Procafé indica que grãos verdes foram pegos por geadas em algumas áreas do Brasil
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SÃO PAULO (Reuters) – As baixas temperaturas que ocorreram na semana passada em algumas regiões cafeeiras do Brasil atingiram frutos de café verdes, com impacto na qualidade e no volume da produção, disse a Fundação Procafé em nota técnica nesta quarta-feira.
Segundo a fundação, as temperaturas baixas no ar foram capazes de causar queimas em frutos de café que se encontravam no estágio de verdes, mas não foram suficientemente baixas para provocar danos na folhagem.
O pesquisador José Braz Matiello, que integra o órgão de pesquisa, afirmou à Reuters que não é possível dimensionar ainda a extensão da área afetada com queimaduras nos grãos verdes.
Conforme relatos de meteorologistas, o frio da semana passada foi menos intenso do que o registrado no inverno de 2021, quando as lavouras de café foram afetadas em várias regiões e de forma mais severa.
Em maio de 2022, as ocorrências de geadas foram mais pontuais e em áreas de baixadas, segundo os meteorologistas.
Nas áreas em que o frio atingiu pés de cafés, os frutos maduros não foram afetados, “provavelmente devido à sua maior concentração de açúcares na casca”.
“Notou-se, no campo, que os frutos mais queimados se situavam na parte baixa das plantas, indicando que ali houve maior deposição do ar frio”, disse a Procafé.
“Os frutos verdes afetados ficaram com a casca de cor chumbo ou castanha escura e, em seguida, devem secar. Com a queima pelo frio, a película prateada, que envolve o grão, fica escura, dando origem, em sua maioria, a grãos com o defeito conhecido como preto verde ou verde geado, prejudicando tanto o rendimento como a bebida dos cafés”, explicou.
Segundo Matiello, o peso do grão e a qualidade ficam afetados porque, onde pegou a geada, o grão verde “morre”, “não cresce mais”.
“Isso representa um defeito (para o grão), vai piorar o tipo e a bebida”, disse ele.
Ele disse ter notícias do fenômeno no Paraná e no Cerrado de Minas Gerais, em municípios como Araguari, Patrocínio e Monte Carmelo, entre outros.
(Por Roberto Samora)
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