Export/Cepea: Preço de exportação elevado garante mais um ano de faturamento recorde para o agronegócio
O desempenho do agronegócio brasileiro no comércio exterior em 2021 foi mais uma vez satisfatório, exercendo seu já esperado papel de destaque no mercado e de um importante gerador de divisas para o Brasil. Em 2021, ainda que o volume exportado pelo agronegócio brasileiro tenha recuado frente ao ano anterior, o faturamento com as vendas externas atingiu recorde. Isso foi possível devido ao alto preço pago em dólar pelos produtos embarcados pelo País.
Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que, de janeiro a dezembro de 2021, o volume exportado pelo agronegócio nacional caiu 8% em relação ao ano anterior. Já o faturamento superou os US$ 120 bilhões em 2021, aumento de 18% frente ao de 2020 e um recorde.
Segundo pesquisadores do Cepea, os valores em dólar de todos os principais produtos exportados pelo agronegócio brasileiro tiveram ganhos (nominais). No entanto, em moeda nacional, o desempenho do faturamento ficou inferior ao observado em 2020, em 4%, devido à valorização do Real e, sobretudo, à inflação brasileira (medida pelo Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna, IGP-DI).
Pesquisadores do Cepea ressaltam que o forte crescimento da demanda mundial por alimentos, aliada a uma oferta mais restrita em importantes países produtores, como o Brasil, levou à apreciação dos preços em dólar. O destaque foi o óleo de soja, que registrou expressiva valorização em dólar de 78%. Quanto à soja em grão e ao farelo, as altas nos preços em dólar foram de 30% e de 22,7%, respectivamente.
DESTINO – Desde 2013, a China é o principal destino das vendas externas do agronegócio brasileiro. Em 2021, as vendas ao país asiático representaram 34% do faturamento obtido pelo setor exportador, enquanto União Europeia e Estados Unidos somaram 15% e 7,5%, respectivamente.
PERSPECTIVAS – Para 2022, há projeção de crescimento para a economia brasileira de apenas 0,3% do PIB. Assim, mais do que o usual, os mercados do agronegócio devem se manter atrelados às exportações, com consequente aperto no abastecimento interno. Os preços externos dos alimentos, conforme projeções de órgãos internacionais, apontam para manutenção de patamares elevados, mas um pouco abaixo dos recordes de 2021, considerando-se não haver perdas significativas pelo clima adverso. No Brasil, apesar da estagnação econômica, como os preços do agronegócio são basicamente assentados sobre os valores internacionais, os alimentos e outros produtos do agro devem permanecer relativamente encarecidos.
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