Dólar sobe ante real com exterior e temor reforçado de guerra comercial

Por Claudia Violante
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em alta ante o real nesta quarta-feira, com maior temor sobre risco de guerra comercial global após o principal assessor econômico da administração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixar o cargo.
Às 10:07, o dólar avançava 0,58 por cento, a 3,2292 reais na venda, depois de recuar 1,36 por cento nos três últimos pregões. O dólar futuro tinha alta de cerca de 0,60 por cento.
"A saída de Gary Cohn... é um sinal preocupante, pois ele, democrata e ex-banqueiro da Goldman Sachs, era um mínimo sinal de razão em meio à loucura do governo Trump", trouxe a gestora Infinity em relatório.
Gary Cohn, banqueiro de Wall Street que se tornou personagem fundamental da reforma tributária dos Estados Unidos em 2017 e uma das bases contra forças protecionistas no governo de Donald Trump, renunciou na véspera.
A renúncia ocorreu depois que Trump disse que vai impor altas tarifas sobre importações de aço e alumínio, medida protecionista que atingirá os aliados próximos Canadá e México. A promessa de Trump de impor tarifas já havia aumentado a especulação de que Cohn poderia deixar a Casa Branca devido à sua oposição a essa política.
Na véspera, em meio à repercussão negativa da medida inclusive entre os Republicanos, partido de Trump, o mercado chegou a avaliar que a taxação seria retórica para conseguir uma negociação mais favorável aos Estados Unidos no acordo sobre o Nafta.
"O mercado tinha melhorado claramente ontem com a possibilidade de o governo Trump rever sua política em relação ao aço. Mas ficou claro que ele não vai rever essa posição, no que depender dele, reafirmando intenção protecionista", disse o economista da corretora Nova Futura, Pedro Paulo Silveira.
Nesta manhã, a União Europeia informou estar pronta para reagir às tarifas sobre o aço e alumínio, enquanto que os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos expressaram preocupações tanto comerciais quanto sistêmicas e disseram temer ações retaliatórias, afirmou um porta-voz da Organização Mundial de Comércio (OMC).
No exterior, o dólar rondava a estabilidade ante uma cesta de moedas e perto da mínima de 14 meses ante o iene. A moeda norte-americana subia ante as moedas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano e o rand sul-africano.
O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção para o mercado cambial nesta quarta-feira, por enquanto. Em abril, vencem 9,029 bilhões de dólares em swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.
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