2025: crescimento com turbulências na avicultura, avalia a Agrifatto
O ano de 2025 foi marcado por oscilações na avicultura brasileira, com desafios relevantes ao longo do período. Os custos de produção seguiram elevados, apesar de pequenos recuos pontuais, enquanto a ocorrência de gripe aviária trouxe momentos de incerteza ao mercado, contribuindo para desequilíbrios temporários entre oferta e demanda.
Nas nossas estimativas, 2025 deve encerrar com o abate de aves no Brasil em 6,94 bilhões de cabeças, 7% acima de 2024, marcando o maior volume da história. Com isso, a produção de carne de frango deve atingir 14,26 milhões de toneladas, um crescimento anual de 4,00% e também um recorde histórico.
O Brasil obteve queda nas exportações, devido à gripe aviária, com expectativa de 4,97 milhões de toneladas embarcadas em 2025, um recuo de 0,7% em relação ao ano anterior. Os principais destinos da carne de aves do Brasil foram os Emirados Árabes Unidos que liderou com participação de 9,3%, logo depois veio o Japão, responsável por 7,9% do total exportado. Na sequência, a Arábia Saudita concentrou 7,8% das compras. Com a saída da China do mercado brasileiro após o bloqueio sanitário ocorrido em maio, outros países ganharam espaço ao longo do ano, no acumulado do ano, o gigante asiático, que liderava as compras de carne de aves do Brasil, registrou queda expressiva de 59,45% frente a 2024, mas ainda assim manteve a sétima colocação, com participação de 4,9% no total exportado.
O preço do frango vivo obteve alta expressiva ao longo do primeiro semestre pela oferta reduzida e demanda externa forte, mas recuou no segundo semestre devido aos impactos gripe aviária. Na média anual, o preço do frango vivo no Brasil deve encerrar em R$ 4,97/kg, alta de 3,11% em relação a 2024. Já o frango resfriado no atacado paulista, que apresentou queda a partir de junho, provavelmente encerrará dezembro próximo de R$ 7,81/kg, patamar melhor que 2023, porém inferior ao ano passado. A parcial de 2025 está em torno de R$ 8,10/kg, representando um aumento anual significativo de 11,53%, alta essa que foi influenciada pela alta dos preços no primeiro semestre.
O mercado de ovos também enfrentou ajustes ao longo do ano, com preços pressionados no primeiro semestre devido ao custo de produção alto, já no segundo semestre, houve uma oferta maior com um consumo mais sensível a uma mudança de preços.
Por fim, 2025 foi um ano de desafios para a avicultura brasileira. Entretanto, o setor reforçou sua posição no mercado global e encerra o ano com marcos históricos importantes.
Perspectivas
Com o fim de 2025, surge a expectativa para o mercado da avicultura em 2026. A oferta de animais deverá continuar elevada, com um crescimento de 4,2% em relação a 2025, atingindo 6,96 bilhões de cabeças de frangos abatidos. Esse aumento é justificado pela ampliação da capacidade produtiva do setor, pelos ganhos de eficiência ao longo da cadeia e pela necessidade de atender à expansão gradual da demanda interna e externa por carne de frango. Com isso, estimamos que a produção de carne de frango chegue a 14,76 milhões de toneladas, superando o recorde de 2025, com um avanço de 4,0%.
No mercado internacional, o Brasil deve recuperar gradualmente a liderança nas exportações de carne de frango em 2026 após a gripe aviária, consolidando novos e antigos mercados. As exportações devem alcançar 5,39 milhões de toneladas, com um crescimento de 8,4% em relação a 2025, o que pode configurar um novo recorde.
Com a oferta elevada, espera-se que os preços do frango vivo apresentem variações entre R$ 4,65/kg e R$ 4,77/kg no primeiro semestre de 2026 e superem os R$ 5,00/kg no segundo semestre, com um aumento de até 0,84% na média anual em relação a 2025. Vale destacar que a valorização do frango em 2026 pode ser mais intensa caso as carnes bovina e suína também sigam em alta ao longo do ano, uma vez que, historicamente, o avanço dos preços dessas proteínas desloca o consumo doméstico para a carne de frango.
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