Com dois navios já atacados neste domingo, risco sistêmico no Estreito de Ormuz ameaça agronegócio global

Publicado em 01/03/2026 14:31 e atualizado em 01/03/2026 15:09
Ao menos 250 embarcações ancoraram ao longo do Golfo, à espera de maior clareza sobre as condições

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"O estreito de Ormuz foi fechado pelo Irã". Esta é uma das manchetes que  mais tem repercutido desde que começaram os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, culminando, inclusive, na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Embora não haja bloqueio formal do estreito, o ambiente operacional tornou-se significativamente mais arriscado, sendo essa uma das mais importantes rotas marítimas do comércio global. Afinal, as ameaças do governo do Irã são bastante severas e claras: os navios que as desafiarem serão atacados. E foi isso que aconteceu com duas embarcações neste domingo (1). Um petroleiro foi atacado na costa de Omã e outro nas proximidades do litoral dos Emirados Árabes Unidos.

Navio em chamas na costa de Omã
Navio em chamas na costa de Omã - Foto: Reprodução/X-@visegrad24

Além disso, estima-se que ao menos 250 embarcações tenham lançado âncoras ao longo do Golfo, à espera de maior clareza sobre as condições de segurança. Até aqui, o que também já se tem conhecimento é de que os impactos já começam a ser sentidos nas cadeias logísticas globais. A Maersk, uma das maiores empresas de transporte marítimo do mundo, anunciou a suspensão temporária de remessas que cruzariam o estreito. 

 

Do mesmo modo, na noite deste sábado, já havia a notícia de que seguradoras especializadas em risco de guerra enviaram notificações de cancelamento ou revisão de apólices para embarcações que operam na área, encarecendo ou inviabilizando novas travessias. Os valores dos seguros estão disparados.

"Se a guerra perdurar e o Estreito de Ormuz permanecer bloqueado, estaremos diante de um potencial evento de risco sistêmico para o mercado energético global", afirma o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal.

Neste domingo, o Irã confirmou o ataque ao petroleiro na costa de Omã "por este ter desobedecido às ordens de não cruzar o estreito de Ormuz". De acordo com a Guarda Revolucionária Iraniana, "Nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz até nova determinação". 

Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz

Em seu perfil no X, os especialistas do Logística & Infraestrutura lembraram que "se o Irã fosse fazer um bloqueio, por exemplo, com minagem, ele sufocaria a própria economia, cujos navios continuam operando nestes dois dias". Mais do que isso, acreditam que toda esta especulação possa estar conectada de uma tentativa de manipulação nos preços do petróleo. 


Embora muito do que já foi noticiado ainda esteja no campo da especulação, o petróleo Brent no mercado de balcão, ainda como explica Leal, já vem sendo negociado com alta próxima de 10%, refletindo um novo prêmio geopolítico de risco. Bancos e consultorias internacionais alertam que com a continuidade das tensões e de sua escalada poderão levar os preços do brent a alcançarem e possivelmente superar os US$ 100,00 por barril. 

O Estreito de Ormuz concentra uma parcela significativa do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito, além de outros produtos. Qualquer perturbação, mesmo que parcial, pode provocar um choque imediato de oferta, com efeitos diretos sobre preços, custos de frete e seguros. A reprecificação do risco geopolítico tende a se espalhar para outros ativos, ampliando a volatilidade em câmbio e juros, sobretudo em economias emergentes altamente dependentes de energia importada.

Analistas destacam que, diferentemente de crises anteriores, o atual impasse combina risco militar, insegurança jurídica e desorganização logística simultaneamente. A paralisação preventiva de navios e a retirada de cobertura securitária criam um gargalo que pode persistir mesmo na ausência de um bloqueio oficial.

A depender da evolução diplomática nas próximas semanas, o Estreito de Ormuz pode deixar de ser apenas um ponto sensível no mapa energético para se tornar o epicentro de um novo pico de volatilidade internacional.

Assim, as noites do domingo (1) e o início da segunda-feira (2) serão determinantes para que os players se posicionem e para que fique claro os primeiros direcionamentos não só do mercado de petróleo, mas em todos os que este também poderá refletir. "Historicamente, o mercado tende a precificar inicialmente um cenário extremo (overshooting), ajustando posteriormente conforme a visibilidade operacional aumenta", explica Gilberto Leal.

O impacto se transmitiria por três vias principais, ainda como explica o especialista: energia direta, com combustíveis mais caros impactando índices de inflação; fretes e seguros marítimos, com elevação de custos logísticos globais; e efeitos secundários, com pressão sobre alimentos, transporte e serviços. Se a disrupção for prolongada, há risco de desancoragem das expectativas inflacionárias, afetando bancos centrais.

Assim, a situação pode afetar os preços dos insumos agrícolas, como fertilizantes e combustíveis, impactando a produção e os custos do agronegócio. A expectativa é que o mercado continue volátil, com os investidores acompanhando de perto as notícias e os dados que possam influenciar os preços.

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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