Dólar sobe pela 4ª sessão com guerra tarifária no foco
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu pela quarta sessão consecutiva ante o real nesta segunda-feira, novamente refletindo o desconforto do mercado com a guerra tarifária desencadeada pelos Estados Unidos e seus efeitos sobre a economia brasileira.
A moeda norte-americana à vista fechou com elevação de 0,69%, aos R$5,5865, no maior valor de fechamento desde 5 de junho, quando encerrou em R$5,5871. A divisa acumulou ganho de 2,57% nas últimas quatro sessões, com as cotações incorporando prêmios de risco após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado na quarta-feira uma tarifa de 50% sobre os produtos comprados do Brasil.
Às 17h14, na B3, o dólar para agosto -- atualmente o mais líquido no Brasil -- subia 0,29%, aos R$5,6085.
Pela manhã o dólar demonstrou maior indecisão no Brasil, chegando a oscilar no território negativo em alguns momentos, mas durante a tarde a divisa se firmou em alta, acompanhando o avanço da moeda norte-americana no exterior.
Por trás do movimento estavam as incertezas em torno da guerra comercial desencadeada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Depois da tarifa de 50% para o Brasil, Trump ameaçou a União Europeia e o México com uma cobrança de 30%.
Ativo que reflete mais diretamente os receios em relação à guerra tarifária, o dólar saiu de uma cotação mínima de R$5,5447 (-0,06%) às 10h58 para uma máxima de R$5,5940 (+0,83%) às 16h44, já na reta final da sessão do mercado à vista, logo após a notícia de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará nesta segunda-feira o decreto que regulamenta a lei brasileira de reciprocidade -- ferramenta fundamental para que o país possa retaliar os EUA na guerra tarifária.
A liquidez menor favoreceu o pico do dólar, com a negociação da moeda para agosto somando menos de 150 mil contratos neste fim de tarde.
No exterior, a moeda norte-americana também tinha ganhos ante boa parte das demais divisas, incluindo o iene, o euro e a libra. Às 17h16, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,21%, a 98,094.
Pela manhã, em sua operação diária de rolagem, o Banco Central vendeu toda a oferta de 35.000 contratos de swap cambial tradicional.
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