Campos Neto reconhece que juros são altos e defende persistência na meta fiscal
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SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconheceu nesta terça-feira que a taxa de juros real (descontada a inflação) no Brasil é alta, embora esteja caindo, e defendeu que o governo Lula siga em busca da meta de resultado primário zero em 2024.
Durante evento do jornal Correio Braziliense, em Brasília, Campos Neto afirmou que a questão fiscal segue como uma das principais preocupações no mercado brasileiro.
Ele não abordou o fato de a agência de classificação de risco S&P ter elevado, durante a tarde, a nota de crédito de longo prazo do Brasil para "BB", ante "BB-", citando a aprovação da reforma tributária -- um dos projetos, na visão do governo, que podem impactar positivamente a área fiscal.
"Importante é perseverar (na meta fiscal). É uma luta permanente", disse Campos Neto, pontuando que a necessidade de arrecadações extras por parte do governo é o que tem colocado em dúvida o cumprimento da meta. "Arrecadação é o que causa um pouco mais do nervosismo", acrescentou.
Em sua apresentação, porém, Campos Neto repetiu que não há uma relação "mecânica" entre a área fiscal e as decisões do BC sobre a taxa básica Selic, e nem entre o cenário externo e a política monetária.
Ao abordar o cenário externo, Campos Neto destacou as declarações recentes do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, interpretadas pelo mercado global como indicações de que a instituição poderá iniciar o processo de cortes de juros já em março de 2024.
"Eles (membros do Fed) voltaram esta semana para tentar amenizar o discurso", acrescentou Campos Neto, em referência a declarações nos últimos dias de dirigentes do Fed que buscaram esfriar a euforia do mercado em torno da possibilidade de início do ciclo de baixa de juros em março.
Campos Neto também citou a alta recente nos mercados globais de ações, destacando o avanço do índice S&P na bolsa de Nova York. Segundo ele, o Brasil ainda está "bem atrasado" neste aspecto.
O comentário de Campos Neto veio em um dia em que o Ibovespa renovou máximas históricas e se aproximou dos 132 mil pontos.
INFLAÇÃO E PIB
Em sua apresentação, Campos Neto afirmou ainda que, ao contrário do que se projetava no início do ano, o BC pode não ter que "escrever uma carta" para justificar eventual descumprimento da meta de inflação em 2023.
Pelas regras em vigor, sempre que ocorre descumprimento da meta de inflação o presidente do BC precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, para justificar o ocorrido.
Este ano, o teto da meta de inflação é de 4,75%. No relatório Focus, que compila as projeções de mercado, a expectativa atual é de inflação de 4,49% para o período.
"Estamos nos aproximando de um quadro em que isso (o BC não ter que escrever uma carta) é uma possibilidade real", disse Campos Neto. Ele reiterou, contudo, que o BC ainda tem trabalho a fazer no controle da inflação.
O presidente do BC avaliou ainda que o Produto Interno Bruto brasileiro do terceiro trimestre veio acima das expectativas do mercado, com uma "surpresa boa" no consumo das famílias. Porém, ele afirmou que uma das preocupações recentes é com a queda dos investimentos. "Por outro lado, a produtividade subiu", disse.
O PIB do Brasil registrou expansão de 0,1% no terceiro trimestre, na comparação com os três meses anteriores, marcando o terceiro trimestre seguido de expansão. A taxa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contrariou a expectativa dos ouvidos na pesquisa da Reuters, de queda de 0,2%.
(Por Fabrício de Castro)
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