Fed mantém juros estáveis, vê inflação "elevada" e estabilização do mercado de trabalho
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Por Howard Schneider
WASHINGTON, 28 Jan (Reuters) - O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros inalterada nesta quarta-feira, citando a inflação ainda elevada, juntamente com o sólido crescimento econômico, e dando poucas indicações em sua mais recente declaração de política monetária sobre quando os custos dos empréstimos poderão cair novamente.
"A atividade econômica tem se expandido em um ritmo sólido", disseram os formuladores de política monetária do Fed no comunicado, depois de votarem por dez a dois para manter a taxa básica do banco central dos Estados Unidos na faixa de 3,50% a 3,75%, após uma reunião de dois dias.
Tanto o diretor Christopher Waller, candidato a substituir o chair do Fed, Jerome Powell, quando seu mandato como chefe do banco central terminar em maio, quanto o diretor Stephen Miran, que está de licença de seu trabalho como consultor econômico na Casa Branca, divergiram a favor de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica.
O comunicado do Fed não deu nenhuma pista sobre quando pode ocorrer outra redução nos custos dos empréstimos, destacando que "a extensão e o momento de ajustes adicionais" na taxa de juros dependerá dos dados que chegarem e das perspectivas econômicas.
Enquanto isso, a inflação "permanece um pouco elevada", disse o banco central, enquanto o mercado de trabalho "mostrou alguns sinais de estabilização".
Embora o Fed tenha observado que "os ganhos de emprego permaneceram baixos", ele também removeu a linguagem de seu comunicado anterior dizendo que os riscos de queda no emprego haviam aumentado -- uma indicação de que os formuladores de política monetária como um grupo estão se tornando menos preocupados com uma rápida desaceleração no mercado de trabalho.
Antes da reunião desta semana, autoridades do Fed haviam caracterizado o mercado de trabalho como aproximadamente equilibrado, com ganhos menores correspondendo ao crescimento mais lento do número de pessoas que procuram emprego como resultado das políticas de imigração mais rígidas do governo Trump. A taxa de desemprego em dezembro caiu para 4,4%.
FED AINDA DIVIDIDO
A decisão de manter os custos dos empréstimos em seu nível atual coloca o atual ciclo de afrouxamento monetário do Fed, iniciado próximo ao final do governo Biden e continuado após uma pausa de aproximadamente nove meses durante o segundo mandato do presidente Donald Trump na Casa Branca, em espera novamente após três reduções de 0,25 ponto percentual nas três últimas reuniões do banco central em 2025.
O corte na reunião de 9 e 10 de dezembro deixou o Comitê Federal de Mercado Aberto, que define a política monetária, excepcionalmente dividido. Três de seus 12 membros votantes divergiram, com um a favor de um corte ainda mais profundo e dois a favor de nenhuma redução.
Essas mesmas divergências se estenderam até 2026, e dados econômicos recentes pouco fizeram para mudar a perspectiva das autoridades mais preocupadas com o fato de a inflação não estar voltando para a meta de 2% do banco central, ou daquelas mais preocupadas com o aumento da taxa de desemprego se as condições de crédito não forem afrouxadas para incentivar mais gastos e investimentos.
É um debate que poderá moldar as primeiras semanas de mandato de quem for nomeado para substituir Powell no cargo mais alto do Fed, uma decisão que Trump deverá anunciar em breve. A expectativa é de que o sucessor de Powell esteja pronto para dirigir a reunião de política monetária do banco central em 16 e 17 de junho. Atualmente, investidores esperam que o Fed mantenha os juros inalterados até lá.
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