Agricultura pede permissão para trabalhar, por Glauber Silveira

Publicado em 17/09/2013 09:44
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Glauber Silveira é produtor rural e presidente da Aprosoja Brasil.

No Brasil a cada safra fica mais difícil se produzir.Tenho participado de reuniões, todas as semanas, sejam em Brasília ou em outro local, e 90% dos temas tratados estão relacionados à restrições à produção. Ou seja, estamos gastando muita energia pedindo, por favor, ao governo que nos deixe produzir e se não quer ajudar ao menos não atrapalhe.

O Brasil virou o país do “não pode nada”, do “nada evolui”. A cada semana, nos vemos com uma nova norma, portaria, decreto ou lei que coloca restrições à produção. E estas que deveriam dar sustentabilidade à atividade, muito pelo contrário, têm trazido inúmeras restrições àvários aspectos que afetam nossa produção. Seja com uma nova norma relacionada à legislação de trânsito, à pulverização de lavouras, à regularidade ambiental, às normas de trabalho e do próprio produto.

Todas as semanas são horas discutindo os impactos de leis e regulamentos sobre a produção. E como fica claro que seremos impedidos de trabalhar, temos que a cada semana lançar mão dos parlamentares da FPA e da CNA, e assim marcar novas reuniões com o Governo. E ainda assim, mesmo de joelhos pedindo ao governo que nos ajude, talvez nos atendam, talvez não. E tem sido assim, seja para liberação de produtos para defesa vegetal, alguns há anos para serem registrado, seja para liberar a operação de um porto, seja para não mudar uma lei que nos torne escravos da atividade, isto se já não formos.

Estamos iniciando a maior safra que este país já teve, enquanto deveríamos estar nos reunindo com o governo para tratarmos do porto, da ferrovia, do armazém, da estrada, do incentivo à industrialização no país, da agregação do valor à produção, da ampliação e sanidade da exportação e do crescimento do agronegócio, mas não, as discussões estão tomando outros rumos. Isso porque, os temas que estamos debatendo junto com a FPA são: a terceirização da área meio, questão indígenas da PEC 215 e Defesa Vegetal/Agrotóxicos.

Enquanto a FPA deveria estar cobrando obras ao crescimento do agronegócio, gasta sua energia para permitir que continuemos a produzir. Presenciamos deputados comprometidos com este país implorando para que o Brasil não regrida, para que os interesses sejam em defesa dos brasileiros e não de ONGs com interesses internacionais e comerciais.  Será que o governo, nem sendo vítima de espionagem, acorda que em seu seio está infiltrado o interesse de outros países e não o nosso.

Os produtores se obrigam a enfrentar não só a batalha da produção, afinal se espera colher alguns milhões de toneladas a mais, mas também as batalhas do “nada avança”, do “nada evolui”. Afinal, que porto foi ampliado, qual a estrada nova, a ferrovia que saiu do papel e começou a cortar o Brasil de leste a oeste, os buracos que foram tapados, a rodovia duplicada. Infelizmente, o crescimento da produção significa mais custos para nós.

Se já não bastassem as obras que não saem do papel, temos também planos agrícolas que não decolam. Caso não seja assim me questiono, quantos armazéns já foram liberados na nova linha? E o seguro agrícola? Porque os editais do Plano de investimentos em obras de infraestrutura anunciado pela presidente estão fracassando? Infelizmente, estamos presenciando uma centralização maléfica no governo, em que terceiros escalões mandam mais que ministros e com isto só vai para frente o que eles, na sua interpretação, entendem ser prioridade.

E nós produtores temos que travar batalhas intermináveis, temos que sair da produção e ir àBrasília para evitar que estragos maiores sejam feitos.

Pedimos com frequência que liberem produtos, para podermos proteger nossas lavouras, além de debatermos com os índios para que terras produtivas centenárias continuem a produzir. Atualmente, estamos trabalhando para que se possa terceirizar a mão de obra no campo, algo que já é realidade para os nossos competidores e que gerou uma especialização do serviço nas lavouras, ou seja, maior produtividade - justamente um dos grandes desafios para o país continuar crescendo.

O Brasil se tornou uma nação engessada, com leis inexequíveis, o país da burocracia e dos custos altos. Isto tudo porque temos uma máquina governamental inchada, mas que não fiscaliza, não pune e não age. Com isto as leis elaboradas são restritivas, causando na sociedade a fictícia sensação de segurança e controle. E, por outro lado, nós estamos cansados de lutar, pedimos clemência e que, por favor, nos deixem produzir.

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Fonte: Aprosoja Brasil

8 comentários

  • Lourivaldo Verga Barra do Bugres - MT

    A ler essa notícia me lembro duma entrevista, melhor dizendo, uma participação por telefone no canal rural, onde sugeri que a classe produtora rural desse País organizasse uma paralização, trancassem as porteiras por um tempo para não sair nada, os mercados vazios e governo se estrepando. Essa sugestão foi quando da batalha do Código Florestal. Ao invés de estarmos de joelhos,agora,seríamos recebidos de pé. O apresentador respondeu que "não devíamos radicalizar e que deveríamos criar lideranças". A presidente da CNA fica no entre a confederação e a proposta de pegar cargo no governo! Viu no que deu liderança? O Brasil segue no caminho socialista e quer voltar ao atraso, isso é proposta clara, apoiada por ingênuos/traidores e mal-informados de dentro orientados e financiados por interesses de fora. Só falta agora por interesses pessoais os partidos se juntarem na sombra do PT, para ficarem "bem na foto" e dar a procuração para regassar com os produtores desse País.

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  • HAROLDO FAGANELLO Dourados - MS

    Nossa FPA e CNA estão muito divididos e vendidos, eles tem força para mudar o rumo da conversa, basta ver no caso do código florestal, não mudam o rumo por interesses próprios. Por isso temos que achar um novo caminho de organização e mobilização longe dos políticos que se vendem facilmente, com raras excessões e dos sindicatos e confederações que sempre estiveram a quilômetros de distância dos nossos reais interesses. Temos que pensar seriamente na restrição de oferta de produtos, pelos médios e grandes produtores. Nocautear o governo pela oferta e aí sim começar a dar as cartas. Utopia? Nossos adversários não pensaram em utopia ao planejar nossa derrocada via domínio da administração do Brasil.

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  • Luciane Possan Weber guaíra - PR

    Tirar a terra de quem produz e é dono, ou melhor confiscar,e entregar para o estado, serve a dois senhores. Serve para esse governo socialista/comunista, que acha que ninguém pode ser dono de nada somente eles. Que mantém um povo inculto, dependente e pobre.E serve também para aqueles que estão assustados como potencial produtivo de nossas terras e de nós produtores. Nós os que geramos riqueza para todos estamos emparedados entre a esquerda burra e o capitalismo selvagem do resto do mundo. Até quando aguentaremos, é a aposta que corre o país e o mundo.

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Prezado Glauber, a questão é como nós brasileiros podemos nos unir para vencer esse elenco de conspirações. Não vamos nos enganar, nosso governo quer um povo pobre, não faz diferença se a agricultura sustenta esse país. Você pode incluir na sua sesta, conspirações mercadológicas para oferecer fortes prejuízos para agricultura brasileira. Nossa agricultura está estruturalmente dependente das informações dos conspiradores, que é direcionada compacta e gratuita. Fui o único no mundo que disse que o mercado iria a us$ 13.50 p/bu e você esta bem lembrado porque estávamos junto naquela ocasião. Você acha que isso é razoável e faz sentido ??? – porque sem prejuízo para minha experiência no mercado internacional, eu não sou gênio... Eu estou tomando algumas proteções. abraços

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  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Prezado Glauber, a questão é como nós brasileiros podemos nos unir para vencer esse elenco de conspirações. Não vamos nos enganar, nosso governo quer um povo pobre, não faz diferença se a agricultura sustenta esse país. Você pode incluir na sua sesta, conspirações mercadológicas para oferecer fortes prejuízos para agricultura brasileira. Nossa agricultura está estruturalmente dependente das informações dos conspiradores, que é direcionada compacta e gratuita. Fui o único no mundo que disse que o mercado iria a us$ 13.50 p/bu e você esta bem lembrado porque estávamos junto naquela ocasião. Você acha que isso não é razoável e faz sentido ??? – porque sem prejuízo para minha experiência no mercado internacional, convenhamos eu não sou gênio... Eu estou tomando algumas proteções. abraços

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  • Ronaldo Zanon Canarana - MT

    Acredito que so existam duas formas para que possamos mudar isso,a primeira precisamos em consenso escolher nossos representantes no senadores e deputados, mas isso com realmente união em torno de nomes colocados por nossa entidades que irão para la com o objetivo de realmente nos representar, acredito que com a força que temos e o numero que somos, temos condições para isso basta QUERER, caso contrario estamos fadados a passar a vida mendigando ajuda de governos que so pensam em se perpetuar no poder as custas da pobreza de cultura da população.

    o segundo ponto e que as nossa entidades representativas precisam investir nosso dinheiro em marketing nas grandes redes de midia, venho dizendo a algum tempo de que adianta fazer propaganda para nos mesmos assistir, quem precisa saber quem somos são aqueles que moram nas grandes metrópoles que assistem as novelas da globo os programas do SBT, essa que e a grande massa de manobra do governo, precisamos mostrar para essas pessoas a nossa realidade, quem produz o alimento de cada dia que esta na sua mesa, eles precisam conhecer nossos problemas e o que enfrentamos para produzir, precisamos que a cada reportagem contra nós coloquemos uma a favor mostrando o porque a Ex como colocaram o tomate como grande vilão de preços caro, mas ninguém explicou que tinha havido uma quebra de safra e muitos produtores perderam dinheiro e que o preço so subiu porque faltou produto, não podemos deixar aparecer nas reportagens da grande mídia como são veiculados normalmente algum produtor comprando maquinas de milhões com o sentido de que estamos sobrando dinheiro, sabendo que 90% das maquinas compradas são financiadas, temos que ter em mente que as grandes mídias só mostram o que interessa a quem esta pagando e isso só vai mudar quando fizermos o mesmo. E desta forma que os Agricultores Americanos conseguiram respeito e força.

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  • nilo leonardo filho realeza - MG

    Concordo com o João Augusto e acrescento que grita a falta objetividade e de planejamento dos empresários rurais . o governo já acostumou a maioria a fazer as suas safras pendurados em banco e sabe que a maioria não tem coragem de reter a produção e perder patrimônio e aí como não temos poder de negociação ao representatividade séria , o governo nem se dá ao trabalho de fazer uma política específica para o setor ao contrario só faz dificultar a vida dos agricultores , devem rir muiiiito da nossa situação .

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  • JOAO AUGUSTO PHILIPPSEN Santo Augusto - RS

    Ai Graube, finarmente. Apreveita que tu deceo do muro e derruba a kátia também, que este governo é só assim na paulada, e diz pra ela usar o dinheiro da CONFEDERAÇÃO e que as FEDERAÇÕES estaduais, o usem em prol da nossa defesa nos meios de comunicação, mostrando o que realmente é, a Agropequária no Brasil e a total dependência que temos deste setor. Parem de rasgar dinheiro bebendo vinhos, comendo churrasco, viajendo para cima e para baixo sem produzir nada.

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