Dólar volta a subir contra real apesar de alívio momentâneo de dados dos EUA; mercado digere Copom

O dólar voltava a engatar alta contra o real na manhã desta quinta-feira, mesmo depois que dados norte-americanos melhores do que o esperado ajudaram a ofuscar momentaneamente temores em relação à disseminação global da Covid-19 e às eleições nos Estados Unidos.
Enquanto isso, no Brasil, os investidores digeriam a manutenção da taxa Selic em sua mínima histórica de 2% ao ano, bem como as sinalizações do comunicado de política monetária do Copom, divulgado na véspera.
Às 10:44, o dólar avançava 0,34%, a 5,7829 reais na venda. A divisa chegou a tocar a marca de 5,7916 reais na máxima da sessão.
O contrato mais líquido de dólar futuro subia 0,56%, a 5,780 reais.
Houve algum alívio no movimento da moeda norte-americana depois da notícia de que o Produto Interno Bruto dos Estados Unidos disparou 33,1% no terceiro trimestre, resultado acima da previsão de ganho de 31,0% em pesquisa da Reuters. Esse foi o ritmo mais forte desde que o governo iniciou os registros, em 1947, e seguiu-se a uma contração recorde de 31,4% no segundo trimestre.
Além disso, dados separados desta quinta-feira mostraram que 751 mil norte-americanos entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego na semana passada. Apesar de continuar em um patamar elevado e sinalizar dificuldades para o mercado de trabalho dos EUA, a leitura veio a abaixo da previsão da Reuters de 775 solicitações.
Logo após a divulgação dos dados, o dólar foi à mínima da sessão, de 5,7580.
No entanto, o cenário de forte disseminação da Covid-19 em grandes economias -- com alguns dos principais países europeus a caminho de impor novas restrições economicamente prejudiciais -- continuava no radar dos investidores, que já operavam com os nervos à flor da pele a poucos dias das eleições presidenciais norte-americanas.
A proximidade da data da acirrada disputa entre o atual presidente, Donald Trump, e seu adversário democrata, Joe Biden, significa mais um obstáculo para as negociações de novos estímulos fiscais na maior economia do mundo, que provavelmente só serão implementados depois que os norte-americanos forem às urnas.
"Um dos fatores para a alta do dólar é a segunda onda de coronavírus na Europa, que afeta não apenas o mercado de dólar, mas o mercado geral, bem como a economia de vários países", disse à Reuters Mauriciano Cavalcante, diretor de câmbio da Ourominas. "Temos também a questão do estímulo do governo norte-americano, que conta com a falta de acordo no Congresso", o que eleva a busca por segurança e seca a oferta de dólares no mercado, completou.
Enquanto isso, no Brasil, os investidores digeriam a notícia de que o Banco Central manteve na quarta-feira a Selic na mínima histórica de 2% ao ano, conforme ampla expectativa do mercado, deixando a porta aberta para eventual corte nos juros básicos à frente.
Parte dos agentes do mercado esperava um endurecimento na postura da autarquia após a escalada dos temores fiscais desde a última reunião do Comitê de Política Monetária, em 16 e 17 de setembro. O BC, contudo, não fez nenhuma menção mais concreta ao tema.
"O BC ontem (...) optou por manter não somente o forward guidance de política monetária, ou seja, mantendo a perspectiva de não elevação dos juros por um período relativamente indeterminado, como manteve a porta aberta a possíveis cortes na taxa, apesar da brusca mudança de cenário recente", escreveu Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.
"O Banco Central (...) de certa maneira despreza no contexto geral a total incerteza de um cenário fiscal desafiador, que depende de uma conjunção política que se mostra igualmente desafiadora", completou.
Entre os principais riscos fiscais projetados pelos mercados, o que tem dominado as preocupações dos investidores é a possibilidade de que o governo fure o teto de gastos para financiar seu novo projeto de auxílio econômico, batizado de Renda Cidadã.
O dólar acumula alta de quase 44% contra o real em 2020.
Na véspera, o dólar spot teve alta de 1,42%, a 5,7633 reais, máxima de encerramento desde 15 de maio (5,8392).
O Banco Central fará nesta sessão leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em abril e agosto de 2021.
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