Agronegócio avança em tecnologia e ainda tem espaço para inovar, por Joel Risso

Publicado em 28/10/2021 14:28 91 exibições
Joel Risso, diretor da Vertical AgTech da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE)

A tecnologia tem transformado o modo como os alimentos são produzidos. Com isso, temos a oportunidade de retirar mais matéria-prima de áreas menores, conhecer os espaços rurais e tomar decisões baseadas em dados. Essas ações possibilitam fazer intervenções pontuais, tornando a operação agrícola mais eficiente e sem desperdícios, além de cuidar melhor dos recursos naturais. É nesse contexto de transformações aceleradas puxadas pela tecnologia que as Agtechs brasileiras ajudam a construir um cenário de rápidas transformações. Basta notar que, de acordo com o estudo Radar Agtech Brasil 2020/2021 elaborado em parceria entre Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens Research and Consulting, com apoio do Ministério da Agricultura, o Brasil teve um aumento de 40% em Agtechs ativas em relação ao levantamento anterior.

Com as Agtechs ocupando mais espaço no mercado, temos ainda mais fôlego e  velocidade para inovar. As startups oferecem sistemas (softwares e hardwares), sensores, equipamentos, biotecnologia e diversas outras soluções que auxiliam o agro nacional a produzir melhor e em maior quantidade. Segundo os dados do Tech Report 2020, estudo realizado pelo Observatório da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) e pela Neoway, com apoio da Finep, essas empresas tiveram faturamento de R$ 219 milhões em 2019, somente em Santa Catarina. Além disso, a pesquisa Radar Agtech Brasil 2020/2021, apontou que o estado possui a maior proporção do País de startups do setor a cada 100 mil habitantes.

Apesar dos desafios econômicos ocasionados pela pandemia, em 2020, o agronegócio brasileiro alcançou um crescimento recorde de 24,31% no Produto Interno Bruto (PIB), em relação a 2019. O resultado continuou positivo no primeiro trimestre deste ano, quando houve uma alta de 5,35%. Essa tendência só não se manteve no segundo trimestre por causa dos graves problemas de estiagem que afetaram especialmente a produção de milho segunda safra em estados como Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. Os fatores que levaram a esse resultado expressivo no agronegócio brasileiro são diversos, como a alta de commodities agrícolas no mercado internacional e a adoção acelerada de tecnologia, impulsionada pela pandemia. 

Já os produtores tiveram que se adaptar e reinventar, profissionalizando e tornando-se empresários rurais ainda mais capacitados. Isso acontece em razão de uma crescente exigência do mercado para integrar tecnologias e adotar melhores práticas de produção ambientalmente sustentáveis e socialmente justas, gerando mais resultados e sustentabilidade para o  negócio.

Prova disso aparece em uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada neste ano, que apontou que 46% dos produtores rurais consultados preferem canais digitais para a compra de seus insumos. Além disso, vimos a mudança de ações como fiscalização e vistorias, antes realizadas por visitas presenciais e que foram adaptadas, com alternativas baseadas em imagens de satélite, por exemplo. 

O agronegócio brasileiro mostrou que está pronto para os desafios do futuro. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), até 2050, a população mundial irá atingir mais de 9 bilhões de pessoas e para atender esse acréscimo será preciso aumentar a produção de alimentos em 70%, sendo o Brasil responsável por 40% desse montante. Para dar conta desse desafio e seguir avançando no campo, a solução é impulsionar a tecnologia como a principal aliada do setor, garantindo mais produtividade com menos recursos.

Os avanços tecnológicos levarão o País a ser cada vez mais reconhecido pela excelência de sua produção agrícola. Assim, será possível avançar com sustentabilidade, qualidade e num ritmo ainda mais acelerado.

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ACATE

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