China adia decisão sobre salvaguardas à carne bovina importada e alivia pressão sobre mercado brasileiro
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O Ministério do Comércio da China (MOFCOM) anunciou nesta quarta-feira (6) a prorrogação da investigação de salvaguarda sobre as importações de carne bovina estrangeira. Iniciada em dezembro de 2024, a apuração agora se estenderá por mais três meses, com novo prazo final previsto para o final de novembro deste ano.
A medida, que poderia culminar na aplicação de tarifas adicionais ou na criação de cotas para limitar as importações, gerava forte expectativa no mercado global. Segundo Felipe Fabbri, analista da Scot Consultoria, o adiamento da decisão traz um certo alívio para a pecuária brasileira.
“A medida deveria ter saído agora em agosto, e havia especulação sobre a possibilidade de tarifas extras ou até mesmo uma cota global. Isso preocupava muito, especialmente neste momento do ano, quando a China tradicionalmente intensifica as compras de carne bovina para atender à demanda do Ano Novo Lunar", afirmou Fabbri.
Para o analista, a eventual imposição de barreiras pela China, somada ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos — que entrou em vigor também nesta quarta-feira e prevê alíquota de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo carne bovina —, poderia ampliar a pressão negativa sobre os preços da arroba no mercado interno.
“Tarifas adicionais para o mercado chinês e norte-americano significariam menor margem para a indústria brasileira e maior dificuldade de escoamento, o que naturalmente se refletiria em queda nos preços pagos ao pecuarista”, completou Fabbri.
A investigação de salvaguarda é um mecanismo utilizado quando um país identifica que há aumento acentuado nas importações de determinado produto, com potencial prejuízo à indústria doméstica. Segundo o advogado Welber Barral, sócio do escritório Barral Parente Pinheiro, esse tipo de investigação é diferente da antidumping, pois afeta todos os países exportadores, não apenas um específico.
“Ela só pode ser aberta quando há um surto de importação, e a China alega exatamente isso. As importações de carne bovina cresceram 106,28% no primeiro semestre de 2024 em comparação com o mesmo período de 2019”, explica Barral.
Caso a China comprove que esse aumento de volume está causando danos à sua cadeia produtiva, o país poderá adotar cotas ou tarifas para restringir o fluxo de carne bovina estrangeira — o que incluiria o Brasil, um de seus principais fornecedores.
Por ora, o adiamento da decisão representa um alívio temporário para a cadeia pecuária brasileira, que já enfrenta os efeitos das medidas protecionistas dos EUA. A extensão do prazo abre espaço para novas articulações diplomáticas e também para ajustes no ritmo das exportações.
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