Com estoque e produtividade subestimados, oferta de soja nos EUA estaria 6 mi/t acima do projetado atualmente
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Entrevista com Marcos Araújo - Analista da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja
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Os preços da soja fecharam a sessão desta terça-feira (14) em campo positivo na Bolsa de Chicago, recuperando parte das perdas intensas da sessão anterior. Os futuros da oleaginosa terminaram o dia com ganhos de 2,25 a 5,75 pontos nos principais contratos, levando o agosto a US$ 8,82 e o novembro a US$ 8,77 por bushel.
O mercado passou apenas, segundo o analista de mercado Marcos Araújo, apenas uma recomposição das cotações, porém, sem espaço para consolidar novas e duradouras altas. Como explica Araújo, os traders deverão se deparar, nos próximos meses com um aumento da nova safra americana - dado um aumento de produtividade - e de estoques finais maiores do que os atualmente estimados para os EUA.
"Toda e qualquer alta que houver agora em Chicago vai servir de estímulo para venda futura para o produtor norte-americano", diz Araújo, citando que este poderia ser mais um fator de pressão para as cotações.
Além da falta de uma ameaça climática à nova safra americana e mais estoques altos - o que, nas contas da Agrinvest Commodities resultaria em 135 milhões de toneladas entre colheita 2020/21 e estoques de passagem - há ainda pouca demanda por toda esta soja.
Araújo explica que a China está bem abastecida pela soja brasileira e que precisaria ainda comprar nos EUA, entre outubro e janeiro, cerca de 20 a 25 milhões de toneladas, volume que não causaria grandes impactos ao andamento dos preços neste momento. "As compras ainda estão lentas porque toda essa oferta nos EUA seria uma garantia para a China comprar da mão para a boca e garantir seu suprimento", diz. "As exportações americanas estão muito fracas".
Assim, para que um movimento positivo para os preços da soja pudesse ser mais consistente em Chicago seria necessário um 'enxugamento' mais forte da oferta no cenário norte-americano.
PREÇOS NO BRASIL
Já no Brasil, os preços seguem bastante firmes e tendem a se manter sustentados, principalmente, pelos prêmios fortes, que se mantêm acima dos 100 centavos de dólar nas principais posições de entrega.
Araújo explica que, mesmo com esses prêmios, a soja brasileira se mantém competitiva, principalmente para a indústria esmagadora da China. "Quem tem soja está capitalizado. É artigo de luxo", diz o analista da Agrinvest.
O dólar, por sua vez, é um fator que não dispensa monitoramento diário. Há grande volatilidade esperada daqui em diante e até mesmo uma tendência de queda da moeda americana no médio e longo prazos, ainda como explica Marcos Araújo. Nesta terça-feira, a divisa encerrou os negócios valendo R$ 5,35, com baixa de 0,74%.
E nesta terça, a maior parte das praças de comercialização finalizaram o dia com estabilidade em suas referências, salvo por alguma exceções, como Panambi, no Rio Grande do Sul, onde o preço subiu 2,68% para R$ 115,00 por saca, ou São Gabriel do Oeste, Mato Grosso do Sul, com R$ 107,00 e alta de 0,94%.
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