Resfriamento no Pacífico avança, mas fenômeno La Niña ainda não está configurado
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Os levantamentos mais recentes da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) indicam um avanço nas condições para a formação do fenômeno La Niña (mapa abaixo). Desde o início do ano, a agência americana aponta o predomínio de uma fase de neutralidade, ou seja, sem a atuação do El Niño (aquecimento do Pacífico) ou do La Niña (resfriamento). Como resultado, as estações do ano se manifestaram de forma mais definida no Brasil. O inverno, por exemplo, foi rigoroso, com registros de neve na região Sul e múltiplas ocorrências de geadas no Sul e Sudeste do país.
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Contudo, ao longo dos últimos meses, observou-se uma evolução em direção a uma condição de La Niña. Essa situação, no entanto, ainda não se concretizou e não demonstra uma atuação clara sobre o clima do Brasil. As probabilidades de ocorrência do fenômeno, que eram de pouco mais de 50% em setembro, aumentaram para cerca de 60% em outubro, devendo se manter nesse patamar até dezembro.
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“O Pacífico Equatorial está esfriando, mas são necessários cinco meses móveis para o fenômeno se concretizar. O que vemos, neste momento, é a formação de um La Niña, uma condição que, se ocorrer, terá maior atuação durante o verão. Por enquanto, a previsão indica que será de baixa intensidade e de forma rápida”, comenta Barbara Sentelhas, meteorologista e CEO da Agrymet.
A meteorologista acrescenta que, além do Pacífico, outro oceano influencia o cenário: o Índico. Ele está em fase de Dipolo Negativo, condição em que a água mais quente se concentra no leste e a mais fria no oeste. Segundo ela, a combinação dessas duas condições tende a atrasar o regime de chuvas no Brasil.
Denis Garcia, meteorologista da Meteored, complementa a análise, apontando que as temperaturas do Oceano Atlântico (mapa abaixo) também contribuem para o menor volume de precipitações neste início de outubro.
“As áreas mais próximas da costa do Nordeste estão com temperaturas dentro da média, o que dificulta a chegada de umidade para a região e para parte do Norte do país. Por outro lado, na região Sul, o oceano está mais quente, o que favorece a formação de um corredor de umidade nos estados sulistas. Portanto, ainda não temos uma influência clara do La Niña, e se ela vier a ocorrer, seus efeitos serão mais sentidos no final de dezembro e início de janeiro”, analisa o especialista.
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De forma geral, o consenso entre os meteorologistas entrevistados pelo Notícias Agrícolas é que a ausência de chuvas significativas, especialmente no Brasil Central, deve persistir até a segunda quinzena de outubro. A partir desse período, espera-se que as chuvas retornem de forma mais generalizada, criando condições favoráveis para o plantio da soja. Contudo, mapas de anomalia de precipitação do Inmet alertam que, mesmo com a regularização das chuvas, algumas localidades ainda poderão registrar volumes abaixo da média histórica.
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