CNA e Diplomatas da Agricultura do Brasil debatem Cadastro Ambiental Rural
A CNA realizou um encontro com membros de embaixadas estrangeiras, que fazem parte do grupo Diplomatas da Agricultura do Brasil (DAB), na quinta (29), para debater sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o seu papel no cumprimento do Código Florestal Brasileiro (Lei 12.651/2012).
O segundo encontro do ano foi realizado na sede da Confederação, em Brasília, e contou com a presença de representantes que atuam com temas relacionados ao agro nas embaixadas da África do Sul, Argentina, Austrália, Bélgica, Chile, Colômbia, El Salvador, EUA, França, Itália, Malawi, Nova Zelândia, Portugal e União Europeia.
A diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, fez a abertura do evento, que teve como palestrante o coordenador de Sustentabilidade da CNA, Nelson Ananias. Ele falou sobre o que é o CAR, como funciona, e a importância da sustentabilidade na produção de alimentos.
Em sua apresentação, Nelson destacou que o mundo está de olho no Brasil por ser o segundo país com a maior área de florestas do mundo. A vegetação nativa corresponde a 66,3% do território nacional e 33% desse total está dentro das propriedades rurais. Mesmo o país batendo recordes de produção, a agricultura ocupa apenas 7,8% de área.
“O agro brasileiro teve um salto nos últimos anos com o uso intensivo de tecnologia. Em 47 anos, a produção cresceu 560% e a produtividade (tonelada por hectare) 220%, e a área 106%. Para produzir o mesmo que hoje, com a tecnologia de 47 anos atrás, teríamos que expandir 188 milhões de hectares. Isso mostra que a nossa produção cresceu de forma vertical”.
Ananias afirmou que o Brasil possui o maior potencial produtivo para garantir a segurança alimentar, produzindo alimentos para o país e para o mundo e que os produtores rurais estão cientes da responsabilidade com a sustentabilidade e cumprimento das normas do Código Florestal, que trouxe conceitos importantes, como a Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL) e a maior iniciativa de cadastramento de florestas e ocupação do solo do mundo: o CAR.
“Antes de falar do Cadastro Ambiental Rural, é importante lembrar que o Código Florestal não é algo opcional ou adicional, ele é obrigatório. A legislação passou por uma reforma em 2012 para conciliar a produção e a preservação da vegetação nativa no país. Portanto, não estamos prometendo preservar 80% de reserva legal na Amazônia e 20% no Cerrado e demais biomas, isso já é realidade”, disse.
Nelson explicou que o CAR é um registro público obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais para controle, monitoramento do uso do solo na propriedade privada, promovendo políticas públicas e transparência para o cumprimento dos compromissos ambientais nacionais e internacionais, a exemplo do combate ao desmatamento.
“Através do CAR é possível saber qual o tamanho de uma APP ou reserva legal dentro de uma propriedade e se existe algum passivo a ser resolvido com o Programa de Regularização Ambiental (PRA)”.
Para regularizar os passivos nas propriedades, o coordenador de Sustentabilidade da CNA informou que o governo precisa analisar os cadastros. Dos 6,6 milhões declarados, apenas 0,68% tiveram uma análise completa e 23% algum tipo de análise.
“O PRA ajuda o produtor a voltar para a legalidade. Sem esses instrumentos ambientais, o produtor não consegue obter crédito rural e assistência técnica”, afirmou.
De acordo com Nelson, além de fazer cumprir o Código Florestal, outro desafio do país está relacionado à questão fundiária. Ele disse que, para um ocupante ter direito ao registro da propriedade rural, é necessário ter o CAR. “Antes de ter posse da terra, ele já tem a obrigação de fazer o cadastro ambiental e cumprir a legislação”.
0 comentário
Trump leva CEO da Nvidia em missão para "abrir mercado" na China
Medida da União Europeia contra exportações brasileiras de produtos de origem animal
UE poderia bloquear carnes do Brasil a partir de setembro, no caso de descumprimento de regra
Petrobras enviará delegações de refino e exploração e produção ao México, diz CEO
Petrobras tem queda de 7,2% no lucro do 1º trimestre, mas alta do petróleo ainda não aparece no balanço
Fenagra 2026 projeta mais de R$ 1 bilhão em negócios e reforça protagonismo do biodiesel no agro brasileiro