Atraso na safra do Brasil afasta "teto" da soja e reduz área de milho 2ª, diz analista
![]()
Por Roberto Samora
SÃO PAULO (Reuters) - O atraso no plantio de soja do Brasil na temporada 2023/24, em meio à falta de chuvas regulares ao norte e a precipitações excessivas ao sul, impedirá que o país atinja o seu melhor potencial produtivo para a oleaginosa, assim como reduzirá a expectativa de plantio de milho na segunda safra, avaliou nesta sexta-feira a Pátria AgroNegócios.
Segundo dados da consultoria divulgados nesta sexta, o plantio de soja do maior produtor e exportador global atingiu nesta semana 50,67% da área projetada. Mas está atrasado em relação aos 64,64% registrados na mesma época de 2022 e aos 59,54% da média dos últimos cinco anos.
"O avanço percentual da semana foi de apenas 11,5%, mantendo-se como o avanço sazonal mais lento desde 2015", disse o diretor da consultoria, Matheus Pereira.
Ele afirmou que em Mato Grosso e Rondônia os trabalhos de campo enfrentam "grandes dificuldades de aceleração com a falta de chuvas".
"Relatos de clientes indicam que há regiões onde já deviam ter se concluído o plantio e que neste ano ainda nem sequer iniciaram a semeadura", disse.
Para a soja, este atraso "ainda não é um desenvolvimento de catástrofe, porém já tira teto produtivo", disse Pereira à Reuters.
É possível que o Mato Grosso ultrapasse os 10% de replantio na área do Estado neste ano, "que são lavouras que não conseguem atingir teto produtivo". Esse retrabalho ocorreria em regiões semeadas mais cedo, mas que sofreram com o elevado calor e irregularidade de chuvas.
A Pátria AgroNegócios estima a safra de soja do Brasil 155,8 milhões de toneladas, número que deverá passar por revisão na última semana de novembro. A previsão da consultoria está abaixo do total de 162 milhões de toneladas estimado pela estatal Conab, o que seria um recorde, versus 154,6 milhões de toneladas no ciclo passado.
Antes do atraso, o teto produtivo era visto em mais de 165 milhões de toneladas, segundo Pereira.
CORTE NO MILHO
No milho segunda safra do Brasil, semeado após a colheita da soja, a consultoria estima uma redução de, pelo menos, 7% de área, com a baixa rentabilidade do cereal e o aperto da janela climática como fatores de desincentivo.
Quanto mais tarde o milho é plantado, em geral maiores são os riscos climáticos na segunda safra.
"Atendemos uma das três maiores distribuidoras de sementes de milho do Brasil. Foi nos alertado que, até o momento, as vendas de sementes de milho estão cerca de 27% abaixo do mesmo período do ano passado", comentou.
"É claro que sabemos que pode sim acelerar as vendas de semente até o início da semeadura segunda safra em 2024, entretanto, já é um sinal de desincentivo", ponderou.
Ainda que os principais Estados do Brasil estejam atrasados, Pereira disse que, nesta semana, o avanço da semeadura no Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul teve um ritmo semanal "adequado".
Segundo ele, atrasos são observados em Mato Grosso, Rondônia Tocantins, Bahia, Piauí, Maranhão, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, sendo que neste último Estado a lentidão dos trabalhos está associada a chuvas excessivas.
Mais cedo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) afirmou que o plantio em Mato Grosso avançou para 83,32% da área estimada no Estado, alta de mais de 13 pontos percentuais ante a semana anterior, mas continua lento na comparação com o mesmo período do ano passado e em relação à média histórica de cinco anos.
O plantio de soja no maior produtor da oleaginosa e de milho do Brasil está atrás da média histórica, de 88,61%, enquanto no mesmo período do ano passado produtores tinham semeado 93,57% nesta época, segundo dados do Imea.
1 comentário
Preços do milho futuro fecham a semana com valorizações de até 4,6% na B3 sob influência do mercado climático
Aprosoja MT destaca papel do milho no fortalecimento da economia em Mato Grosso
Plantio de milho perde espaço na Europa com alta de custos de fertilizantes
Dia Internacional do Milho: Abramilho destaca avanços da cultura nos últimos anos e aposta no milho como principal cultivo do Brasil em 5 anos
B3 abre a sexta-feira novamente com altas e futuros do milho se valorizando até 1,4%
Cotações do milho recuam na B3 em quinta-feira de realização de lucros, mas fundamentos ainda são positivos
José Luiz Lazaron Itanhangá - MT
Tem alguém contando mentira por aí, à safrinha pipocou mesmo, pode apostar, tem empresas q vende sementes fazendo leilão pra sair dos estoques…