Agora, o sol se estaciona, por Evaristo de Miranda
Muitos agricultores brasileiros fazem a “marcação do sol” na linha do horizonte. De abril a junho, o lugar do nascente e do poente se desloca constantemente para o norte. E trajeto do sol é cada vez mais curto na esfera celeste. Assim como a duração os dias. Nesse deslocar aparente, no dia 21 de junho, o sol para. O sol estaciona. Sol-sticio. Ele para em sua migração para o Norte. O solstício abre o inverno austral e é o dia mais curto do ano.
Ao meio dia, sobretudo no Sul e Sudeste, o sol sobe pouco na abóboda celeste. As sombras são as mais longas do ano. Poderia ser chamado “o dia das sombras longas”. O sol anda a pino e sem projetar sombras ao meio dia, bem longe daqui, sobre o México, Cuba, Mauritânia, Egito, Omã, Índia, China e por lá vai. Nesse dia, o sol percorre ou traça no solo a linha do Trópico de Câncer, sua declinação mais setentrional.
Os festejos de São João coincidem com o tempo do solstício do inverno austral. Até as cidades assumem os ares do mundo rural em suas festas juninas, construindo arraiais repletos de agrocultura e calor humano. O mundo rural vive intensamente esse tempo de alegria, comidas típicas, danças e músicas tradicionais, como as quadrilhas.
São João preparou os caminhos do Senhor Jesus. Foi decapitado por anunciar a Verdade. As fogueiras juninas ou joaninas fazem as noites mais quentes e iluminadas. E o fogo é um símbolo de purificação e iluminação. A partir de 22 de junho, a duração dos dias volta a aumentar. E assim será até o dia 22 de dezembro, o do solstício de verão, quando o Sol percorre o Trópico de Capricórnio e anda a pino sobre as cabeças dos paulistanos.
A luz retorna nos festejos juninos. Sua vitória é inexorável. É tempo de iluminação, tão necessária ao nosso Brasil.
Evaristo de Miranda from Austrália
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