Sobre o que realmente interessa, por Luciano Vacari

Publicado em 14/01/2022 18:31 356 exibições
Luciano Vacari é gestor de agronegócios e diretor da Neo Agro Consultoria e Comunicação

Um dos grandes desafios do agronegócio brasileiro é apresentar sua importância social e econômica e, principalmente, a responsabilidade ambiental do setor, que é o que mais preserva vegetação nativa no mundo. Neste sentido a comunicação é vista como o grande gargalo do agro pelos próprios agentes do setor. E é mesmo assim. Como para quase todas as atividades, ninguém está muito contente com o que vê sobre si.

Mas justiça seja feita, muita coisa já mudou na comunicação do agro. Há alguns anos, os conteúdos ligados à agropecuária estavam restritos aos telejornais do amanhecer do dia, às revistas e sites especializados e ao eterno rádio, que levava e ainda leva informações para todos os cantos deste país. Nos jornais impressos ou na grande mídia, o espaço era apenas quando tinha uma pauta bomba, geralmente ligada a desmatamento, agrotóxico ou trabalho escravo.

O Brasil parava para ler e assistir a crueldade que acontecia no interior do país. Não havia porta-vozes, não tinha outro lado, era uma narrativa sem contrapontos que só reforçava estereótipos equivocados sobre o campo. E foi aí que se percebeu que a história precisava ser contada sob a luz dos fatos e com a devida clareza da verdade.

As entidades e as empresas ligadas à produção agropecuária passaram a entender a importância da comunicação. Contrataram profissionais, capacitaram algumas de suas lideranças e passaram a ocupar lugar de fala. Ao mesmo tempo, os veículos de comunicação voltavam os olhos para a força que crescia no campo brasileiro, com curiosidade, respeito e profissionalismo. Afinal, não era possível que estivesse tudo errado como se vendia.

Os grandes veículos de imprensa de alcance nacional, todos já têm cobertura do agro. O espaço foi conquistado, agora é preciso expandir fronteiras. Romper as páginas de economia e do especializado para chegar ao cidadão comum, com uma comunicação horizontal, que gera proximidade entre campo e cidade, e não aquela que não que cultiva mais abismos. É preciso furar a bolha!

Não é interesse da dona de casa saber quanto custa uma arroba de boi ou até mesmo o que é uma arroba de boi. Mas as pessoas querem saber de onde vem a carne que consome, como os animais foram tratados, o quanto ela custa e porque custa caro. E aí que entra a comunicação, identificar oportunidades para passar as mensagens corretas, e mais, para o público correto.

A relação de proximidade vai surgir das pautas que fogem do lugar comum, na comunicação direta com o cidadão por meio de campanhas publicitárias, na relação entre o que vem do campo e o que é consumido na cidade. Isso pode ser feito no intervalo da novela das nove, nos supermercados, nos postos de combustíveis e até mesmo por meio dos youtubers.

Os canais são inúmeros, precisamos formatar as mensagens de forma coerente, validadas por dados e pela ciência, com conteúdo consistente, contínuo e atraente. Não adianta imaginar que uma campanha apenas vai resolver o desafio de parar de falar para os mesmos de sempre.

Tudo isso exigirá maturidade, coordenação, planejamento, alinhamento entre multiatores. Visão de negócios. E vamos falar verdade, de negócios o agro entende.

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Fonte:
Neo Agro

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1 comentário

  • Gilberto Rossetto Brianorte - MT

    Sim tens razão Sr. Luciano Vacari, na verdade, nós produtores rurais precisamos formar uma legião de "advogados", para defesa dos nossos concorrentes e inimigos. Vou citar um exemplo: estive na Irlanda do Norte nos últimos dias (final de 2021). Por coincidência, no dias que estive lá, cinco (5) dos maiores supermercados da Irlanda resolveram boicotar a carne brasileira, não irão vender mais, sob alegação que a nossa carne é de abates de área irregulares da Amazônia. Alguém sabia disso? Alguma entidade brasileira se opôs? Governo? Confesso que não vi nenhuma nota. Então vejam senhores, eles fazem e desfazem do nosso produto e não temos quem nos defenda. E pasmem, a Irlanda utiliza 77% do seu território para produção agrícola e agropecuário e o restante que sobra é utilizado para cidades, estradas e industrias. Andei quase os 4 cantos da Irlanda e não tem 1 hectare de terras que não foi devastado, área nativa acho que não existe há mais de 500 anos. Bem verdade que lá é tudo organizado, águas bem cuidadas, infraestrutura invejável, etc. Enquanto nós aqui temos 66% de nossas florestas intactas, eles lá não tem sequer 1%. Aí me pergunto: não seria a hora de entrar em jogo os "advogados" do pecuarista brasileiro e se reunir com esses supermercados e tirar satisfação? Explicar para o consumidor Irlandês como nossa carne é produzida. Entendo eu, que toda vez que sofremos ameaças infundadas e não contra atacarmos, o inimigo se fortalece e pisa sobre nós. Enfim, acho que passou da hora das entidades gastarem um pouco do nosso dinheiro, para formar profissionais e defender nossas causas.

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    • Adilson Dilmar Dudeck Cascavel - PR

      Acho que uma propaganda televisiva na Irlanda informando quais os frigoríficos que exportam, de quem eles compram e onde localizam as fazendas. Finalizando um mapa do território brasileiro com a localização da Amazônia e das regiões pecuárias e por último uma informação que na Amazônia não tem girafas e nem elefantes.

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    • gerd hans schurt Cidade Gaúcha - PR

      Não é por acaso que sobram críticas as nossas entidades representativas.

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