Bancos centrais globais defendem Powell após ameaça de Trump
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FRANKFURT, 13 Jan (Reuters) - Os chefes de vários dos principais bancos centrais do mundo divulgaram nesta terça-feira uma declaração conjunta sem precedentes em apoio ao chair do Federal Reserve, Jerome Powell, depois que o governo dos Estados Unidos o ameaçou com uma acusação criminal.
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, foi uma das autoridades monetárias que assinaram o documento.
Powell foi ameaçado de indiciamento por causa de um depoimento que prestou ao Congresso no ano passado sobre a reforma da sede do Fed, no que ele chamou de "pretexto" para o governo Trump tentar obter influência presidencial sobre as taxas de juros.
Os chefes do Banco Central Europeu, do Banco da Inglaterra e de outras nove instituições, incluindo do Brasil, disseram que Powell agiu com integridade e que a independência do banco central é crucial para manter os preços e os mercados financeiros estáveis.
"Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair Jerome H. Powell", disseram os banqueiros centrais em um raro comunicado conjunto.
"A independência dos bancos centrais é a pedra fundamental da estabilidade econômica, financeira e de preços no interesse dos cidadãos que atendemos", acrescentaram.
Fontes próximas ao processo afirmaram que a presidente do BCE, Christine Lagarde, que assinou em nome dos 21 bancos centrais da zona do euro, foi a principal articuladora da resposta conjunta, enquanto grande parte do trabalho de articulação para obter a adesão dos governadores individuais foi realizado por Pablo Hernández de Cos, diretor-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), órgão que reúne os bancos centrais.
O BCE e o BIS recusaram-se a comentar.
Outros signatários incluíram os presidentes dos bancos centrais da Suécia, Dinamarca, Suíça, Austrália, Coreia do Sul e França, bem como altos funcionários do BIS.
O Banco do Japão (BOJ) esteve notavelmente ausente da lista.
Um porta-voz do BOJ afirmou que o banco se absteve de comentar as ações de outros bancos centrais.
Uma fonte próxima ao processo disse que o BOJ inicialmente manifestou apoio à declaração conjunta, mas que ainda não estava pronto para assiná-la. A lista não é considerada definitiva, contudo, e os banqueiros centrais ainda podem adicionar seus nomes, disseram diversas fontes.
TEMORES DE INFLAÇÃO MAIS ALTA
A investigação dos EUA já atraiu críticas do mundo das finanças e também de alguns membros importantes do Partido Republicano de Trump.
Os banqueiros centrais temem que a influência política sobre o Fed diminua a confiança no compromisso do banco com sua meta de inflação. Isso levaria a uma inflação mais alta e a volatilidade do mercado financeiro global.
Como os EUA são a economia dominante do mundo, provavelmente exportariam essa inflação mais alta por meio dos mercados financeiros, tornando mais difícil para outros bancos centrais manterem os preços estáveis.
"Portanto, é fundamental preservar essa independência, com total respeito ao estado de direito e à responsabilidade democrática", afirmou o grupo de banqueiros centrais.
(Reportagem de Francesco Canepa e Balazs Koranyi)
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