Dólar oscila pouco com aproximação de prazo para tarifa dos EUA sobre o Brasil
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Por Fernando Cardoso
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista oscilava pouco ante o real nesta terça-feira, conforme os investidores demonstravam cautela nas negociações, enquanto seguem de olho na resposta do Brasil diante da aproximação do prazo de 1º de agosto para a imposição de tarifa de 50% pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros.
Às 9h47, o dólar à vista subia 0,09%, a R$5,5974 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento tinha alta de 0,04%, a R$5,596 na venda.
Dias antes da imposição da tarifa anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o Brasil, o governo brasileiro segue em busca de abrir canais de diálogo com autoridades norte-americanas para negociar a taxa, mas parece não ter tido sucesso até agora.
Analistas também veem pouco espaço para um acordo, uma vez que Trump vinculou sua ameaça a questões mais políticas -- como o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) -- do que comerciais, limitando as contrapartidas que o Brasil poderia oferecer.
Na mais recente atualização sobre o assunto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse mais cedo que o vice-presidente Geraldo Alckmin teve na véspera uma longa conversa com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, acrescentando que o governo não está "fixado" com o prazo de Trump.
Sem a perspectiva de que o governo dos EUA possa suspender a tarifa sobre o Brasil ou estender o prazo para negociações, os investidores optavam por manter a cautela nesta sessão, sem realizar grandes apostas em qualquer direção.
"Ainda estamos patinando para tentar fazer um negócio com o governo dos EUA... Mercado está colocando expectativa sobre o plano de contingência do governo e como pode afetar a questão fiscal do país", disse Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
No cenário externo, o foco também está em torno do comércio, particularmente sobre o recém-fechado acordo entre os EUA e a União Europeia, que estabelece uma tarifa de 15% sobre os produtos europeus que chegam aos EUA.
O anúncio do acordo fornecia força ao dólar nos mercados globais, uma vez que os agentes financeiros têm concluído que o entendimento foi mais favorável para Washington ao impor taxas ainda altas sobre a UE, apesar de abaixo da ameaça anterior de Trump de uma tarifa de 30%.
O índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,46%, a 99,063.
Nesta semana, os investidores ainda se posicionam para as decisões de política monetária do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, com ambas a serem divulgadas na quarta-feira. A expectativa é de que os dois bancos mantenham suas taxas de juros estáveis.
O BC informou que fará nesta terça-feira, das 10h30 às 10h35, leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) de até US$1 bilhão, para rolagem do vencimento de 4 de agosto.
(Edição de Camila Moreira)
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