Desempenho do frango abatido em dezembro e no decorrer de 2021
Com certeza não é exagero afirmar que o frango abatido terminou 2021 pior do que começou. Pois, afinal, abriu o exercício com um valor médio quase 18% superior ao de um ano antes, enquanto no fechamento essa variação mal passou de 13%. Ou seja, cobriu no mês apenas a inflação oficial, pois a real foi muitíssimo superior.
Dezembro, esperava-se, deveria propiciar alguma recomposição em relação aos dois meses anteriores. Mas não. O processo descendente de preços iniciado em setembro (quando foi registrada a melhor cotação da história) prosseguiu quase ininterruptamente também no último mês do ano, fazendo com que o período fosse encerrado com um valor médio apenas 3% superior ao registrado no fechamento de 2020.
No decorrer do exercício, os três e meio primeiros meses foram marcados por uma estabilidade desesperadora, pois enquanto os custos básicos de produção acumulavam variação anual próxima de 55%, os preços recebidos sequer chegavam à metade disso.
O deslanche só começou por volta do 100º dia de 2021 (2º decêndio de abril), seguindo de forma praticamente contínua até, aproximadamente, meados de setembro, ocasião em que foi atingido – nominalmente – o pico de preços histórico do produto. Com isso, frente a uma variação anual de 25% no primeiro trimestre do ano, nos seis meses seguintes (abril a setembro) os preços obtidos ficaram, na média, 60% acima dos registrados em idêntico período anterior.
Infelizmente, boa parte desse ganho (que, na verdade, apenas recompôs custos) perdeu-se a partir de setembro e durante todo o trimestre final do ano. Nesse período (últimos 100 dias de 2021, aproximadamente) os preços registrados retrocederam perto de 30%, retornando aos níveis do mês de abril.
De toda forma, o melhor desempenho do semestre abril/setembro salvou os resultados do ano, pois, na média anual, o valor alcançado apresentou valorização de 40% em relação a 2020.
Notar, mesmo assim, em primeiro lugar, que parte desse resultado se deve ao fraquíssimo desempenho no primeiro semestre de 2020, período em que, devido à pandemia, o setor foi duramente prejudicado; e, segundo, que o “excepcional ganho” (40%!) mal acompanhou a evolução dos custos básicos de produção (ave viva), permanecendo insuficientes para cobrir os custos adicionais relativos às medidas de segurança, impostas ao setor com o advento da Covid-19.
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