Ruídos sobre cota chinesa pressionam mercado futuro do boi, por Lorenzo Junqueira

Publicado em 09/04/2026 15:26 e atualizado em 09/04/2026 17:08
Lorenzo Junqueira é pecuarista de corte e fundador da comunidade Balcão do Boi

A definição das cotas de importação de carne bovina brasileira pela China em 2026 volta ao centro das atenções do mercado pecuário, principalmente pelo seu potencial de impactar preços e estratégias de comercialização.

Para este ano, o limite estabelecido é de 1,1 milhão de toneladas. Caso esse volume seja ultrapassado, haverá a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre o excedente, o que tende a desestimular embarques acima da cota.

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No primeiro trimestre de 2026, a China importou 332,061 mil toneladas de carne bovina brasileira. No entanto, é importante destacar que parte desse volume corresponde a embarques realizados ainda no final de 2025, mas que chegaram ao destino apenas a partir de 1º de janeiro, sendo contabilizados dentro da cota atual.

Outro ponto relevante é a mudança no comportamento da demanda chinesa. Desde outubro de 2025, observa-se uma queda gradual nos volumes mensais importados, saindo de 187 mil toneladas para cerca de 105 mil toneladas em março de 2026. Esse movimento chama atenção, mas vem acompanhado de uma estratégia importante do Brasil: a diversificação dos destinos de exportação. O país tem ampliado sua presença em outros mercados, reduzindo a dependência da China e distribuindo melhor o risco comercial.

Em paralelo a esse cenário, declarações recentes do presidente da ABIEC, Roberto Perosa, têm provocado ruídos desnecessários no mercado. Ao longo do ano, algumas falas chamaram atenção pelo tom mais alarmista. Um exemplo foi a afirmação de que um eventual fechamento do Estreito de Ormuz poderia impactar cerca de 40% das exportações brasileiras de carne bovina — cenário que, na prática, não se confirmou, já que o país manteve um ritmo forte de embarques e, inclusive, registrou recorde histórico no mês de março.

Mais recentemente, a declaração de que a cota chinesa se esgotaria já na primeira semana de maio voltou a gerar forte reação no mercado futuro, com quedas superiores a 2% nos contratos do boi gordo. Esse tipo de comunicação, quando não sustentado pelos dados, tende a amplificar a volatilidade e, indiretamente, pressionar também o mercado físico, criando um ambiente de insegurança para o produtor.

Na prática, os números atuais não corroboram essa antecipação. Com aproximadamente 60% da cota preenchida, a tendência mais consistente é de que o limite seja atingido apenas ao longo do mês de junho, considerando o ritmo das exportações e o comportamento recente da demanda.

Diante desse cenário, reforça-se a importância da informação de qualidade e da união dos pecuaristas. Em um mercado sensível a ruídos, é fundamental não cair em narrativas sem respaldo em dados, que podem derrubar o preço da arroba de forma artificial. O produtor que se baseia em números, mantém visão estratégica e atua de forma alinhada com o setor consegue evitar distorções e tomar decisões mais seguras e rentáveis.

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Fonte:
Lorenzo Junqueira

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