Capitalismo para os ricos, socialismo para os pobres, por Diogo Costa

Publicado em 01/06/2015 14:37 1262 exibições
Diogo Costa é presidente do Instituto Ordem Livre e professor do curso de Relações Internacionais do Ibmec-MG. Trabalhou com pesquisa em políticas públicas para o Cato Institute e para a Atlas Economic Research Foundation em Washington DC. Seus artigos já apareceram em publicações diversas, como O Globo, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo. Diogo é Bacharel em Direito pela Universidade Católica de Petrópolis e Mestre em Ciência Política pela Columbia University de Nova York.

Capitalismo para os pobres

O fim da guerra fria, o grande desfecho do embate entre capitalismo e socialismo, não resultou em um triunfo inconteste do livre mercado, como desejariam liberais e lamentam os socialistas. 

Resultou em um arranjo bizarro, uma política econômica híbrida e intervencionista. Em larga medida, foi criado um capitalismo para os ricos e um socialismo para os pobres.

O Brasil exemplifica o modelo de modo emblemático. 

Pense no varejo. Rico faz compras em Miami. Pobre fica entre comprar produtos chineses altamente tarifados ou o substituto nacional altamente tributado. 

Pense no trabalho. Rico trabalha como Pessoa Jurídica. Os encargos trabalhistas não abocanham seu salário. Pobre trabalha amarrado pela CLT. Todo empregado pobre é um trabalhador mais suas circunstâncias fiscais. 

Pense nas finanças. Rico consegue empréstimos subsidiados pelo BNDES. Pobre tem que pagar juros exorbitantes incluindo os subsídios governamentais. 

Pense na construção civil. Rico consegue licitação de obras com garantia lucros. Os pobres pagam a conta caso o projeto do rico dê errado. 

Pense nos impostos. A tributação brasileira é regressiva. Ricos pagam proporcionalmente menos tributos que os pobres.

Os pobres precisam de mais capitalismo. Precisam de mais produtividade, para que suas atividades profissionais agreguem mais valor à sociedade. Precisam de mais empreendedorismo, para que consigam transformar suas ideias em negócios. Precisam de mais comércio, para que interações econômicas voluntárias sejam mutuamente benéficas. E precisam, com tudo isso, de mais consumo, para que com mais escolhas tenham melhor padrão de vida.

O que existe no Brasil não é uma divisão entre a classe empresarial e a classe trabalhadora. Há empreendedor que não cresce por causa do capitalismo de privilégios. Há sindicalista que lucra bem com o socialismo de massa. O Brasil continuará o país dos contrastes enquanto deixarmos que apenas os ricos tenham acesso a um pouco de capitalismo enquanto os pobres ficam de chapéu estendido para o socialismo.

Não é protecionismo, é exclusão comercial

A burguesia brasileira se define pela detenção dos meios de locomoção para Miami. Quem mais sofre com as restrições à importação não é o casal do Leblon que faz enxoval na Macy's. É a família pobre que tem que parcelar suas compras em 24 vezes nas Casas Bahia. Se não houvesse tarifa de importação, preços baixos diminuiriam o status social do boné da Gap e da pólo Ralph Lauren.

A exclusividade dos artigos importados continua garantida. Dentre os 179 países listados pelo Banco Mundial, o Brasil é o país com menor importação do mundo mensurável:

No grupo dos Brics, por exemplo, a China tem importações de produtos e serviços de 27% do PIB, a Índia de 30% e a Rússia de 21%. Entre as principais economias da América Latina, o México tem importações correspondentes a 32% do PIB, a Argentina a 20% e a Colômbia a 17%.

No Brasil, as importações somam 13% do PIB.

O custo médio de importação no Brasil é de U$2.275 por container. A média da América Latina é de U$1.612. Parte desse custo são tarifas de importação. Mas, de acordo com o Índice de Liberdade Econômica, uma causa de preocupação são as barreiras não tarifárias e outras medidas protecionistas. São barreiras que o governo poderia retirar sozinho, sem depender de negociação internacional, de rodadas da OMC nem precisar pedir licença para o Mercosul.

Os ricos do nosso Brasil gostam de falar de programas de inclusão social. Agora, quando foi que você já ouviu algum político de Brasília ou atriz da Globo falando de projeto de inclusão comercial? Inclusão social dá a gente rica a oportunidade de visitar a favela. Inclusão comercial dá a gente pobre a oportunidade de visitar o shopping. E o brasileiro rico é nativista: não gosta de ver índio nem pobre fora de seu habitat natural.

Está na hora de libertarmos os pobres do Brasil da condenação do socialismo. Capitalismo não pode ser apenas um privilégio dos ricos. Está na hora de levar o capitalismo para os pobres.

Seu blog: https://www.capitalismoparaospobres.com

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IMB

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2 comentários

  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Prezado Mauricio Carvalho de Oliveira, esse assunto abordado pelo Diogo e também por você, sempre me interessou. Vou direto ao ponto. É indiscutível que milhões de brasileiros não são pobres, mesmo enfrentando todas essas barreiras apontadas no artigo. O problema evidentemente não são os ditos ricos comprarem em Miami, isso é uma coisa boa, o problema, e acho que foi isso que o Diogo quis dizer, é no final, uma parte da população que não tem dinheiro para viajar, ter que pagar bem mais caro por mercadorias de qualidade inferior aqui no Brasil. Nisso eu concordo, e escrevi um comentário a pouco falando exatamente disso, em como o governo é explorador, espoliador, surrupiador das oportunidades da uns para fornece-las a outros. São coisas distintas, como bem alerta o Mauricio. Que o problema não são os empresários isso é evidente, e até mesmo Diogo em seu artigo afirma que precisamos de mais empresários, mais comércio, mais consumo a preços melhores. O problema não são os furadores de fila, pois normalmente são colocados em seus devidos lugares, o problema ocorre quando há associação entre politicos, o estado, empresários, burocratas, e por ai vai... para cometerem crimes, sem a devida aplicação da lei e consequente punição. Em outro momento irei escrever sobre como um governo corrupto acaba por corromper toda a sociedade. Por isso não é possivel transferir a responsabilidade para eleitores que são enganados por um sistema judiciário que não pune os criminosos. Se um sujeito comete crimes as pencas e não é condenado, o eleitor que acredita na justiça brasileira acabará por aceitar a inocência deste individuo, e sendo assim poderá reconduzi-lo ao cargo. Então quando os poderes judiciário, legislativo e executivo são corruptos, toda a sociedade será contaminada e se tornará corrupta e não o contrário como querem nos fazer crer os politicos, que dizem ser desonestos por que o povo é desonesto, é mentira. Mesmo que o povo fosse desonesto, e não é, se o sistema fosse honesto, todo o povo seria também honesto.

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    • Maurício Carvalho de Oliveira Brasília - DF

      Rodrigo, de Balneário Camboriú, que deve ser um lugar paradisíaco!

      Mas Rodrigo, não penso que a sociedade seja, no geral, corrupta. Pelo contrario! Temos sim, nossa cultura, a cultura brasileira, e com uma herança burocrática de Portugal, é verdade. Isso nos faz diferente e peculiar. Cabe a nós, entretanto, aperfeiçoar nossas instituições, nossa democracia, e tudo isso deve ser feito dentro do conjunto de leis aceitas e aperfeiçoadas pela sociedade. Uma nação é uma construção coletiva e isso é feito com valores e tradições sociais e, estou certo, estamos evoluindo como nação, apesar de alguns refluxos autoritários e certa tendência para o esquerdismo, que nada tem de produtivo, ou melhor, são exemplos que só produziram miséria e sangue. E o que é preocupante, esse pensamento de esquerda, esclerosado, medra principalmente nas universidades, que deveriam preparar o homem para a vida, para o empreendedorismo. Competição, comércio, ciência entre outros são bases para a evolução da sociedade. O resto, como disse Victor Civita, é leitura, e para isso há dois livros que julguei de grande valia para a compreensão do mundo: Por que as nações fracassam (de dois economistas americanos) e Evolução - ocidente x oriente, de Niall Ferguson. Penso que você gostará dessas obras.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Olhei na rede, o primeiro livro Por que as nações fracassam, pode ser baixado em pdf, o segundo ocorre a partir do fim da idade média, ou seja, no inicio do liberalismo economico e financeiro. A China imperial, antes da ascensão comunista era rica culturalmente e se era rica culturalmente, muito mais economicamente. Pois bem, um tem 400 páginas, se gostar é possivel que leia. Agora quero sugerir um video de 2 minutos, de um jornalista chamado Percival Puggina, e é sobre as instituições brasileiras.

      https://www.youtube.com/watch?v=u0ApVtqG4gg

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Aqui a página do Puggina - http://www.puggina.org/

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    • Guilherme Frederico Lamb Assis - SP

      Rodrigo, vou discordar de você na parte que fala sobre o eleitor não ser culpado por eleger o corrupto e sim o fato do problema gritante do judiciário Brasileiro, problema esse inegável.

      Mas temos alguns casos de políticos condenados, inclusive foragidos da Interpol que se reelegem tranquilamente. Isso prova que não é só uma questão do judiciário, é um reflexo do caráter de boa parte da população.

      Pode ter certeza que se um Marcola pudesse se candidatar mesmo estando preso, teria grandes chances de sele eleger no Brasil

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    • adegildo moreira lima presidente medici - SC

      O Rodrigo utiliza-se de um sofisma para tentar criar uma figura imaginaria do politico descolado do povo, nossos politicos nada mais sao que representantes de tudo aquilo que o povo é , anseia e acredita, sao aquelas pessoas que mais se identificam com o gosto popular, tanto é verdade que se o Rodrigo , com todo o seu conhecimento e cultura se aventurasse a uma candidatura, talvez nao tivesse exito enquanto uma tranbiqueiro, mentiroso e sem qualquer preocupação com a cultura fosse eleito com uma imensidao de votos. Toda a generalização é perigosa, pois existem bons e serios politicos, mas a maioria, como a nossa população, quer levar vantagem em tudo e aproveitar o momento, desprezando o interesse publico e as prioridades do pais.

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Senhores a politica é um tempero de muitos ingredientes e, produz gostos mil !!!

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Amigos, tentarei responder aos três se for possível. Primeiro, não afirmei que todos os eleitores são enganados, sei que muitos realmente apoiam criminosos, por isso colocarei uma noticia no fim deste comentário que recebi de meu amigo Dalmo Accorsini, sobre Lula sendo recebido pelo primeiro ministro italiano. Lula foi indicado ao premio Nobel da paz, e Nicolas Maduro recebeu de Graziano um premio da ONU por sua luta contra a fome na Venezuela. Leiam lá. Sr. Adegildo, não é um sofisma a afirmação de que um governo corrupto acaba por corromper toda a sociedade, é mais que uma verdade absoluta, é uma verdade revelada, já estudada e comprovada por pessoas com capacidades intelectuais muito acima de minhas possibilidades, por isso digo que em algum tempo escreverei sobre isso. Quanto a afirmação do politico descolado do povo, é evidente por si mesma, são falsos, corruptos, mentirosos, os causadores da confusão na cabeça das pessoas. O que eles fazem é proposital, para causar desorientação geral, só quem lê e estuda muito é capaz de entender. Alguém acredita que o estado não tem força para acabar com o poder dos bandidos do morro do alemão? E é preciso atacar a origem da corrupção! Ou esse povo que você diz ser corrupto aceita a mentira, a corrupção e a falsidade? Mesmo que por motivos economicos, o que acontece com Dilma e Lula? O povo contra e a maioria dos politicos a favor, compare o que diz a maioria dos entrevistados pelo Noticias Agricolas sobre o Plano Safra, com o que dizem os representantes, lideranças e entidades agricolas, e verá o descolamento. Em tempo, Sr. Paulo, não é questão de gosto, é bíblico, o governo corrupto acaba por corromper toda a sociedade, é questão de obediência, fidelidade, lealdade, naquilo que posso e me esforço... Um abraço a todos.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      A grande farsa!

      Pois é! O Lula foi recebido como chefe de estado pelo primeiro-ministro italiano Matteo Renzi. Vocês ainda duvidam da imagem dele lá fora? O Blog Chapa Branca 171 disse o seguinte!

      "Dias antes da chegada a Itália, Lula publicou nas páginas do Corriere della Sera, o mais importante jornal italiano, um artigo ("Um mundo sem fome e com paz") escrito em parceria com o assessor e amigo, José Graziano, hoje diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, FAO. "Um mundo sem fome não é um sonho abstrato," escreveram os dois. "A pobreza e a miséria, dentro dos nossos países ou em outros países, não é um fato inevitável da vida. Podemos, sim, construir um mundo sem fome. E só um mundo sem fome pode nos permitir construir um mundo sem guerras, um mundo de paz."

      O Graziano recentemente premiou o Nicolas Maduro por acabar com a FOME na Venezuela! Detalhe esse artigo no Corriere della Sera, custou a bagatela de ?350,000 com essa grana faríamos quantos eventos de denuncia que sairiam na mídia? Volto a afirmar, a possibilidade dele ganhar o NOBEL com a grana que esta rolando lá fora é muito grande! Ele esta em campanha!!! temos que melar suas chances, combater a onde ele for!

      http://www.kickante.com.br/?/conclave-de-oslo-pela-democrac?

      Esse texto foi publicado por Dalmo Accorsini, 350.000 euros para enganar os italianos, e aí? Se os italianos que não sabem de nada acreditarem, concordam com tudo que Lula fez e faz? Há ou não um descolamento entre a realidade e a falsidade? É evidente.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Corrigindo a primeira resposta, não é ONU, é FAO.

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Sr. Rodrigo, o "gosto" a que me referi é metafórico e, por conseguinte muitos teem uma visão diferente. Hoje o DEM apresentou um programa na televisão, veja no site www.brasil247 o quê escreveram. Está aí um exemplo do descolamento da realidade e pior, provavelmente sendo bancado com dinheiro público. Quanto ao Lula, ele tem que ir bem longe do Brasil contar suas mentiras, pois aqui o povo já está sentindo suas verdades no bolso e, na hora que chegar no estomago aí o Sr. vai ver!!

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Perfeitamente Sr. Rensi, é um exemplo clássico. Lula já declarou que ia liquidar politicamente Agripino, aliás é uma pena o Caiado aparecer logo depois dele, achei que tinha que falar primeiro, bem, tá lá a acusação e o processo. E se for absolvido? Já o PT não, eles pagaram 1 milhão de reais por uma matéria de jornal para promover o Lula, de onde sai o dinheiro? Disso eles não querem falar, essa gente não quer saber de transparencia. Romeu Tuma escreveu um livro, Assassinato de Reputações, em que conta como o PT destrói seus adversários com uso de acusações falsas, com grande quantidade de processos na justiça, e o que é pior, depois choraminga que os outros é que fazem isso com eles.

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    • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

      Eu com minha mania... de matutar!

      Sr. Rodrigo esta presença do Lula na mídia italiana, não é para ofuscar o "mensalão"? Ou ele está tentando manter o Pizzolato longe, pois o mesmo pode vir a dar com a língua nos dentes e deixar o "Capo Nú". Com a autorização da justiça italiana em extraditar Henrique Pizzolato, o perigo dele ser ouvido pela mídia brasileira aumenta.

      Existe outra hipótese. Como o circulo está se fechando sobre o "Capo", ele está aproveitando e fazendo viagens internacionais, pois quando a Interpol estiver a sua caça, como do seu "amigo" Maluf, ele vai poder ficar chafurdando somente nos seus currais eleitorais.

      Hoje ele já está impedido "moralmente" de aparecer em público, onde ele aparecer vai ser vaiado pela população.

      Manda ele fazer um teste: FALA PARA ELE IR NA PARADA GAY !!!

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    • Guilherme Frederico Lamb Assis - SP

      Rodrigo, continuando a sua lista de aberrações premiadas, Hitler foi indicado ao premio Nobel na paz em 39, Stalin também, não me recordo o ano, acho que 45 e 48, ate mesmo Mussolini.

      Voltando ao foco, Hitler ascendeu ao poder graças ao apoio das massas, a grande maioria que permitiu ele tomar o poder.

      Hugo Chavez também, primeiro tiveram o apoio massivo, depois deram o golpe.

      Por isso ao meu ver o governo é um reflexo prefeito do povo, só que o governo faz em grande escala o que o povo faz em pequena escala.

      Ou melhor a maioria do povo. Claro que há muita gente boa, pensante e inteligente, mas nesses casos não são a maioria ainda.

      Os mais esclarecidos estão tendo maior visibilidade, como você mesmo disse, basta ver os participantes do NA, mas ainda não representamos uma maioria capaz de reverter esse cenário político onde populistas como os do PT e fisiologistas como do PMDB e da base alugada dominam o executivo, legislativo e judiciário.

      Foi a maioria do povão que elegeu muitos dos parasitas do PMDB que se dizem representar a agricultura, e que nos tanto criticamos aqui.

      nunca votei em candidatos que não fossem do PSDB e do DEM, escolhi sempre dentro dessas legendas o menos pior, apenas esse ano votei no Eduardo Bolsonaro que é do PSC.

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    • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

      Guilherme, essa é uma excelente oportunidade de discutir isso, e agradeço a vocês por isso. Antes de mais nada, não só os produtores rurais, mas a sociedade em geral, precisa urgentemente criar mecanismos de ação que não dependam de politicos. Esses que estão aí, politicos, representantes, lideres, devem ser deixados de lado, e na impossibilidade de a curto prazo, organizar a criação de grupos de ação, pelo menos esses desonestos, mentirosos, trapaceiros, devem ser substituidos por outras pessoas. Quanto ao "povo", não podemos esquecer que são quase cinquenta anos de doutrinação marxista, em escolas, universidades, na imprensa, até no regime militar a imprensa era esquerdista, tanto que Nelson Rodrigues era considerado um jornalista reacionário. Para terminar vou colocar aqui um pequeno texto de um livro que Flávio Quintela. que é co-autor do livro - Mentiram para mim sobre o desarmamento - , está traduzindo - Em qualquer estado democrático, aquilo que é institucionalizado é de fato uma expressão do que seu povo valoriza mais profundamente, tanto sábia como tolamente. De maneira mais geral, o que é institucionalizado nos arranjos de convivência de uma sociedade democrática depende de quais anseios e temores o eleitorado acredita que devem ser endereçados pelo estado.

      Se os ideais do eleitorado são a liberdade individual, a auto-responsabilidade, a auto-atualização e a cooperação voluntária, e se os temores são aqueles relacionados às invasões da pessoa e propriedade de alguém ou às violações de contratos, então as regras da sociedade protegerão os direitos à propriedade privada e o desempenho de acordos executáveis.

      Se, por outro lado, o povo anseia por ilusões de igualitarismo, segurança material garantida e regulação ampla das pessoas, deseja a indulgência e teme a incerteza e sua própria inveja e inadequações num nível suficiente, então ele rejeitará o ideal da liberdade. Esse povo criará, em vez disso, o estado gerencial moderno, e lhe concederá poder para regular, compensar, taxar e redistribuir sob a desculpa da justiça social.

      E, prossegue Flávio Quintela - "Fica fácil entender o porquê de termos os políticos que temos, a constituição que temos, as leis que temos e os males sociais que temos: nosso povo anseia por ilusões de igualitarismo e segurança material. Nosso povo gosta de ser tratado como bebê, de receber comida da mamãe-estado, de ter alguém onipotente cuidando de si. Nosso povo adora ouvir a mentira mais contada nos palanques eleitorais, e aprimorada à perfeição pelo ex-presidente e sempre cachaceiro Lula: eu vou cuidar de vocês.

      Numa época da história mundial em que até mesmo a nação que foi criada com os ideais mais fortes de liberdade, os Estados Unidos da América, se rende a promessas assistencialistas e troca suas liberdades por food stamps**, fica difícil imaginar que um país como o Brasil, com uma longuíssima tradição de infantilização do povo, conseguirá transformar essa mentalidade e virar o jogo em favor da responsabilidade individual, da liberdade e do respeito à soberania do indivíduo. Pessimismo? Não. Apenas realismo duro e difícil de engolir. Afinal, é um mundo onde Lulas e Obamas ocupam o poder".

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  • Maurício Carvalho de Oliveira Brasília - DF

    Prezado Diogo,

    Pareceu-me, esse seu escrito, algo confuso, como confuso é o ambiente socioeconômico em que vivemos. Por quê essa oposição "ricos versos pobres"??, como bem quer as esquerdas, esse esquerdismo triste e lastimoso, característico de deus brasileiro, de mentalidade pífia, futebolística, oca, despolitizada, e muito mais... Temos, sim, pseudo-empresários, que sempre mamaram nas tetas da viúva, como agora bem revelado pela operação Lava Jato, mais especificamente as grandes empreiteiras, os fornecedores do governo que, mancomunados com os agentes de governo de plantão (leia-se cargos de confiança) ou o petismo, que nas últimas décadas aparelhou os governos, têm executado sim, um escândalo atrás do outro, é verdade. Nos roubado oportunidades de investimentos estruturais, e assim por diante. Mas daí, a execrar os nosso empresários, os nosso supostos ricos, aqueles que fazem compras em Miami, esses pequenos poupadores que vão aos Estados Unidos para comprar melhores produtos a preços mais reais e, além disso, visitar um país civilizado? Coloca-los frente a esse quadro econômico do qual a grande maioria da sociedade brasileira se encontra e é conivente, até via voto, vai um longo caminho. Brasil, corrupção em ambiente legal frouxo, fura fila, malufismo, petismo, lei de gerson, sem pecado abaixo do equador, isso é nosso mesmo, brasileirismo de samba e futebol. Mas, temos sim, caminhos para uma nação melhor, receitas para curar esse males. Educação moral da família, leituras, exemplos de homem como o saudoso Antônio Ermírio de Morais ou o exemplo da grande maiorias de nossa sociedade que, no cotidiano, luta de forma honesta, para sobreviver, crescer nessa selva burocrática infernal que criamos e sustentamos. Sustentamos sem refletir sobre as mazelas que esse estado pantagruélico nos causa. Isso sim, refletir e buscar meios de evoluir para um mundo de negócios, para um mundo gerador de riquezas, de trabalho.

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    • Antonio Carlos Nogueira Fortaleza - CE

      Parabéns Mauricio pelo seus comentários e pela lembrança do saudoso Antonio Ermírio de Morais, cuja biográfica saiu no ano passado antes de sua morte, escrita pelo José Pastore, professor doutor em direito trabalhista e amigo pessoal do Ermírio.

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    • Guilherme Frederico Lamb Assis - SP

      Caro Mauricio, com todo respeito, porem creio que houve uma má interpretação de sua parte da questão "ricos versos pobres", não é o autor que esta colocando em oposição às duas classes sociais, ele apenas ilustra o modus operandi da esquerda, sendo de certa forma irônico quanto a essa questão e suas consequências. O artigo é muito claro e objetivo no meu entendimento.

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