Ibovespa cai com exterior, mas fim da alta da Selic assegura alta na semana
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte queda nesta sexta-feira, afetado pela aversão a risco no exterior em razão de preocupações com o ritmo da economia global, que minou boa parte do avanço na semana marcada pelo fim de ciclo de alta da Selic.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,06%, a 111.716 pontos, mas ainda assim subiu 2,23% na semana. O volume financeiro nesta sexta-feira somou 31 bilhões de reais.
Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuou 1,72% com temores de recessão reativados após o Federal Reserve elevar juro em 0,75 ponto percentual na semana e sinalizar que as taxas seguirão elevadas em 2023 para controlar a inflação.
Números sobre a atividade empresarial nos EUA e Europa nesta sexta-feira corroboraram as preocupações com tamanho da desaceleração das economias.
Na visão de Rodrigo Jolig, diretor de investimentos da Alphatree Capital, os mercados estão convergindo para percepção de que a recessão nos EUA é inevitável para se combater a inflação.
E nesta sessão, acrescentou, os mercados ainda reagiram ao noticiário europeu, com um pacote fiscal no Reino Unido e preocupações sobre os seus potenciais desdobramentos, além do aumento da tensão no conflito entre Ucrânia e Rússia.
"É um cenário muito pessimista e muito desfavorável para os ativos de risco", afirmou.
A bolsa paulista conseguiu resistir em boa parte da semana ao viés negativo externo, dada a perspectiva de encerramento do aperto monetário pelo Banco Central - confirmado na quarta-feira - e revisões positivas sobre a economia brasileira.
Na visão de Werner Roger, gestor e sócio-fundador da Trígono Capital, a manutenção da Selic avalizou as compras na bolsa paulista na semana, mas há uma combinação de fundamentos favoráveis ao Brasil, que coloca o país como uma alternativa.
Entres os fatores, ele citou a tendência declinante para os juros, desaceleração da inflação e PIB surpreendendo para cima.
Até a véspera, o Ibovespa acumulava alta de mais de 4% na semana, enquanto o S&P 500 registrava uma perda de quase 3%.
Na ausência da trégua vendedora no exterior, no entanto, o pregão na B3 acabou sucumbindo, com investidores preferindo realizar lucros, também tendo no radar a proximidade do primeiro turno das eleições no Brasil, no dia 2 de outubro.
Pesquisas eleitorais têm mostrado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente nas intenções de votos, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PT).
O Bradesco BBI reiterou sua projeção de Ibovespa a 130 mil pontos no final do ano, afirmando que calcula uma chance de 70% de uma política fiscal sólida após a eleição presidencial no Brasil, o que seria benigno para as ações locais.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN despencou 6,26%, a 29,94 reais, pressionada pelo forte recuo do petróleo no exterior, com o Brent desabando 4,8%, diante do fortalecimento global do dólar e temores sobre demanda. No setor, PRIO ON perdeu 4,84% e 3R PETROLEUM ON cedeu 5,54%.
- EMBRAER ON recuou 7,46%, a 12,66 reais, afetada pelas preocupações com a desaceleração econômica global, que ainda minou outras ações do setor aéreo. AZUL PN fechou em baixa de 6,81% e GOL PN cedeu 6,44%.
- EQUATORIAL ENERGIA ON saltou 7,75%, a 26,97 reais, após fechar a compra da distribuidora de Goiás Celg-D, da Enel, pagando 1,58 bilhão de reais e assumindo dívida de 5,7 bilhões de reais. A Equatorial vê chance de aumentar Ebitda da Celg-D em revisão tarifária.
- VALE ON caiu 2,07%, a 68,57 reais, sucumbindo à aversão ao risco nos mercados, apesar da alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Dalian Commodity Exchange avançou 1,3%.
- ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 1,97%, a 28,30 reais, e BRADESCO PN recuou 1,95%, a 20,10 reais, também afetados pelo movimento vendedor, após uma semana positiva na bolsa paulista. Até a véspera, Itaú acumulava elevação de 8,2% e Bradesco avançava 7,7% na semana.
- FLEURY ON subiu 3,69%, a 18,27 reais, em dia de poucas altas do Ibovespa. Analistas do Bank of America elevaram a recomendação das ações para "compra", de "underperform", bem como o preço-alvo, de 18 para 23 reais.
- ZAMP ON, que não está no Ibovespa, encerrou com declínio de 7,55%, a 6,73 reais, após o Mubadala cancelar a oferta pública de aquisição de ações (OPA) que lhe daria o controle da operadora brasileira de fast-food.
(Por Paula Arend Laier)
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