Vaca Louca, preços e ensinamentos que o passado nos deixa, por Luciano Vacari

Publicado em 02/09/2021 10:56 140 exibições

Estamos entrando no auge da entressafra onde, pelo menos em Mato Grosso, cada dia a mais dos animais no confinamento custa quase 20 reais. Ontem, 1º de setembro, tiveram início as especulações sobre os casos de suspeita de “vaca louca”, ainda sem confirmação por parte do Ministério da Agricultura,  fato suficiente para o Indicador da Arroba de Boi Gordo do Cepea cair quase 8 reais, 2,5%, em um dia.

Se os preços demorarem 20 dias a retornar,  como aconteceu com o caso da “vaca louca” na epoca, por mais que os animais estão ganhando peso, é 400 reais de custo de produção.

É por isso que ferramentas de gestão são importantes. Quanto vale uma noite de sono? Da mesma forma que existe seguro para carro, o mercado do boi no Brasil também oferece ferramentas que são o sonho de muitos produtores de outros países, como Uruguai. Os brasileiros têm e não usam.

Em Maio, a Neo Agro fez uma simulação da rentabilidade do confinamento. A análise terminava assim: “O confinamento é uma alternativa atrativa. Porém, com um investimento dessa magnitude o produtor deve fazer uso de ferramentas de gestão, antecipar a compra de insumos e utilizar alguns recursos como o seguro de preços mínimos para o boi, preços máximos para o milho ou mesmo o hedge e operações no mercado financeiro para travar de preços futuros”.

Semana passada, a Neo Agro voltou a fazer a simulação da rentabilidade do confinamento. E a conclusão foi a mesma: ferramentas de gestão. O passado tem lições muito valiosas para mostrar. Em 2017, a Operação Carne Fraca e a Deleção dos Irmãos Batista. Lembra? E, em 2019, a confirmação de uma vaca, de 17 anos, em Mato Grosso, com Vaca Louca.

Sabe o que esses dois episódios tinham de diferente de agora? Aconteceram no período das águas. O produtor tinha margem para segurar o animal, sem custos muito expressivos, no pasto. O impacto foi pequeno nos preços? De jeito nenhum.

Em 2017, a arroba estava sendo cotada, em valores da época, a 145 reais para o Indicador Cepea. Em quinze dias, chegou a cair para 132 reais. Quando começava a dar sinais de recuperação, veio a delação dos irmãos Batista e também o final do período das chuvas. Em julho de 2017, a arroba chegou a registrar valores diários de 122 reais.

Em 2019, no início de junho, houve a confirmação de um caso de Vaca Louca em Mato Grosso. Neste caso, o impacto nos preços foi de um dia para o outro. A cotação de 154 reais, em dois dias baixou para 145. Diferente de 2017, a recuperação foi mais rápida. Em pouco menos de 20 dias, os valores diários voltaram para a casa dos 154.

Há um ponto a esclarecer: sendo os casos confirmados pelo Ministério, não é a China que suspende as compras. Há um protocolo, estabelecido em 2015, onde é o Brasil quem suspende temporariamente a emissão de certificados sanitários. A suspensão é temporário e dura até que as autoridades chinesas concluam a avalição das informações. Em outras situações históricas, é questão de dias para a situação resolver. Porém, como apresentado, os preços demoram amargas noites para retornar.

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Por:
Luciano Vacari
Fonte:
NeoAgro

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