Dólar fecha em queda de 0,38%, a R$ 5,6166

Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda ante o real nesta terça-feira, mas ficou longe das mínimas intradiárias, com operadores reduzindo exposição na véspera de decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
O dólar à vista caiu 0,38%, a 5,6166 reais na venda, após variar entre 5,634 reais (-0,08%) e 5,5585 reais (-1,42%).
O câmbio no Brasil mostrou nesta sessão menos aderência aos mercados de moedas no exterior, com o foco dos agentes na magnitude do provável aumento de juros na quarta-feira e nos sinais que o Banco Central dará no comunicado.
"Nosso cenário-base conta com apreciação do real a partir daqui", disse Gabriel Santos, estrategista do Rabobank, citando a expectativa de elevação dos juros pelo BC, além de esperança de continuação da agenda fiscal. Santos prevê dólar de 5,15 reais ao fim deste ano e de 5,05 reais no término de 2022, além de aumento de 0,50 ponto percentual do juro na quarta-feira.
A moeda brasileira tem sofrido nos últimos anos com perda de apelo para operações de arbitragem com taxa de juros ("carry trade"), além de maior risco fiscal e baixo crescimento econômico no país.
Apenas em 2021, o real cai 7,5% ante o dólar, depois de recuar mais de 20% no ano passado.
Um profissional de um grande banco em São Paulo disse que parece haver uma "disposição" do BC de não ser tão "hawk" (duro com a inflação) no comunicado --algo, segundo ele, sinalizado pelas inesperadas intervenções no mercado cambial nos últimos dias, quando o Bacen vendeu dólares nos mercados à vista e de derivativos.
Para Sérgio Goldenstein, consultor independente da Ohmresearch Independent Insights, que não descarta chances de uma Selic até mais baixa do que o mercado espera para o fim do ano, o dólar não deverá romper os 6 reais, mas tampouco cairá abaixo de 5 reais em 2021.
"O início da correção na Selic ajuda na correção do câmbio, mas o câmbio depende de mais do que a Selic: depende do quadro fiscal, termos de troca, comportamento global do dólar, Treasuries, ambiente político", disse, afirmando que, na margem, o fiscal ficou mais delicado e o cenário externo se tornou menos favorável.
No exterior, o índice do dólar tinha variação positiva de 0,5%. Moedas de risco tinham viés de queda, com operadores no aguardo da decisão de política monetária do banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed).
Não se espera mudança na política monetária norte-americana. Com isso, a atenção se volta para a avaliação do Fed sobre a recente alta nos rendimentos dos títulos dos EUA, que balançou os mercados em todo o mundo.
0 comentário
Exportações para os EUA caem 25,5% em janeiro, aponta Monitor da Amcham
Minério de ferro recua com dados de vendas fracas de automóveis na China
Cerca de 90% a 95% dos produtos agrícolas indianos estão fora do acordo com EUA, diz ministro do Comércio da Índia
Dólar se reaproxima da estabilidade à espera de dados dos EUA
Serviços do Brasil têm queda inesperada em dezembro, mas crescem no ano pela 5ª vez seguida
Toffoli nega em nota já ter recebido "qualquer valor" de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master