Professor da Federal de Lavras -MG descarta safra cheia para o café em 2018 e explica quais lavouras requerem investimentos

Publicado em 03/10/2017 12:25
Confira a entrevista com José Donizete Alves - Prof. Univ. Fed. de Lavras - MG
Condições variadas dos cafeeiros exigem manejos específicos após chuvas dos últimos dias. Entenda qual é o seu caso

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Após um longo período de estiagem, as plantas de café sofreram os efeitos do tempo seco e das altas temperaturas nas principais regiões produtoras do Brasil. Agora, com a volta das chuvas, fica a dúvida do que poderá ocorrer nos próximos meses.

José Donizete Alves, fisiologista e professor da UFLA, destaca que a chegada das chuvas foi muito bem-vinda. Entretanto, a resposta da lavoura vai depender do seu estado vegetativo. Ele divide essas lavouras em três tipos, cada um com suas particularidades e indicações.

O primeiro tipo de lavoura é aquela que possui um nível de desfolha grande, em torno de 50% a 70%. Para estas, a melhor ação é realizar a poda. Isso porque um novo enfolhamento ocorreria apenas a partir de 15 de outubro. Essas folhas se tornariam adultas 30 dias depois, em meados de novembro, quando concorreriam com a frutificação, o embotoamento e a floração. Essa concorrência poderia levar praticamente a zero o nível de pegamento dessa florada que está começando. Para Alves, "não compensa investir nesse tipo de lavoura para ter uma planta debilitada por mais um ano".

No segundo caso, estão aquelas lavouras que são bem enfolhadas, mas que suas folhas estão murchas e com um nível grande de escaldadura. Neste caso, as lavouras devem, a partir de 10 de outubro, se recuperar e produzir carboidratos para garantir o pegamento da florada, que está garantido pelo grande número de folhas que o produtor possui na lavoura. Contudo, essas lavouras ainda continuam com 20% de desfolha, o que pode comprometer o pegamento. Com isso, recomenda-se um cuidado especial com a adubação, o controle de mato e o controle de pragas e doenças neste exato momento. "Neste tipo de lavoura vale investir para garantir esse pegamento", salienta. "Se as chuvas permanecerem em quantidade e qualidade vamos ter uma boa recuperação desse estresse que veio até então, mas a queda na produção não será revertida".

A terceira situação se dá nas lavouras irrigadas ou que foram podadas no ano passado. Com as temperaturas altas, o déficit hídrico estressou as plantas mesmo assim, já que elas transpiravam mais do que absorveram água do solo.

O professor acredita que é impossível que o Brasil tenha uma superssafra de 60 milhões de sacas. Ele lembra que aquela primeira florada que ocorreu no mês de setembro, que representou cerca de 20%, está praticamente perdida. No conjunto, isso também deve levar a um decréscimo na produção. Até o momento, ele estima uma produção de 54 milhões de sacas para 2018, que ainda está sujeita a um longo período no qual o clima pode afetar de diversas maneiras.

A partir do que visualiza Alves, apenas 20% da florada irá se transformar em fruto a ser colhido no próximo ano. O grande desafio do cafeicultor brasileiro, neste momento, é fazer com que essas perdas sejam minimizadas, mantendo a lavoura bem nutrida e livre de pragas e doenças.

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Por:
Aleksander Horta e Izadora Pimenta
Fonte:
Noticias Agrícolas

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