Dólar recua com investidores de olho em conflito no Oriente Médio e Fed
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Por Fernando Cardoso
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista recuava ante o real nesta segunda-feira, na esteira dos movimentos da moeda-norte-americana no exterior, conforme investidores equilibravam o nervosismo com o conflito no Oriente Médio e a perspectiva para cortes na taxa de juros do Federal Reserve.
Às 12h10, o dólar à vista caía 0,44%, a R$5,5029 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha baixa de 0,12%, a R$5,518 na venda.
O principal fator para as negociações nesta sessão ainda era a espera por uma possível retaliação do Irã ao bombardeio dos Estados Unidos a instalações nucleares iranianas no fim de semana, com temores de impacto sobre os preços do petróleo e, consequentemente, para a inflação e a atividade econômica.
O presidente norte-americano, Donald Trump, disse no domingo que os EUA "obliteraram" as principais instalações nucleares do Irã em ataques realizados na véspera com enormes bombas destruidoras de bunkers, juntando-se a Israel na guerra contra a República Islâmica.
Em resposta ao ataque, o Irã afirmou que "reserva todas as opções para defender sua soberania, seus interesses e seu povo", indicando que pretende retaliar as ações militares dos EUA.
Os mercados globais estão receosos de que a retaliação de Teerã possa vir com o fechamento do Estreito de Ormuz, onde circula quase 25% do comércio global de petróleo, o que poderia afetar de forma significativa os preços de energia e escalar ainda mais a guerra.
Esse receio gerou ganhos amplos para o dólar mais cedo, quando subiu ante o real, pares fortes e divisas emergentes, com investidores demonstrando aversão a ativos mais arriscados.
Mais tarde, entretanto, o sentimento nos mercados mudou depois que a diretora do Fed Michelle Bowman disse que o momento de cortar a taxa de juros pode estar se aproximando rapidamente, pois ela está cada vez mais preocupada com os riscos para o mercado de trabalho.
"Caso as pressões inflacionárias permaneçam contidas, eu apoiaria a redução da taxa de política monetária já em nossa próxima reunião (em julho), a fim de aproximá-la de sua configuração neutra e sustentar um mercado de trabalho saudável", disse Bowman em evento em Praga, na República Tcheca.
No momento, operadores continuam precificando que o banco central dos EUA voltará a cortar os juros somente em setembro, mas as falas de Bowman provocavam quedas nos rendimentos dos Treasuries, o que afetava a moeda norte-americana.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,21%, a 98,710.
Com isso, a divisa foi atenuando sua força gradualmente nos mercados globais, em movimento que se refletiu na mudança de direção no Brasil.
Na máxima da sessão, o dólar atingiu R$5,5427 (+0,28%), às 9h08.
Nos próximos dias, as atenções dos investidores se voltarão para dados de inflação e comentários de autoridades de bancos centrais tanto no Brasil quanto nos EUA.
Novidades sobre as disputas comerciais recentes também podem movimentar os mercados, enquanto se aproxima o prazo para o fim da pausa das tarifas abrangentes dos EUA no início de julho, com o país ainda em negociações com seus principais parceiros, como o Japão e a União Europeia.
(Edição de Isabel Versiani e Eduardo Simões)
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