China retoma compras dos EUA e impulsiona Chicago; soja brasileira segue competitiva
China retoma compras dos EUA e impulsiona Chicago; soja brasileira segue competitiva
![]()
O anúncio de um novo acordo comercial entre China e Estados Unidos trouxe reação imediata nas cotações dos grãos na Bolsa de Chicago. A avaliação é de Flávio França Júnior, chefe do setor de grãos da Datagro Consultoria, que destaca o movimento de alta observado nas últimas semanas diante do avanço das negociações entre os dois países.
Segundo o analista, a expectativa de que a China volte a comprar soja, milho, trigo e algodão dos norte-americanos elevou o sentimento positivo no mercado. “A decisão da China de reduzir as alíquotas de importação, eliminando tarifas para milho e trigo e mantendo a soja em 13%, reforça a perspectiva de que o país asiático voltará a adquirir produtos dos Estados Unidos”, explica França.
O acordo prevê compras de 12 a 15 milhões de toneladas de soja no curto prazo e mais 25 milhões de toneladas nos próximos anos comerciais. Para o especialista, isso já vinha sendo precificado aos poucos, com o mercado reagindo conforme surgiam novas informações sobre as tratativas. “Não foi uma surpresa, mas a confirmação do acordo consolida o cenário de recuperação dos preços em Chicago”, afirma.
Apesar disso, França lembra que a soja brasileira segue competitiva. Com a valorização da commodity nos EUA, os prêmios de exportação no Brasil caíram, deixando o produto nacional mais barato e mantendo o fluxo de vendas. “A China retomou negociações com os Estados Unidos, mas continua comprando do Brasil, especialmente porque nossos prêmios recuaram e a soja brasileira ainda é mais atrativa”, pontua.
O analista observa também que o relatório de oferta e demanda do USDA, previsto para o próximo dia 14, deve ganhar relevância extra após o período de suspensão das divulgações oficiais nos Estados Unidos. “Estamos num momento de incerteza, sem dados sobre exportações e colheita. O relatório deve trazer mais clareza e tende a ser positivo para os preços, já que o mercado aposta em uma possível revisão para baixo na safra americana de soja e milho”, analisa.
No Brasil, a safra 2024/25 avança, mas com atrasos no plantio em relação à média histórica, especialmente em Goiás e na região do Matopiba, onde as chuvas demoraram a se regularizar. O índice nacional de semeadura está em 46,5% da área esperada, contra 54,2% no mesmo período do ano passado. “Esse atraso pode implicar alguma perda de potencial produtivo e até limitar o plantio do milho de inverno em algumas regiões”, explica França.
Mesmo assim, a Datagro mantém projeção de uma safra cheia, próxima de 183 milhões de toneladas de soja, com destaque para aumentos de área em praticamente todos os estados, exceto o Rio Grande do Sul — onde dificuldades de crédito e sucessivas perdas reduziram a intenção de plantio.
Em relação aos prêmios da soja, França destaca que o recente derretimento representa apenas uma “volta à normalidade” após meses de valorização anormal. “Com o acordo, os prêmios estão retornando a níveis mais típicos, entre 60 e 80 centavos de dólar para a safra velha, e levemente negativos para a safra nova, o que é esperado”, diz.
No câmbio, o analista avalia que o dólar deve seguir volátil, pressionado por fatores externos e domésticos. “A expectativa de fortalecimento da economia americana sustenta o dólar no curto prazo, enquanto no Brasil o desequilíbrio fiscal segue sem solução. Não há espaço para quedas significativas na taxa de câmbio”, conclui.
O mercado, portanto, vive um momento de transição. A confirmação das compras chinesas dos EUA dá suporte às cotações em Chicago, mas o Brasil segue competitivo e deve continuar com papel relevante no comércio global de soja.
0 comentário
Soja inicia julho com estabilidade na Bolsa de Chicago após relatório do USDA, de olho no clima
Apesar do USDA "baixista", soja sobe em Chicago nesta 3ª, esperando números mais pesados
Exportação de soja do Brasil em junho fica abaixo do previsto devido à chuva, aponta Anec
Soja opera em campo positivo na Bolsa de Chicago, apesar do USDA e da baixa do óleo
Soja segue recuando em Chicago nesta tarde de 3ª feira, esperando pelos números do USDA
Safra recorde de soja faz preço do óleo despencar 10,2% em 2026, aponta APAS