Dólar à vista cai por quarta sessão consecutiva com investidores aproveitando diferencial de juros
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SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em baixa ante o real nesta quarta-feira pela quarta sessão consecutiva, com participantes do mercado aproveitando o clima ameno no exterior e o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos para vender a moeda norte-americana, enquanto aguardam a definição do novo arcabouço fiscal.
Nos últimos dias, a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) não acelere a alta de juros, aliada à visão de que no Brasil o Banco Central manterá a Selic em 13,75% ao ano no curto prazo, vem trazendo um viés de baixa para o dólar ante o real.
Com juros elevados no Brasil e não tão altos nos EUA, o diferencial de taxas tem favorecido a entrada de investimentos estrangeiros, conforme profissionais ouvidos pela Reuters.
Assim, o dólar à vista fechou a quarta-feira cotado a 5,1355 reais na venda, em queda de 0,58%. Nas quatro últimas sessões, a moeda norte-americana acumulou baixa de 2,92%.
Na B3, às 17:40 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,67%, a 5,1355 reais.
O dólar se manteve em baixa ante o real durante a maior parte da sessão, com investidores aproveitando o diferencial de juros para fazer negócios.
O diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, citou a calmaria no exterior, em meio à percepção de que a crise bancária arrefeceu, e a Selic elevada no Brasil como fatores baixistas para o dólar nesta quarta-feira.
“O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) foi 'hawkish' e isso é bom para o real subir”, comentou.
Na semana passada, o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano e, em um comunicado considerado duro (hawkish), deixou pouco espaço para cortes da taxa básica no curto prazo.
Operador ouvido pela Reuters citou ainda a expectativa em torno do novo arcabouço fiscal, cujas discussões seguem nesta quarta-feira em Brasília.
Durante a tarde, as taxas dos contratos futuros de juros aceleraram os ganhos, em meio a receios de que o arcabouço não traga mecanismos para contenção de gastos. As preocupações com o arcabouço chegaram a colocar o dólar no território positivo ante o real perto das 15h20, mas a moeda norte-americana não sustentou os ganhos, retornando ao terreno negativo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros ministros no Palácio do Alvorada durante a tarde para tratar do arcabouço, e a expectativa era que ele apresentaria a nova regra a lideranças do Congresso ainda nesta quarta.
No exterior, o dólar registrava leves ganhos ante uma cesta de moedas no fim da tarde.
Às 17:40 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,17%, a 102,660.
Pela manhã, o Banco Central vendeu 13.700 contratos, do total de 16.000 contratos de swap cambial tradicional, ofertados na rolagem dos vencimentos de maio.
(Fabrício de Castro)
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