Procafé: Chuva de granizo e Pseudomona, a combinação indesejável para o cafeeiro
A combinação entre a ocorrência de chuva de granizo e o ataque de Pseudomonas aumenta os danos sobre os cafeeiros atingidos por esses problemas.
A chuva de granizo ou chuva de pedra é um fenômeno climático adverso, que resulta na precipitação de pequenas pedras de gelo, as quais impactam as diferentes partes dos cafeeiros - a folhagem, os ramos e os frutos - promovendo dilacerações e a derrubada dos mesmos.
Os prejuízos causados, pela queda de granizo sobre os cafeeiros, além dos danos mecânicos provocados nas plantas, facilitam o ataque da bactéria Pseudomonas, a qual aproveita os ferimentos, na folhagem e nos ramos, como porta de entrada nos tecidos.
A ocorrência de granizo está ligada a tempestades e o ataque de Pseudomonas, causadora da mancha aureolada, se dá, logo em seguida, nas regiões de clima mais frio, em altitudes mais elevadas.
Como a chuva de granizo, na maioria das vezes, vem associada a ventos, é frequente um lado dos cafeeiros receber maior impacto das pedras de gelo, enquanto o outro lado fica bem menos atingido.
O fato do ataque de Pseudomonas ocorrer rapidamente leva à necessidade de, também, fazer a proteção dos cafeeiros logo em seguida à chuva de granizo. Essa proteção pode ser feita com a aplicação de produtos fungicidas à base de cobre, os quais são, também, bactericidas. Podem ser usados, ainda, produtos à base de Kasugamicina e o superfosfato, este por conter flúor (bactericida) e pelo fato do fósforo aumentar a resistência das plantas. Na ocorrência simultânea de Phoma e Colletotrrichum, também favorecidos pelos ferimentos de granizo, podem ser associados fungicidas específicos pra esses fungos. A proteção contra ventos, com renques de vegetação, arbustiva ou arbórea, reduz a disseminação da Pseudomonas.
Observações recentes, em campo, mostram que os ferimentos do granizo, na ramagem, dão origem a um super-brotamento das plantas.
Finalmente, é importante ressaltar que já estão disponíveis materiais genéticos de café com boa tolerância ao ataque de Pseudomonas, os quais podem ser implantados nas áreas de maior altitude e batidas por ventos, portanto mais sujeitas à ocorrência de mancha aureolada. Destacam-se, nesse particular, a cultivar Arara que é bastante tolerante, nela a doença se restringindo ao ataque de poucas folhas, sem atingir a ramagem, o próprio Icatu 3282, a cultivar IBC 12 ou IAC 125 e o Geisha, atualmente em cultivo para cafés especiais. A cultivar IPR 102 também tem boa resistência e a cultivar Japy, tem se mostrado, em campo, mais tolerante a essa doença.



J.B. Matiello – Eng Agr Fundação Procafé e J.R. Dias, Lucas Franco e Hernane de Souza- Engs Agrs - Fdas Sertãozinho
0 comentário
Café perde força no fim do pregão e fecha no vermelho após mercado virar com melhora no clima
Cafeicultura movimenta mais de R$ 3 bilhões em defensivos na safra 2025-26, com alta de 22% e recorde histórico
Fórum Café e Clima debate impactos das condições meteorológicas na área da Cooxupé
Café abre a terça-feira(21) com arábica em alta e robusta próximo da estabilidade
Café fecha em alta nas bolsas com mercado ainda sustentado por atraso da safra brasileira
Colheita de café supera metade do previsto na área de atuação da Expocacer