Na ONU, EUA alertam que Rússia planeja invadir a Ucrânia "nos próximos dias"
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Por Michelle Nichols e Humeyra Pamuk
NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, expressou no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira as razões pelas quais Washington acredita que a Rússia pode invadir a Ucrânia, alertando que Moscou se prepara para tomar ações militares "nos próximos dias".
Blinken acusa a Rússia de planejar a fabricação de um pretexto para um ataque à Ucrânia que poderia ser "um ataque falso, ou até real, com armas químicas", e disse: "A Rússia pode descrever esse evento como uma limpeza étnica ou um genocídio".
"O governo russo pode anunciar hoje, sem qualificação, equívoco ou deflexão, que a Rússia não irá invadir a Ucrânia. Pode declarar com clareza. Declarar com simplicidade para o mundo, e depois demonstrá-lo enviando tropas, tanques e aviões de volta para os quartéis e hangares, e mandar os diplomatas para a mesa de negociação", afirmou Blinken.
Blinken fez uma aparição em uma reunião do conselho de 15 membros sobre os acordos de Minsk, que buscam encerrar um conflito de 8 anos entre o Exército ucraniano e os separatistas no leste do país apoiados pela Rússia.
A reunião acontece em meio ao aumento de tensões, depois que os Estados Unidos acusaram a Rússia de destacar 150 mil tropas nas regiões de fronteira com a Ucrânia nas últimas semanas. A Rússia diz que não tem planos de invadir a Ucrânia e acusa o Ocidente de histeria.
Blinken disse que as informações dos EUA indicam que as Forças russas "se preparam para lançar um ataque contra a Ucrânia nos próximos dias". Ele disse que pediu uma reunião ao ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, na semana que vem na Europa.
Falando antes de Blinken, o vice-ministro russo de Relações Exteriores Sergei Vershinin fez um apelo aos membros do Conselho para que não transformassem a reunião "em um circo" apresentando "acusações sem base e dizendo que a Rússia iria supostamente atacar a Ucrânia".
"Eu acho que já tivemos especulações demais sobre isso", disse Vershinin. "Há muito tempo esclarecemos e explicamos tudo."
Uma autoridade de alto escalão do governo norte-americano avisou na quinta-feira que a Rússia poderia usar a reunião do Conselho de Segurança como uma iniciativa para "estabelecer um pretexto para uma potencial invasão", após a Rússia distribuir um documento aos membros do conselho alegando que crimes de guerra haviam sido cometidos no sudeste da Ucrânia.
A autoridade norte-americana rejeitou as acusações russas como "categoricamente falsas".
Em referência à população de etnia russa que vive no leste da Ucrânia, Vershinin disse que eles ainda "são apresentados como estrangeiros em seu próprio país", e que são alvo do Exército ucraniano. Ele disse a membros do conselho que ficariam "horrorizados" com o documento compartilhado pela Rússia com eles.
Mais cedo na quinta-feira, separatistas apoiados pela Rússia e forças do governo ucraniano trocaram acusações sobre disparos de artilharia na linha de cessar-fogo na região de Donbass, no leste da Ucrânia, no que Kiev classificou como uma "aparente provocação".
(Reportagem de Michelle Nichols, Humeyra Pamuk, Daphne Psaledakis, Doina Chiacu)
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