Dólar tem queda acentuada contra real com Copom e fiscal no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar acelerava as perdas em relação ao real nesta terça-feira, com os participantes do mercado reagindo à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e digerindo as mudanças previstas na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios.
Às 14:10, o dólar recuava 1,04%, a 5,1914 reais na venda, após uma manhã marcada por volatilidade. A moeda oscilou entre 5,2640 na máxima e 5,1854 reais na mínima do pregão.
Na B3, o dólar futuro tinha queda de 0,60%, a 5,218 reais.
Fornecendo apoio ao real, a ata do Copom, divulgada mais cedo, indicou que apertos seguidos e sem interrupção nos juros básicos são necessários para levar a taxa Selic para patamar acima do neutro, para que assim as projeções de inflação fiquem na meta.
Dados desta terça-feira mostraram que a inflação oficial brasileira acelerou com força em julho e atingiu o nível mais alto para o mês em quase 20 anos ainda sob intensa pressão dos preços da energia elétrica, levando a taxa acumulada em 12 meses a encostar em 9%.
"As pressões inflacionárias altas e em disseminação, pressões intensas na inflação de custos e a perspectiva construtiva para a atividade durante o segundo semestre de 2021 e mais estímulo fiscal devem levar o Banco Central a continuar a normalizar a política monetária e, possivelmente, antecipar e acelerar o caminho até a neutralidade da política monetária", escreveu Alberto Ramos, do Goldman Sachs, em relatório.
Juros mais altos no Brasil tendem a elevar a atratividade do mercado de renda fixa local, intensificando a entrada de recursos estrangeiros e, consequentemente, elevando a oferta de dólares no país. Desta forma, a tendência é de desvalorização da moeda norte-americana.
Enquanto isso, no front fiscal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, afirmou nesta terça-feira que o Brasil como ente soberano tem capacidade de honrar o pagamento na íntegra dos precatórios, mas que o governo propôs uma PEC para parcelar essa conta para compatibilizar o crescimento "extraordinário" dessa despesa com a regra do teto de gastos.
O secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, disse que, sem a PEC, o governo será obrigado a pagar a conta de precatórios de 89,1 bilhões de reais em 2022, o que inviabilizaria várias despesas públicas.
Com a novela dos precatórios, que ressalta a fragilidade fiscal do país, salto da inflação e uma economia ainda em recuperação, "o cenário não é dos mais positivos internamente", explicou à Reuters Alexandre Netto, head de câmbio da Acqua-Vero Investimentos.
Descrevendo a desvalorização do dólar nesta terça-feira como um "alívio pontual" devido à ata do Copom, ele disse que a tendência é de que os ruídos fiscais e políticos ganhem cada vez mais força à medida que a corrida eleitoral se aproxima. Os brasileiros vão às urnas escolher um novo presidente em outubro de 2022.
Enquanto isso, no exterior, o índice do dólar continuava em patamares elevados. Recentemente, sinais de melhora no mercado de trabalho dos Estados Unidos elevaram as apostas de que o Federal Reserve vai reduzir seu programa de compra de títulos.
Na segunda-feira, essas expectativas foram alimentadas por comentários mais "hawkish", ou preocupados com a inflação, de duas autoridades do banco central norte-americano.
A reversão de estímulos e eventual elevação de juros nos EUA são vistas por muitos economistas como possível fator de impulso para o dólar, uma vez que elevariam o ingresso de recursos na maior economia do mundo.
O dólar negociado no mercado interbancário fechou o último pregão em alta de 0,22%, a 5,2460 reais na venda.
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