CTC diz que aprovação de cana transgênica pela China vai acelerar adoção no Brasil
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Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) – A aprovação pela China de duas variedades de cana-de-açúcar transgênica desenvolvidas no Brasil vai acelerar a adoção da tecnologia no país, uma vez que o gigante asiático é o maior importador global de açúcar, disse nesta terça-feira o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), à Reuters.
O Ministério da Agricultura da China anunciou na última sexta-feira autorizações para importações de produtos agrícolas transgênicos, contemplando as duas variedades de cana geneticamente modificada, a CTC20Bt e a CTC9001Bt, ambas desenvolvidas pelo CTC, com tecnologia 100% brasileira.
As duas canas Bt, as primeiras canas transgênicas em comercialização no mundo, são resistentes ao inseto conhecido como broca. O uso dessa tecnologia, segundo o CTC, proporciona ganhos aos canaviais brasileiros por contribuir com o controle da praga que traz prejuízos anuais de 5 bilhões de reais.
“A adoção da cana Bt vem crescendo no Brasil porque proporciona o controle da broca da cana de forma eficiente e sustentável. A aprovação desta variedade pela China, que reconhece a sua segurança em um mercado importante, vai acelerar a sua adoção”, afirmou o CTC, que já havia conseguido algumas autorizações da tecnologias em outros mercados.
A China aprovou na semana passada a importação de oito safras geneticamente modificadas, incluindo o produto da cana brasileira, além da alfafa transgênica pela primeira vez. Mas Pequim ainda não autorizou cultivos transgênicos no país, já que adota uma abordagem cautelosa em relação a essa tecnologia.
O CTC informou à Reuters anteriormente que a área plantada com cana transgênica no Brasil praticamente dobrou na temporada 2022/23, somando 70 mil hectares.
A área é pequena perto do total de canaviais no país, que somam cerca de 8,3 milhões de hectares no Brasil, uma vez produtores ainda se dedicavam mais em multiplicar a cana transgênica, enquanto não tinham aprovação do maior importador de açúcar.
“Tivemos um aumento expressivo na área plantada e quase toda voltada para multiplicação dos campos. Apenas uma pequena fração foi processada até agora”, disse a diretora de Assuntos Regulatórios e Governamentais do CTC, Silvia Yokoyama.
Segundo a empresa, a pequena fração de cana transgênica processada foi direcionada para produção de etanol para distribuição local, o que evita preocupações de consumidores de açúcar.
Yokoyama notou que o processo de aprovação na China é “extremamente rigoroso, porque a China é muito cautelosa em relação a organismos geneticamente modificados”.
Mas ela destacou que a empresa conseguiu aprovar suas canas Bt em menos de quatro anos, prazo relativamente curto se comparado ao de outros produtos transgênicos avaliados pelo Ministério da Agricultura chinês.
“Encaminhamos todos os documentos e análises, atendendo a todas as exigências dentro dos prazos e trabalhamos em parceria com os governos e setor produtivo”, afirmou.
O CTC investiu cerca de 1 bilhão de reais nos últimos anos no Programa de Biotecnologia para disponibilizar a seus cientistas laboratórios de última geração e um banco de dados com informações estratégicas sobre variedades de cana, solo, clima e produtividade de várias regiões do país.
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