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Temer veta duas MPs e responde a Gisele Bündchen

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Em conversa com Roberto Rodrigues, nosso ex-ministro da agricultura, ele comentou emocionado com a homenagem que a maravilhosa atriz francesa Catherine Deneuve fez no final do ano passado ao receber o magno Prêmio da Arte Teatral, o Molière, na França.

 

Ela dedicou o prêmio aos agricultores franceses. Então, comentamos o quanto os agricultores são amados e valorizados na Europa inteira, não apenas na França.

 

Na semana passada, vindo de Portugal, pude ver ali as iniciativas para promover o retorno de jovens ao campo com estímulos oficiais para isso.

 

Mas, ao olharmos a agricultura europeia e norte-americana, o que constatamos, acima de tudo, e dessa paixão do povo por quem produz no campo, está o seguro rural, generalizado e para todos.

 

A existência do seguro rural contra os imprevistos costumeiros do campo, como clima, preços, (no Brasil, pragas e doenças), o seguro promove a liberdade e a independência dos produtores, além de beneficiar toda a cadeia produtiva, os insumos, as máquinas, os bancos, a agroindústria e o aumento a segurança alimentar para o cidadão, o consumidor final.

 

 

Agora, o Presidente Temer foi para a Rússia e para a Noruega, mas antes de partir, mandou dizer para nossa belíssima Gisele Bündchen e para a ONG WWF – World Wide Fund for Nature que vetou duas Medidas Provisórias (MP) 756 e 758 que altera os limites da Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no município de Novo Progresso, no Pará, que supostamente serviria às explorações indevidas, pois foi transformada de área preservada em área de proteção ambiental.

 

Em resposta, Temer twittou para Gisele: “Vetei hoje integralmente todos os itens das MPs que diminuíam a área preservada da Amazônia”.

Não sou contra, o meio ambiente irá prevalecer… mesmo com os Estados Unidos saindo do acordo de Paris, e mesmo com os países ricos onde todos os produtores rurais já desmataram tudo o que podiam desmatar, não tendo mais o que desmatar.

 

Por que o Presidente Temer não acrescentou no seu Twitter a seguinte mensagem:

 

“Sim encantadora e maior top model do planeta, nossa brasileira Gisele Bündchen, peço sua ajuda, da mesma forma. Por favor, pode dizer ao mundo que os produtores rurais brasileiros são hoje os maiores protetores de matas nativas e de reservas florestais do mundo, conforme constatado e informado internacionalmente pela Embrapa e monitoramento por satélite”

 

 

20,5% das áreas rurais são preservadas, mais do que 13,1% das unidades de conservação e mais do que 13,8% da vegetação nativa em terras indígenas. A nossa mãe terra no Brasil está muito mais bela do que em todos os outros cantos do planeta.

 

 

Catherine Deneuve ofereceu o seu Molière aos produtores franceses, Gisele Bündchen poderia também fazer algo pelos nossos 5 milhões de produtores e suas famílias, não os confundindo com o terrível nome de ‘desmatadores’.

 

Viva a Catherine Deneuve e a beleza de Gisele Bündchen, mas o Presidente Temer perdeu grande chance de twittar muito melhor do que twittou.

 

No encontro da Bela com a Fera, deu Bela.

Código florestal de verdade é a lei do consumidor.

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Essa história toda do código florestal pra ca e código florestal prá la, vive atrás do legitimo código : a lei do consumidor. Agronegócio é uma cadeia que inicia na ciencia e na pesquisa, passa pelos insumos , máquinas, é materializada no campo – pelo produtor; e dai segue para o processamento, distribuição, varejo e consumo. A lei que funciona é a lei decidida pelos consumidores. O cidadão, cada vez mais interconectado e globalizado. E, contra essa lei, cuja ciência e arte de estudo chamamos de ” marketing “, não há contestação. Mesmo quando a legislação entra querendo mandar no desejo dos consumidores, o que consegue é uma coisa só : contrabando, ilegalidade, falsificações, clandestinidade. Exemplos ? cigarros baratos contrabandeados; sementes geneticamente modificadas plantadas fora da lei, e que depois terminam por criar royalties prejudicando os agricultores, pós legalização etc.

Agora,  o Ministério Público mandou uma ordem às 20 maiores redes supermercadistas do país, que tem 10 dias para explicar onde andam comprando carne, se de  áreas desmatadas ilegalmente; e o que tem feito para contribuir na redução dos danos ambientais causados pela originação dos seus fornecedores.

Esse gasta tempo politizado e ideológico deveria ser consumido numa orquestração das cadeias produtivas, em função daquilo que a ciencia já nos assegura, como qualidade e segurança alimentar; em função do conhecimento tecnológico dos sensores de medição, e nas ações práticas para nos anteciparmos ao óbvio : o desejo dos consumidores a respeito dos beneficios e das virtudes dos distintos alimentos. E, a classe dos produtores rurais em si, o que precisa é ampliar consideravelmente a sua capacitação para negociar com os demais elos da cadeia produtiva, os investimentos e o ” timing ” das mudanças. Caso contrário, a tendencia será pagar a conta sozinha. Enquanto isso os embates do código florestal servem para bravatas e o rugir de obsoletos cavaleiros andantes, de ambas as partes ; e que serão atropelados pela inevitabilidade do ” mundo real “.

Terras devolutas, que labuta !

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E a questão das terras devolutas no Brasil ? Uma mega confusão. Retornamos aos tempos das capitanias hereditárias, modelo falido, onde poderiamos dizer que as unicas terras devolutas seriam aquelas, e que a grande parte do Brasil era terra de ninguém. Consultando juristas encontramos definições como ” Devolutas são terras desocupadas, sem dono ” ( Clovis Bevilacqua ) . Outro advogado acrescenta : ” terras desocupadas, sem dono e não possuidas ” ( Teixeira de Freitas ). O Juiz Federal Dirley da Cunha conclui : ” … devolutas são terras públicas, indetermináveis ou determináveis – sem nenhuma utilização pública específica e que não se encontram, por qualquer título – integradas ao dominio privado. As terras devolutas pertencem, desde a constituição de 1891 art. 64 – aos estados membros; excetuando-se as indispensáveis à defesa das fronteiras, fortificações e construções militares, das vias de comunicação federais e à preservação ambiental, que são de propriedade da União.  O só fato de inexistir o registro da terra nao caracteriza a existencia de terras devolutas, devendo o poder público provar sua existência e propriedade. ”

 A questão curiosa é que temos claramente dois agronegócios no Brasil. Um legalista, sob controle, rastreabilidade e com todo o peso da lei, incluindo o novo código florestal. Quer dizer um agronegócio que está no radar da fiscalização, por existir e estar documentado. Esse agronegócio é o que gera o crescimento do PIB e não permitiu que o Brasil crescesse negativamente em 2011. Muito bem, e a  ” muvuca ” da questão de terras devolutas ? Dados inconsistentes, nada controlados, ausencia de registro e de cadastro, onde alguns apontam para a existencia de cerca de 100 milhões de ha no Brasil de terras devolutas. Com grande concentração na Amazonia. Num pais com mais de 851 milhões de ha, a conta das terras devolutas é praticamente o dobro do que é utilizado para realizar toda a produção vegetal do Brasil.  E agora ? como é a questão legal ? E onde está esse Agronegócio duvidoso, nebuloso e que não aparece nos radares de ninguém ? Como é o problema do preço da terra agricultável crescente, num mundo com carencia cada vez maior de terras agricultáveis ? Olhamos para o visivel e nos satisfazemos por muito tempo com ele. Enquanto isso, um movimento atua na invisibilidade e não o detectamos, até que esbarramos na ponta dos seus espinhos. Onde está o maior problema ambiental brasileiro ? Nos fazendeiros legalizados e que produzem dentro da lei, ou na escuridão mansa da ilegalidade devoluta ?? Qual é a situação das acusações de uma industria de legalização de terras ? de onde vem o crime verdadeiro no agronegócio, o corte de madeira ilegal, a grilagem, os assassinatos…?

Einstein disse : ” existem numeros que são contados e que contam, outros numeros que são contados e não contam…. e , principalmente, numeros que não são contados e que muito contam. “  Na questão das terras, legalização, uso e posse, o que não é contado parece contar muito mais do que aquilo que é contado.

Fiasco na OMC, agora vale o protecionismo.

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Quase nenhuma atenção no evento da OMC, nos ultimos dias na cidade de Genebra. Falsas promessas de mercados abertos, e a realidade é que a recessão determinou o fim da era dos acordos.  Pascal Lamy, o diretor geral da OMC disse ” para 2012, há poucos sinais de otimismo. O clima é ruim e vivemos tempos dificeis, com a pressão protecionista aumentando “. Até o famoso ALCA, que objetivava a integração do continente americano, teve seu escritório no Mèxico, em Puebla,  fechado. O que sobra mesmo é a dura realidade. O Brasil tem na sua base de crescimento o agronegócio e mineração.  O clima seco na America do Sul, faz com que os preços de soja, milho e trigo aumentem. Se não fosse o agronegócio brasileiro, estaríamos já amargando crescimento zero ou abaixo de zero no PIB do país. No agronegócio somos o Barcelona, e agora em 2012 vem o grande desafio para implantar as decisões do novo código florestal. E, na Aprosoja que continuem as ótimas gestões, com a saida do Glauber e a entrada do Carlos Fávaro. Entidades representativas das categorias dos produtores são fatores controláveis vitais, no jogo cada vez mais complexo dos mercados.

19 de dezembro de 2011 as 19:41

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Código florestal : Falta inserir toda a cadeia do agronegócio na questão.

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Vejo que a discussão do código florestal mira e coloca na ” mosca ” do alvo fundamentalmente a classe dos produtores rurais. Um erro de dimensionamento grave. Agronegócio é 20% agricultura, 10% insumos e máquinas , e 70% pós porteira das fazendas como transporte, logistica, processamento, industrialização, atacado, varejo, e serviços da alimentação e energia, até o consumidor final. Ao vermos modernas ferramentas e estudos da gestão avançada da sustentabilidade no agronegócio, já disponiveis no Brasil, revelarem que o agricultor em si, não responde por mais de 20% do impacto sobre a sustentabilidade de toda a cadeia do agribusiness, fica claro que essa conversa está atirando num coelho , enquanto as manadas de Mamutes ficam invisíveis. Nieztche, o filósofo,  disse que a única  coisa invencivel no mundo é a ignorãncia.  Claro, produtores rurais tem sua parte nesse ” sustentabilibusiness “, mas cuidado a conta toda está sendo endereçada para o elo mais fraco da corrente. Atenção lideranças, chamem os outros aliados para a mesa das negociações, e administrem seus egos. Sem agricultura e pecuária não tem agronegócio, mas o  resto do agronegocio representa cerca de 80% desse nobre macro segmento. Assim ja dizia o saudoso Ney Bittencourt, pai do conceito aqui no Brasil : ” tem que olhar e administrar a cadeia inteira, sempre, inteira..”

30 de agosto de 2011 as 23:09