é contra o favorecimento de determinados grupos por parte do governo, através de linhas de crédito especiais e altamente subsidiadas, incluindo nisso, qualquer setor econômico.

    Espero que esses poucos argumentos possam deixar claro que os interesses de certa classe política e entidades representativas de produtores nos projetos socializantes desse governo comunista, não são, nem de longe, os mesmos interesses dos produtores agrícolas.

    Um exemplo: O governo proibiu a fabricação e comercialização de vinho colonial sem o recolhimento de impostos, estabelecendo uma taxa de 40% de impostos aos pequenos produtores para venda de derivados de uva. A FPA apoiou a presidente Dilma. Segue a risca o dito totalitário e fascista de Benito Mussolini, “Tudo no estado, nada contra o estado, nada fora do estado”. O governo e seus apoiadores precisam muito do dinheiro dos trabalhadores, para estabelecer e manter seu projeto de poder.

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