Grãos deverão amargar ainda mais dois anos de baixas entre as commodities e produtor passa por esse momento com "caixa curto"
Produtor brasileiro se desafia entre alta capacidade produtiva e margens apertadas
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As commodities agrícolas, em especial os mercados de soja, milho e trigo, ainda vivenciam um ciclo de baixa e, segundo a análise do CEO da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, este ciclo está na metade. Assim, os grãos deverão amargar ainda pelo menos dois anos de pressão sobre os preços ao se avaliar os estoques globais elevados, a capacidade ociosa de algumas indústrias, entre outros fatores. E uma mudança neste movimento poderia vir apenas com algo entre o chamado imponderável.
"Tirando um elemento como este, não temos nenhuma base para afirmar que vemos um potencial de alta nos preços em dólar por saca, dólar por tonelada. Cabe ao produtor, ao empresário, fazer seu 'dever de casa' - e é duro fazer isso com margens apertadas -, porém, é isso que temos para 2026 e, provavelmente, para 2027. Uma verdadeira paranóia na busca por produtividade combinada com eficiência", afirma Galvão.
O executivo, que é também engenheiro agrônomo, alerta para a revisão das despesas pelo produtor brasileiros, as quais vêm crescendo anualmente, no mínimo, acompanhando a inflação. Atenção, portanto, aos custos, aos preços, mas redobrada às despesas. Todavia, para os investimentos, o nome do jogo será otimização estratégica.
"Quando olhamos a margem ebtida - ou a geração de caixa - de atividades como soja, milho, arroz, pecuária de corte, as margens entregues, de um produtor mediano, ficam entre 15% e 20%. Neste percentual, sobra pouco ou quase nenhum dinheiro para este produtor (...) Então, neste contexto de margem ebtida apertada, ou próxima dos patamares históricos, vemos o agricultor fazendo apenas aquele investimento de manuntenção", orienta Galvão.
IMPACTOS NA ÁREA DE PRODUÇÃO
O impacto de todos estes desafios impostos ao produtor chegará também à definição das áreas das próximas temporadas. Ainda assim, da safra 2024/25 para 2025/26, mesmo com alguns obstáculos, a área de soja foi ampliada em um milhão de hectares. No entanto, o CEO da Céleres alerta para a necessidade um "pé no freio" para as próximas temporadas.
"Em anos de margens baixas, o crescimento tem que ser muito bem pensado. Margem baixa não aceita desaforo", diz. E complementa afrimando que nas áreas de menor potencial produtivo, as contas não fecham ou fecharão com mais dificuldade. Do mesmo modo, alerta para os arrendamentos que já tornaram-se inviáveis, com reportes de devolução de algumas áreas.
SOJA OU MILHO? SOJA E MILHO!
Considerando o custo de oportunidade da terra e os níveis de rentabilidade que a soja vem entregando, combinada ao milho, os resultados desse consórcio têm sido importantes para o produtor brasileiro, apesar dos desafios.
"Nos últimos 10 anos, se intensificando nos últimos cinco, a produção do milho na segunda safra dão resultados de 200 a 250 sacas em áreas de sequeiro, e neste contexto de produtividade, o milho - considerando, por exemplo, um produtor do Mato Grosso - vai representar de 40 a 45% do lucro, e não é de 40% a 45% da receita. Ou seja, a margem de contribuição do milho neste ano será fundamental para a saúde financeira da propriedade agrícola", detalha o CEO da Céleres.
E o 2026 será ainda de uma demanda intensa pelo cereal brasileiro, que conta com a pujante indústria de etanol de milho, bem como com o bom momento do setor de proteínas animais, que também tem demandado mais do cereal para a produção de rações.
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