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Na crise uma grande oportunidade

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Os concorrentes brasileiros da carne tiram proveito, clamam e pedem bloqueio, embargo aos produtos brasileiros. Uma regra pesada da competitividade globalizada.

Os inimigos do consumo da carne também se manifestam veementes, aproveitando essa mega oportunidade caída no colo para promover – a partir da desgraça da categoria da proteína animal , suas preferências veganas ou vegetarianas.

Então, sobra  cacetada para todos os lados… A sociedade vegetariana brasileira, SVB,  lembrando dos  bons tempos do Eder Jofre, nosso boxeur campeão no passado e vegetariano, desce cacetada na carne, arreia o nabo e afia a mandioca dizendo: “uma indústria inerentemente inescrupulosa…” e continua “…fazem o desmatamento, a poluição, gases efeito estufa, só vivem por ter dinheiro do governo etc…” Juro que cheguei a sentir gosto de sangue nas palavras da SBV…

E claro, se esquecem de milhares de famílias que estão em cooperativas vivendo dignamente e eticamente integrados na produção de animais, e o pessoal da carne alega que sem um bifinho todo dia não teremos proteína para uma vida saudável, enfim… A Torre de Babel das disputas por corações e mentes está apenas no começo…

O Brasil está apanhando, e está na hora de apanharmos juntos…pois omissão paga preço e não adianta passar a culpa para o elo do lado de lá da corrente, se um elo parte a corrente toda quebra.

Agora o Brasil deu motivos? Crises em alimentos surgem e vão surgir cada vez mais.  Tempos atrás foram os orgânicos, a vaca louca e a carne de cavalo na Europa, foi o leite na China, fala-se da gripe aviaria como nova ameaça…

Ou seja, não podemos mais tratar o alimento sem ser pela ótica ética e da saúde. Alimento é prevenção e o que entra pela boca representa nossa qualidade de vida.

Dessa forma, para não nos transformarmos em tomadores de pílulas e concentrados, e podermos saborear alimentos como são na natureza, precisaremos de novos arranjos logísticos, novos empreendedores locais, de mais conhecimento científico e tecnológico para aproximar a produção de carne e leite, por exemplo dos pólos de consumo, com métodos como o Compost Barn, por exemplo…

E muito mais vigilância, monitoramento e gestão das cadeias produtivas, da semente até a mente do cliente…

Empreendedorismo e  cooperativismo, sem esquecer da educação ética.

Na crise da carne fraca, temos uma grande oportunidade para corrigir as fraquezas da carne…A humana.

O que aprendemos com a crise

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O que podemos aprender com a crise da carne fraca…

Primeiro que a fraqueza da carne, a humana, precisa de muito mais monitoramento.

Nas  agroindústrias de um porte global, há uma desconexão dentre o que sabe e pensa um corpo de acionistas, ou os responsáveis pela gestão de suas marcas, com aquilo que pode ocorrer na ponta final de suas relações, com fornecedores e consumidores.

Por isso, compliance, que significa regras firmes estabelecidas sobre o que pode ou não pode fazer, estão cada vez mais na moda, e significam para os escritórios de advocacia, uma das maiores fontes de negócios hoje em dia… E prova que falta preparo para a gestão das crises.

Você não tem mais o direito de perguntar se vai haver crise, precisa sim, apenas desconfiar de quando haverá crise, pois ela esta sempre pronta para existir …

E também, recebo muitas manifestações de entidades, reclamando que foi dada uma dimensão muito maior do que a realidade dos fatos sanitários, o que eu concordo… Esse caso é muito mais de corrupção, de gente que já está presa, do que danos sanitários de fato…

Mas não adianta reclamar. Hoje qualquer fagulha, centelha, fricção de um fósforo cria um incêndio de gigantescas proporções… Temos uma sociedade mediática e imediática, todos conectados, e já concebemos uma grande nebulosa sobre o que é verdade, mentira. E como disse um dia Washington Olivetto num genial comercial, ” Você pode falar sé mentiras dizendo apenas verdade.” Tudo depende de como você conecta os fatos…

Então verdade 1: não temos crise sanitária nos alimentos brasileiros legalizados de forma alguma. E verdade 2: tivemos um belo caso de corrupção e afastamento da ética na operação carne fraca…

E agora sobra o preço disso para toda a sociedade brasileira… E os adversários vibram na arquibancada…

Urgente, a crise da carne exige um próprio porta-voz

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Aconteceu. O fiscal agropecuário federal Gouvea, insatisfeito com o que acontecia no seu trabalho, delatou e entregou um esquema para a polícia. O sindicato dos auditores e fiscais agropecuários já se pronunciou como tendo sido, também, responsável por essa entrega!

Outros segmentos da carne se manifestam. E as próprias empresas mencionadas publicam seus manifestos. O Ministro Blairo Maggi fala do soco na nossa imagem. Enfim, o que fica evidente nesta inesperada e mega surpreendente crise que o agronegócio e o Brasil não precisavam é a ausência de governança e de gestão da cadeia produtiva. Aliás, o conceito filosófico da gênese do agribusiness em Harvard nos anos 50, professores Ray Goldberg e John Davis.

O que precisamos urgente é de um porta-voz da crise. Um fundamental comitê de gestão da crise. E que todas as informações e o verdadeiro tamanho e dimensão do real problema fiquem limitados ao seu espaço, e não amplificados pela comunicação ou pela manipulação de interesses predadores ou detratores dos interesses do país. A competição global vai tirar imenso proveito do fato, os consumidores da carne brasileira levaram uma chifrada de desconfiança. O que era sadio ficou com percepção de insalubre. Enfim, realidade continua sendo aquilo que é percebido. A arte da venda continua sendo a de criar percepções futuras e entregá-las ligadas por um fio umbilical que jamais pode ser desligado do sonho de não ser sonho e sim, realidade. E como Raul Seixas disse: “sonho que se sonha junto é realidade, sonho que se sonha só é só sonho”. Eu só mudaria o final: é só ilusão.

A cadeia produtiva inteira da proteína animal levou uma veemente pancada. Impossível negar. E nesse curral caímos todos. O antes, o dentro e o pós-porteira das fazendas. Como separamos o joio do trigo?  Como separamos plantas e empresas éticas e corretas nas quais a menção a ilegalidade não é permitida em nenhum bastidor, de outras em que o “foggy business”, o nebuloso é admitido, desde que utilizando faróis de neblina? Como separamos a categoria dos produtores rurais envolvidos com ciência, tecnologia, bem-estar animal, integração lavoura, pecuária e floresta, sustentabilidade, o boi verde e práticas íntegras em aves, suínos, que entregam produtos dentro das mais elevadas exigências globais, de outros “meia boca”? Pelo menos cooperativas não estão no “rol” desse rolo.

Talvez seja impossível separar essa mistura que uma vez misturada, turve o copo, assim como uma gota de mercúrio cromo numa taça de água cristalina, o manche inevitavelmente!

Mas, crises existem, sempre existirão e esta é somente mais uma. Aprender com ela, enfrentar de frente e saber gerenciar esta crise, pode significar um extraordinário salto na orquestração e liderança do agronegócio brasileiro da proteína animal, que come e consome o outro agro, o vegetal, e que nos tem trazido riquezas para o país e abastecimento seguro para o cidadão brasileiro.

Mas, a hora agora é a de termos um comitê interdisciplinar e reunindo todos os elos da cadeia produtiva (menos aquela que já esta na cadeia, na outra, na da lei), e criarmos uma central de reunião e integração dos dados e dos fatos. E, sim, um ser humano, um porta-voz ou uma porta-voz que tenha credibilidade e independência para poder significar um símbolo de ética e de respeito, no mar das lamas nacionais, feridas expostas a céu aberto da corrupção e fraqueza de caráter. Das carnes fracas, precisamos ver surgir as carnes fortes elevadas com a alma legítima da evolução.

Podemos fazer e podemos sair dessa crise fortes e muito melhores do que antes. Assim espero e assim o Brasil pode e deve agir. Qual Brasil? O nosso país, o nosso Brasil, claro. Meu, seu e de gente que, aos trancos e barrancos, o tem construído, lutado e vencido. Cooperação dos bons. A hora é agora. Presidente Temer mande imediatamente constituir um comitê de gerenciamento da crise, e mande eleger um porta-voz. Eu, recomendaria “uma porta voz”.

20 de março de 2017 as 14:31

A boiada chora

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Hoje o Brasil e a mídia internacional acordaram nos alertando para mais um escândalo de corrupção, desprezo à ética, crime contra o país, contra os consumidores e os produtores rurais que entregam seus bois, e em grande parte, sob as mais altas exigências. Seja estas de qualidade do pasto, de meio ambiente e sustentabilidade, de bem estar animal… são elevadas exigências no dentro da porteira, mas em contrapartida, destruídos por parte dos frigoríficos, com podridão , mau caratismo e crime… São criminosos numa conjunção de técnicos, executivos, fiscais e até dirigentes de Sindicatos do Frio.

Jogaram no lixo o Sistema de Inspeção Federal. Onde está e onde foi parar o SIF? E agora, como se fala de confiança, como se restabelece a confiança?

Essas pessoas fazem um mal para o Brasil, para a nação  e o povo brasileiro. O Brasil como um dos maiores exportadores de carne sofrerá consequências gigantescas dessa canalhice. Mais uma nessa lavanderia geral de nefastos…

O agronegócio nacional não precisava disso. E era o que faltava…dirigentes, fiscais, executivos, uma parte da cadeia da carne. Agora quem diria.., na própria cadeia! Que insensatez…que burrice…

Vamos tocar o berrante seu moço… a boiada chora…

17 de março de 2017 as 16:45

As 3 grandes diferenças

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Agrotóxicos, defensivos, agroquímicos… Tem muita coisa atrasada aqui no Brasil, muita confusão, e o primeiro vilão é a legislação.

Na semana passada tivemos a 12ª reunião da Comissão Especial de Defensivos  Fitossanitários da Câmara Federal, a presidência foi da Deputada Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, e estiveram presentes técnicos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália.

A Dra Anita Gutierrez, do Ceagesp, esteva presente e nos relatou a síntese de três grandes e enormes diferenças na legislação daqueles países com o Brasil.

1a. No Brasil, apenas os fabricantes de defensivos podem solicitar o registro para os mesmos. Isso envolve altas taxas e custos, são testes exigidos nos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde e, além disso, demora de três a oito anos para obtenção do registro. Essa legislação ultrapassada afasta muitas empresas médias e pequenas internacionais de atuação no mercado nacional, e prejudica substancialmente os setores de hortifruticultura.

E como é lá nos Estados Unidos, Canadá e Austrália? Lá, o agricultor é o principal demandante do registro.  O governo toma conta e a demora é de 24 meses para um novo ingrediente ativo. Na Austrália tem um app nos celulares que os agricultores solicitam registros e obtém respostas em ate 8 meses…veloz e eficaz.

2ª Nos Estados Unidos, Canadá e Austrália o registro é feito por ingrediente ativo (i.a.), o que aumenta o número de empresas e diminui o custo. Ao contrário, aqui no Brasil é pela marca comercial, ou seja, marca a marca, para o mesmo ingrediente ativo…coisa burra.

3ª  Nesses países existem os Comitês de Defesa e Promoção do Produto Agrícola que fazem estudos e orientam cada categoria de produto agrícola.

Resumindo, lá fora eles são empreendedores mesmo, e com cooperativismo. Aqui não somos e existe ainda a burocracia  e “demorologia”. Tudo demora e fica caro, sem contar  o prejuízo para quem planta e para quem consome.

Está na hora de copiar o que é moderno, o que funciona e está sendo praticado nos Estados Unidos, Austrália e Canadá. Agrotóxico é coisa séria demais para não mudar imediatamente a Legislação.

 

16 de março de 2017 as 9:00

A Embrapa comprova

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Fala, fala, fala de meio ambiente e quem não tem dados e não estuda o assunto, com a precisão dos sistemas internacionais, fica achando que são os produtores rurais os vilões do ar, florestas e da vida na terra…

Mas ao contrário, e muito ao contrário, a Embrapa Monitoramento por Satélite divulgou agora dados que revertem a falsa visão de quem é vilão na história da preservação do meio ambiente.

Estudadas mais de 450 mil propriedades rurais no Rio Grande Sul, a conclusão comparada ao Estado inteiro do Rio Grande foi a seguinte, o Rio Grande do Sul tem 13% de sua área preservada. Mas, na área rural, avaliadas mais de 450 mil propriedades, o percentual da preservação sobe para 21%.

E os dados informam também, que os produtores agropecuários preservam 13% mais do que as áreas indígenas e unidades de conservação no Estado.

Ou seja, vamos constatando com racionalidade dos fatos, dos satélites, do big data, o óbvio… Produtores, donos de suas terras, as querem como patrimônio e como bens na sucessão para seus filhos e famílias. Seriam os últimos – e ainda sob controles e acordos de vendas, que obrigam toda cadeia produtiva agir com sustentabilidade – a agir como vilões do meio ambiente…

Belo trabalho esse da Embrapa Monitoramento, do Diretor Evaristo Miranda. Meus parabéns!

O que não é agronegócio e o que falta no marketing da carne

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Cuidado! Agronegócio não significa a tradução literal de agribusiness (negócios agrícolas ou negócios agropecuários). Agronegócio é muito mais do que isso.

John Davis e Ray Goldberg (1957) definiram agribusiness como: “o conjunto de todas as operações e transações envolvidas desde a fabricação dos insumos agropecuários, das operações de produção nas unidades agropecuárias, até o processamento e distribuição e consumo dos produtos agropecuários ‘in natura’ ou industrializados”.

Quando eles conceberam e visualizaram na Universidade Harvard que não havia mais possibilidade de êxito nessa atividade sem a gestão e coordenação de cadeias (desde a concepção da genética, passando pela produção agropecuária propriamente dita; indo à frente na agroindústria, serviços, varejo e na percepção de consumidores finais), decretaram a morte de elos independentes dessa corrente. Isso no período do pós guerra.

Ney Bittencourt de Araújo, então presidente da empresa Agroceres Sementes, se apaixonou pela visão sistêmica dessa gestão. Então, no início dos anos 80, estudou, e com ele, carregou outros brasileiros.

Dez anos após, no início dos anos 90, foi criada a Associação Brasileira de Agronegócio – ABAG. E o que conseguimos até hoje? Alguns avanços em algumas cadeias, mas ainda distantes de uma gestão de precisão de cadeias produtivas, do começo ao fim, ou do fim ao começo.

Exemplos como o milho, permanentes na desconexão entre um ano que há escassez e preços exorbitantes, e no ano seguinte há sobra com o preço lá embaixo. E nessa gangorra da insensatez, um elo da corrente ganha em um ano no outro sofre, e assim vão aos trancos e barrancos.

Leite, café, tomates, citros, trigo, etc., sem falar na grave distorção do desperdício de alimentos. A causa? Ausência de uma orquestração de cadeias produtivas. De quem é a culpa? Do governo, na opinião de alguns… Triste utopia. A culpa deve ser olhada exclusivamente por um novo olhar protagonista, o de liderar e dialogar com cada elo dessa corrente e contratar metas, compromissos e seguranças básicas para seus agentes.

“Me dê um exemplo, Tejon?”, pedem as pessoas nas conferências. E eu respondo: “É preciso reconhecer a cadeia do tabaco”. A Souza Cruz, maior produtora de cigarros brasileira, possui 24 mil produtores familiares e tem um show de gestão e de precisão dos elos de suas correntes. “Ah, mas cigarro é um item nocivo”. Não quero falar disso, mas sim da possibilidade de gerenciar cadeias produtivas.

Se o tabaco faz, por que não fazemos em outras consideradas “saudáveis”? Muito bem. Então, agronegócio é muito mais do que “negócios agropecuários”.

E o que falta no marketing da carne, por exemplo? Interpretar o vácuo e as lacunas perceptuais dos cidadãos, dos consumidores e dos jovens que vem por ai. Carne não é animal, não é rastreabilidade, não é apenas bem estar de bois, suínos e frangos para serem elegantemente abatidos, ou vacas de leite descartáveis “com amor”.

Tenho uma banda de rock com jovens, onde represento apenas um pequeno papel de “dinossauro”. Somos em cinco. Dentre nós, temos dois veganos, dois vegetarianos (que fazem algumas concessões ao “light”) e eu, que continuo adorando um delicioso T Bone à Peter Luger no Dinho’s Place.

Não há o que faça pra mudar esse preconceito dos jovens roqueiros. Ao prestar atenção nas campanhas internacionais bem feitas, principalmente da bovina, e ao comparar com as nossas, gritei: “Eureka!”. Nós paramos de falar sobre saúde. Meus pais diziam: “Um bifinho todo dia, fundamental pra você crescer e ter saúde, filho…”.

A carne, proteína animal, estava associada com saúde. Períodos onde até a Danone lançando seu Danoninho com o slogan: ” Um Danoninho vale um bifinho!”.

O setor se esqueceu da saúde. Não promovemos a saúde, promovemos o prazer, a estética, a qualidade da produção, a sustentabilidade, o bem star animal, a confiança, a certificação, o não ter hormônios… Mas, não educamos os consumidores para a saúde.

Falamos da saúde animal, não associamos com a saúde humana, como se isso fosse parte automática do cenário.

Muitas pessoas dizem ter pena dos animais, e repetem assim como Paul McCartney: “Se quiser ver alguém parar de comer carne, leve-o num matadouro”. Essa ingenuidade guarda uma causa que precisa fazer parte urgente do marketing da carne no Brasil e no mundo.

Parar de comer carne não significa bondade com os animais e nem a ideia de que não terá sangue nas suas bocas, sem contar com todos os demais sub produtos farmacêuticos e vitais para a vida humana. Carne significa saúde humana. Se abandonarmos a educação via propaganda educativa, além das visões egoístas exclusivas do market share das marcas, estaremos vendendo confiança de produção, segurança de um ótimo produto, mas que as pessoas tendem a achar que no fundo, não fazem bem para a sua saúde. “Matam e me matam? Será?”

Saudabilidade é o termo. A ênfase vital para o marketing da carne. E, se alguém quiser me ajudar a convencer meus jovens veganos da nossa Rock4All, venha dia 14 de abril no Tonton Jazz, em Moema, São Paulo. Juro que lhes passo a palavra.

Saúde na cabeça e agronegócio de verdade. Nada de novo, apenas pra não esquecer.

10 de março de 2017 as 13:37

Mulheres, grandes Mulheres!

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Estamos na semana internacional das mulheres e ontem foi o dia mundial deste reconhecimento.

No agronegócio, a mulher tem o reconhecimento de ter sido a criadora da agricultura, e tem a Deusa Ceres como seu símbolo… Trabalhei muitos anos na Agroceres e reverenciamos essa paixão pela semente, a mãe da terra…

Mas como um fato marcante no Brasil, tivemos no ano passado o 1º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio. Com cerca de 700 mulheres de 20 Estados brasileiros participando. Neste 2017, para o 2º, a previsão é a de termos o dobro da presença feminina.

O tema é suficientemente envolvente para alavancar e motivar essa importante força inovadora nas fundamentais mudanças que o agronegócio brasileiro precisa, Liderança Globalizada, Empreendedora e Integrada.

Significa dizer que não há saída e nem futuro para o agronegócio se não atuarmos com uma sólida visão de relações e interconexões planetárias, fora de uma busca decisiva pelas competências empreendedoras, e da mesma forma da integração. E integração representa assumir definitivamente o cooperativismo como a alma do agronegócio, e a gestão de precisão das suas cadeias produtivas.

O exemplo do antagonismo entre produtores de café e a indústria processadora de café no Brasil, recente e em andamento, representa apenas mais um dentre centenas de exemplos dessa desconexão.

Que as mulheres brasileiras do agronegócio venham então para um salto estratégico dentro do agronegócio – Com governança pela sociedade civil organizada das cadeias produtivas, ou como brilhantemente a Dra Anita Gutierrez, do Ceagesp de São Paulo, sempre tem proposto, com Comissões Setoriais de todos os produtos do agronegócio.

Feliz Semana Internacional das Mulheres, e vamos ao Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio!

Mais informações: www.mulheresdoagro.com.br ou facebook.com/mulheresdoagro

“Ovos” do ofício

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Direto da França, a coisa anda cada vez mais complicada para a classe política, e não falo agora do Brasil. Estamos participando do encontro  sobre Agrobusiness em Nantes, na França, e acompanhando o Salão de Agricultura de Paris onde devem circular quase 1 milhão de pessoas e tem de tudo, da comida regional ate a alta tecnologia de produção. Um show urbano agro rural.

Mas os políticos andam levando ovo na cabeça, ali pelo salão de agricultura, todos os candidatos vão em busca de votos. O problema é que o ânimo dos produtores, fazendeiros franceses  não anda nada bom, reclamam de preços, do embargos da Rússia, dos custos que sobem, e eles não ganham nada pra pagar as contas dos competidores mundiais, e clamam por mais proteção e subsídios. Os críticos dizem que a França está se tornando uma agropecuária inviável, muita reclamação e muita acomodação, mas isso é assunto interno francês…

Engraçada foi a cena de um dos candidatos com chances de vitória, Emmanuel Macron, foi Ministro de Economia do governo Hollandes no ano passado, e estava fazendo campanha no Salão da Agricultura de Paris. Lá ele  levou uma ovada na testa, e a cena está registrada nas redes sociais mundiais. Ao sair da confusão, os repórteres perguntaram como ele se sentia, e o mesmo disse que isso se tratava dos ossos do ofício….Poderíamos mudar a frase e dizer que sim, que se trata dos ovos do ofício…

Dos três candidatos, nenhum agrada os produtores rurais da França, que de fato, parecem mesmo mandar no país, fazem manifestações cotidianas e influenciam muitos nos votos. Lê pen a direita, macron ao centro e fillon a esquerda…

Sacos de farinha na cabeça, ataque com ovos… se a moda pega o agribusiness além de alimentar o povo vai fornecer armas não letais interessantes para as manifestações. O nobre e valoroso ovo, que um dia já foi considerado ruim para a saúde, foi recentemente resgatado como muito saudável para a saúde e que agora surge na mídia mundial como um simbolo do desagrado para carimbar a galera política.

Brasília se prepare. A produção brasileira de ovos vai bem, e os políticos que se cuidem…. Insatisfação global com políticos do mundo todo do Salão de Agricultura de Paris ovo na cabeça do candidato macron…

O futuro do alimento

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Direto da França no Master em Agribusiness e Food Management, o debate intenso ocorreu sobre a seguinte questão…

Para 2050 previsões apontam que poderemos chegar a ter na terra até 10 bilhões de pessoas, então precisaríamos praticamente dobrar a produção de alimentos. O que significaria enfrentar uma escassez de terras agricultáveis, uma gigantesca pressão por produtividade, logística e distribuição de um volume que passaria dos cerca de 2.5 bilhões de toneladas para mais de 4 bilhões de grãos, sem contar vegetais, frutas, carnes, biocombustíveis, fibras e toda a sustentabilidade envolvida.

Mas aí surge uma questão interessante, será que o problema do mundo de alimentação exige mais volume de soja, milho, trigo, arroz, feijão, carnes ou exigira cada vez mais, menos volume e muito mais nutrição para cada quilo ou cada grama produzida?

Se melhorarmos a nutrição dos solos atuais, das plantas, com a ciência dos geneticistas no gene design, dos micro nutrientes, se as plantas industriais do processamento de alimentos, extraírem  cada vez mais nutrição do mesmo grão originado no campo, de cada parte da proteína animal, se além disso tudo, suplementações  nutricionais atuarem, e com analise sensorial e a neurociência encontrarmos um melhor equilíbrio entre prazer, satisfação e saúde com muito menos volume e mais nutrientes num prato, e isso ainda associado a uma luta contra o desperdício de alimentos que vive na casa de 1/3 da comida produzida indo pro lixo.

Será então que o futuro do alimento não virá da redução dos volumes e aumento exponencial na sua qualidade nutricional?

A soja do amanhã produzirá a mesma quantidade de proteínas da soja de hoje por tonelada? O café do amanhã já bem espremidinho e trabalhado no expresso, não será transformado cada vez mais numa ótima essência com menos grãos por bebida? E assim por diante para as frutas, hortaliças, etanol e tudo mais?

No debate aqui na França ficou um ponto de interrogação sobre o futuro dos alimentos.

Será uma conta aritmética simples, logo volumes e volumes produzidos, ou a conta será uma  exponencial no aproveitamento dos nutrientes? Será menos área para a agropecuária, mas com uma hiper intensidade de qualidade nutricional?

Aqui debatemos o amanhã, a educação alimentar, a guerra contra o desperdício e a ciência agregando muito mais nutrientes por quilo produzido e processado. Sem contar ainda a agropecuária local, como produção de carne em pequenas áreas com bem estar animal nos modelos compost barn.

Esse futuro do alimento será muito mais biofortificado do que imaginamos hoje, gene design  e neurocientífico…