Taxas futuras de juros caem com S&P, dados de serviços no Brasil e alta de rendimentos dos Treasuries
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - Um conjunto de fatores contribuiu para um novo dia de queda, ainda que limitada, das taxas dos contratos futuros de juros nesta quinta-feira, entre eles a melhora da perspectiva de crédito do Brasil, a divulgação de dados fracos do setor de serviços brasileiro e a baixa dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
No início do dia, o mercado de DIs (Depósitos Interfinanceiros) reagia à elevação da perspectiva de crédito do Brasil pela agência S&P, de “estável” para “positiva”. O anúncio, no fim da tarde de quarta-feira, ainda trazia um viés negativo para as taxas futuras de juros.
O exterior trouxe mais um fator baixista. O Federal Reserve informou que a produção manufatureira subiu 0,1% em maio, ante 0,9% em abril. A produção caiu 0,3% na comparação anual em maio. Já os pedidos de auxílio-desemprego ficaram em 262 mil na semana encerrada em 10 de junho, em dados com ajuste sazonal, conforme o Departamento do Trabalho. Economistas previam menos pedidos (249 mil).
Os números reforçaram a confiança dos investidores de que os juros não subirão tanto, apesar de o Fed ter sinalizado a possibilidade de mais duas altas até o fim do ano. Em reação, os rendimentos dos Treasuries, que vinham subindo, passaram para o território negativo, o que também reforçou a queda dos juros futuros no Brasil.
Um terceiro fator para o recuo das taxas futuras foi a queda de 1,6% do volume de serviços em abril, em relação ao mês anterior, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Estes fatores levaram a um aumento das apostas de que o Banco Central vai antecipar o corte de juros no Brasil para a reunião de agosto. Inclusive, se olharmos a precificação da curva a termo, o mercado já está se posicionando para um corte entre 25 e 50 pontos-base da Selic”, comentou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.
De fato, durante a tarde a precificação chegou a apontar uma possibilidade pequena de corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic, atualmente em 13,75% ao ano, em agosto. Perto do fechamento, porém, estavam precificados 96% de chance de corte de 0,25 ponto em agosto e 4% de manutenção.
Também à tarde, mais um fator concorreu para o viés baixista dos juros futuros. A Petrobras anunciou redução de 4,3% no preço médio de venda de gasolina para as distribuidoras, para 2,66 reais por litro, antes de aumentos previstos da tributação que devem se refletir nos preços neste e no próximo mês.
Na prática, a medida ajuda a segurar a inflação, o que também eleva a expectativa de início do ciclo de cortes da Selic.
Neste cenário, no fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 13,005%, ante 13,045% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 11,1%, ante 11,129% do ajuste anterior. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2026 estava em 10,51%, ante 10,529% do ajuste anterior, e a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,565%, ante 10,619%.
Nos EUA, os rendimentos dos Treasuries se mantinham em queda no fim da tarde.
Às 16:38 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 8,30 pontos-base, a 3,7146%.
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