Rabobank: Em um ano, café avançou 17% na Bolsa e cenário ainda é de incerteza na demanda

Segundo dados divulgados pelo Rabobank, os preços do café avançaram 17% na Bolsa de Nova York no último ano. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (22), em análise feita após um ano do início da pandemia. Em comparação com as demais commodities agrícolas, o café ficou avançou com menos intensidade, já que os números do Rabobank mostram alta de 45,1% durante o período para outras commodities.
"Mesmo assim, olhando para o mercado local, a depreciação do real brasileiro colaborou para que as cotações de café atingissem patamares recordes em março 2021, em média R$ 740/saca (60 quilos), 33% maior em relação a 12 meses", afirma o Rabobank.
O relatório afirma ainda que o principal fator para valorização do mercado, é justamente a oferta restrista do Brasil na safra 21 de café. Além da bienalidade, a principal região produtora do país enfrentou um intenso déficit hídrico e temperaturas elevadas no período de florada, impactando diretamente na produtividade da safra.
O Rabobank estima o atual ciclo em 56,2 milhões de sacas, sendo 36 milhões do tipo arábica. Isto representa uma queda de 26,5% em relação a 2020/21, para o arábica. Dependendo do desenvolvimento dos grãos, novas reduções não estão descartadas. Paralelamente, existe uma grande preocupação sobre a qualidade da safra devido à irregularidade das chuvas durante o ciclo.
Em relação à safra brasileira, a análise destaca que as últimas chuvas favoreceram o enchimento de grãos, assim como a recuperação das lavouras para o ciclo 2022/23. "O clima será um fator importante nas próximas semanas para a atual safra e pontencial produtivo da próxima", afirma.
Além de um cenário de redução de oferta, o Rabonk destaca que as incertezas em relação ao mercado seguem no radar do mercado. De acordo com a publicação, mesmo com um cenário promissor, com a ampliação das vacinações, as atuais restrições nas mais diversas regiões consumidoras devem limitar a demanda de café no primeiro semestre de 2021.
"Adicionalmente, o Brasil possui grandes estoques de café de sua última safra para abastecer o mercado, lembrando de suas recentes exportações e o aumento de sua participação nos estoques da ICE-NY. Esses fundamentos ainda devem limitar as cotações no curto prazo. Neste contexto de volatilidade, aumento da participação dos fundos não-comerciais e incertezas na demanda, o Rabobank projeta os preços de café em Nova Iorque acima de USD 1,15/lp (USD 1,25-1,40/lp)", conclui.
Em relação aos países concorrentes na produção, o banco destacou que no atual ciclo, Honduras e Vietnã vêm apresentando quedas acentuadas nas exportações em relação à 2019/20. "Em 2020/21, as colheitas no Vietnã e Honduras são estimadas em 28,8 e 6,2 milhões de sacas, respectivamente. Por outro lado, a safra colombiana parece progredir bem, e para a temporada 2020/21 são esperados 14,1 milhões de sacas", complementa.
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