O agro não para, por Sergi Vizoso

Publicado em 21/09/2020 19:07 104 exibições
Vice-presidente Sênior, responsável pela Divisão de Soluções para Agricultura da BASF na América Latina

Ainda é cedo para dimensionar os reais impactos que a pandemia do coronavírus vai gerar em nossa sociedade. Mas uma coisa é certa: esse período já gerou aprendizados fundamentais para o futuro dos negócios e relações humanas. Neste cenário, o agronegócio segue sendo o grande motor das economias e vai desempenhar cada vez mais um papel fundamental no desenvolvimento dos países da América Latina.     

A pandemia do coronavírus está nos atingindo em escala global - em nossas vidas particulares, no trabalho, como cidadãos. Com todas as limitações e incertezas que enfrentamos e continuaremos enfrentando em todas as áreas, tivemos que superar vários desafios para seguir com nossos negócios. O agro não parou de produzir e a importância das ferramentas digitais é cada vez mais evidente. 

Pesquisa realizada pela consultoria McKinsey aponta que a digitalização já é uma realidade para os agricultores brasileiros: 85% usam WhatsApp diariamente, 71% usam canais digitais para a gestão da fazenda, 36% fazem compras online para a fazenda e 33% querem começar a vender seus produtos pela internet. A previsão é de que este cenário deve se intensificar pós-pandemia, com ampliação do uso das tecnologias digitais.

Como indústria que fornece insumos e serviços para os agricultores, a nossa adaptação foi rápida, observando as diferenças entre os países da América Latina. Dias de campo que antes eram realizados nas propriedades rurais, lançamentos de produtos que fazíamos em grandes feiras e até o atendimento técnico no dia a dia na fazenda – tudo isso se tornou digital. 

Essa mudança de atitude acelerou a implantação de projetos digitais, o que provavelmente demoraria mais para acontecer se não fosse a crise. Usamos este momento desafiador para intensificar a nossa transformação digital. Gostaria de compartilhar três iniciativas.

Desburocratizamos o processo de emissão da CPR (Cédula de Produto Rural). O processo digital já estava em implantação antes da pandemia, mas tornou-se realidade num momento em que precisamos evitar o contato social. Sem a necessidade de  ir até o cartório, a  e-CPR permite a a troca de insumos por produção agrícola na metade do tempo que seria preciso para a emissão da CPR padrão. A viabilização da CPR eletrônica inclui a parceria com uma startup, mostrando a importância da cocriação.

A pandemia também fortaleceu a comunicação e os negócios por meio das ferramentas digitais. Nesse contexto, o aplicativo BASF Agro ganhou novas funcionalidades, como o rastreamento de pedidos e a integração do portfólio de sementes de soja e algodão, proteção de cultivos e controle de pragas urbanas. O aplicativo tem sido uma ferramenta muito importante de conexão com os clientes do Brasil e também da Argentina, México e Costa Rica, onde o app está disponível.

Algumas iniciativas acontecem da “porteira pra dentro”, como dizemos no agro. É o caso do chatbot via WhatsApp para auxiliar os nossos representantes técnicos de vendas, conhecidos como RTVs. Esses profissionais trabalham junto ao agricultor no campo, pelo interior do país, e precisam de suporte rápido para suas dúvidas. As respostas agora chegam imediatamente com a ajuda de um robô. Ganho de tempo e eficiência que se reverte em melhor experiência para o cliente. Essa inovação já está funcionando no Brasil e nos próximos meses estará disponível nos outros países da América Latina. 

A troca de experiências e de tecnologias entre os países latino-americanos é muito enriquecedora para nós. A diversidade do agronegócio no continente é complexa e desafiadora. Inovação e digitalização são pilares da estratégia do nosso negócio e estamos vendo estes conceitos sendo colocados em prática. 

Entre os principais aprendizados deste período está a consciência de que nas crises respondemos mais rápido, deixando de lado questões internas para seguirmos em frente e ajudar os nossos clientes. As mudanças implantadas vão permanecer, porque nossas relações de trabalho e a forma como atendemos os clientes foram aprimoradas.

Este não é um desafio que alguém superará sozinho e estamos prontos para cooperar e ajudar. Estamos absolutamente convencidos de que quanto mais a pandemia nos manter distantes fisicamente uns dos outros, mais nos aproximaremos de um espírito conjunto de entendimento, apoio e solidariedade, em benefício de todos. 

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Sergi Vizoso

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