Dólar sobe contra real antes de fim de semana prolongado; fiscal e política monetária dominam foco
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar subia contra o real nesta quinta-feira, último dia de negociações antes do fim de semana prolongado por feriado, o que deve conter o apetite dos investidores por risco ao longo da sessão.
Além de citar a cautela antes do fechamento dos mercados na Sexta-Feira Santa, Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos, chamou a atenção para temores fiscais antes da apresentação do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2023, nesta quinta-feira, depois que o governo decidiu conceder um reajuste de 5% a todos os servidores públicos federais a partir de julho.
A medida do governo busca debelar paralisações que já afetam órgãos públicos e faz aceno ao funcionalismo público antes das eleições presidenciais deste ano.
O custo do reajuste anunciado está estimado em cerca de 6 bilhões de reais para os seis meses de vigência neste ano, quantia "bem superior aos 1,7 bilhões de reais que seriam usados para custear o aumento apenas da categoria de segurança pública" anunciado inicialmente pelo governo, apontou Beyruti.
Vários setores do funcionalismo --que está há dois anos sem reajuste-- têm se mobilizado por aumentos desde o início do ano, apesar do forte aperto nas contas do governo. No Banco Central, por exemplo, greve de servidores está afetando a divulgação de dados do boletim Focus ao IBC-Br.
O temor dos mercados é que o aumento das despesas afete ainda mais a credibilidade fiscal do Brasil, que foi abalada no final do ano passado com a alteração da regra do teto de gastos sob a PEC dos Precatórios.
No exterior, o ambiente também não estava muito favorável a moedas de países emergentes, com a política monetária dos principais bancos centrais do mundo em foco pouco depois do anúncio da decisão do mais recente encontro do Banco Central Europeu. A instituição manteve planos de reduzir lentamente seu estímulo, continuando bem mais suave em sua abordagem de combate à inflação que o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve.
Isso, por sua vez, derrubou o euro, enquanto o índice do dólar contra uma cesta de moedas forte registrava ganhos. A divisa norte-americana tende a se beneficiar de um endurecimento esperado na conduta do Fed, que deve aumentar os juros em 0,5 ponto percentual em sua reunião de política monetária de maio.
As moedas australiana, sul-africana, mexicana e chilena, cujo movimento o real tende a acompanhar, caíam nesta quinta-feira.
Às 10:14 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,80%, a 4,7257 reais na venda, a caminho de leve alta contra o fechamento da última sexta-feira, de 4,7118 reais, o que marcaria uma segunda valorização semanal seguida.
Mesmo assim, a moeda norte-americana ainda cai cerca de 15% no ano, com o real ostentando o melhor desempenho global no período.
Na B3, às 10:14 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,66%, a 4,7425 reais.
O dólar fechou a última sessão em alta de 0,25%, a 4,6882 reais.
(Edição de Camila Moreira)
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