Dólar recua ainda sob efeito de dados inflação dos EUA; mercado local digere PIB
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar recuava ligeiramente em relação ao real nesta sexta-feira, ainda sob efeito de dados de inflação em linha com o esperado dos Estados Unidos divulgados na véspera, enquanto o mercado nacional digeria a leitura da atividade econômica de 2023.
Às 10h09 (de Brasília), o dólar à vista caía 0,20%, a 4,9620 reais na venda.
De acordo com Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital, o movimento cambial desta sexta-feira reflete em parte "ajuste generalizado do dólar perante (moedas) emergentes, até por conta de um ajuste técnico pela alta moderada de fevereiro".
No mês passado, o dólar subiu 0,7% frente ao real e 0,6% contra uma cesta de pares fortes, em grande parte apoiado pelo adiamento das apostas sobre quando o Federal Reserve começará a cortar sua taxa de juros.
Alguns participantes do mercado temiam que dados de inflação dos EUA da véspera pudessem surpreender para cima e adiar ainda mais a projeção dos operadores para o início do afrouxamento monetário, mas a leitura do índice de preços PCE veio em linha com o esperado, o que manteve as apostas para um primeiro corte de taxa em junho. Segundo alguns agentes financeiros, isso colaborava para a fraqueza do dólar nesta sessão.
Para Bergallo, também pesava sobre o dólar nesta sexta-feira a queda dos rendimentos dos Treasuries.
Enquanto isso, o mercado local digeria nesta manhã dados do IBGE que mostraram estagnação da economia no quarto trimestre, mas avanço de 2,9% em 2023 como um todo. Segundo Bergallo, essa leitura não deve ter grande impacto sobre os mercados financeiros, uma vez que não ficou muito longe das expectativas de mercado e de órgãos oficiais.
Tanto o governo quanto o Banco Central esperavam expansão de 3,0% no ano passado como um todo, enquanto a expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,1% na base mensal.
Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, disse que a estagnação do PIB no trimestre passado mostra que "existe uma saturação... que é responsável pela maior sensibilidade e fraqueza da economia doméstica, em grande parte, entre outras coisas, pelo aperto monetário que está sendo sentido pela economia brasileira".
No entanto, "ainda assim a gente conseguiu entregar um belíssimo PIB... A gente começa o ano achando que vai crescer muito menos do que de fato cresce, algo que pode ser observado em 2024, inclusive", completou.
Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a 4,9717 reais na venda, em leve alta de 0,01%.
(Edição de Pedro Fonseca)
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