Tendências tecnológicas e qualificação no campo, por Maurício Moraes e Fábio Pereira

Publicado em 19/10/2021 10:58 120 exibições
- Mauricio Moraes é sócio e líder da indústria de Agribusiness da PwC Brasil. - Fábio Pereira é gerente sênior e especialista em Agribusiness da PwC Brasil

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até 2050 haverá 9,7 bilhões de habitantes no mundo. Esse número representa crescimento de 22,7% em comparação ao ano de 2020. Com o aumento populacional, a demanda por alimentos será maior e o agronegócio mundial terá o desafio de atender essa demanda de alimentar o mundo de forma sustentável.

Para superar esse desafio, não basta apenas produzir mais, é necessário encontrar soluções que permitam alcançar uma maior eficiência produtiva no campo de forma sustentável. Isso significa incrementar a produtividade, mas sem aumentar os recursos naturais utilizados e sem comprometê-los às gerações futuras.

E como fazer isso? A tecnologia pode ser a chave para essa pergunta. Adotar soluções tecnológicas são ótimas alternativas estratégicas de crescimento para as organizações. A pesquisa da PwC CEO Survey 2021 com recorte dos líderes do agronegócio brasileiro apontou que dentre as estratégias apresentadas para impulsionar a competitividade das organizações, a principal foi o foco na produtividade por meio de automação e tecnologia, informada por 40% dos respondentes.

No "campo", diversas inovações tecnológicas já vêm sendo adotadas. A Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária (Embrapa) em parceria com o Serviço Brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas (Sebrae) realizou uma pesquisa, na qual entrevistou 753 produtores rurais. Como resultado, 84% afirmaram que fazem uso de alguma tecnologia digital em seu processo produtivo.

Uma das tendências tecnológicas no campo é a utilização de drones, com capacidade de sobrevoar propriedades para capturar imagens, mapear áreas ou até mesmo pulverizar produtos agroquímicos ou biológicos nas plantações.

Nessa linha de medição e controle, os sensores, dispositivos que possuem a capacidade de capturar, processar e registrar dados a respeito de clima, solo e maquinário tem ganhado cada vez mais espaço nas fazendas. Essas informações podem ser armazenadas para análises posteriores ou com acompanhamento em tempo real do que está acontecendo na propriedade, permitindo que as tomadas de decisões sejam mais precisas e eficientes. Um exemplo na pecuária é um estudo da Embrapa para utilização de sensores no gado, através da utilização de um "colar inteligente", com objetivo de monitorar indicadores de produtividade e de bem-estar animal.

Na área de gestão, com as propriedades rurais cada vez mais profissionalizadas e sendo vistas como empresas, os softwares de gestão buscam auxiliar nas questões administrativas e financeiras do negócio, compilando informações das operações do processo produtivo para a gestão rural.

E o e-commerce já chegou no agro, através de marketplaces, que é um espaço virtual onde permite a interação entre compradores e vendedores, ofertando diversas opções de produtos e soluções de forma on-line, permitindo uma comparação de preços e consulta dos fornecedores além da possibilidade de comercialização da produção agrícola.

Outra tecnologia que tem seu uso mais avançado é a inteligência artificial, que consiste na utilização de "cérebros eletrônicos" que são capazes de processar séries de dados e realizar operações em tempo real. No campo, a tecnologia auxilia no plantio, irrigação, aplicação de fertilizantes, nutrição animal e até mesmo identificação e remoção de ervas daninhas, otimizando o investimento de tempo e de recursos nas atividades a serem realizadas.

A internet das coisas, tecnologia que tem a capacidade de unir todas as informações do que está acontecendo na propriedade em um determinado tempo e o 5 G também chegam ao campo. Ou seja, ter uma "fazenda totalmente conectada" ou "fazenda inteligente" com todas as ferramentas e processos interligados. Conseguir monitorar a localização dos animais na propriedade, verificar a alimentação, necessidade de medicamentos e questões de reprodução são alguns exemplos de benefícios. Isso permite mais agilidade nas operações e uma visão integrada de todo o negócio.

Investimentos na "modernização do campo" são cada vez maiores, para isso será preciso também o upskilling (termo em inglês para requalificação) dos profissionais do agronegócio. O fato é que a realidade da agricultura e da pecuária no mundo está se transformando, com o surgimento de novas soluções, requerendo preparação e acompanhamento dessas novas tendências por todos os elos da cadeia de valor.

E o agronegócio brasileiro tem todas as condições para se consolidar como fornecedor global sustentável de alimentos, bioenergia e outros produtos agrícolas, pois tem disponibilidade de terras, relevo adequado, clima tropical, ferramentas tecnológicas e talentos, que podem ser alavancados com o upskilling digital no uso das novas tecnologias.

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Maurício Moraes e Fábio Pereira

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