StoneX eleva previsão de vendas de diesel B no Brasil em 2026 com impulso agrícola

Publicado em 19/02/2026 16:59 e atualizado em 19/02/2026 17:35

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Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 19 Fev (Reuters) - As vendas de diesel B nos postos do Brasil deverão atingir 70,8 bilhões de litros em 2026, ante 70,4 bilhões de litros na estimativa anterior, devido a um aumento de projeções para as atividades agrícolas do país, projetou nesta quinta-feira a consultoria StoneX.

O volume previsto de diesel B, que já conta com mistura de biodiesel, é ainda 1,9% acima do recorde registrado em 2025, adicionou a consultoria, em nota à imprensa.

"A elevação das estimativas de safra, especialmente de soja, sustenta um maior fluxo de transporte de grãos no país e, consequentemente, um consumo mais elevado de diesel B em 2026", disse o especialista de Inteligência de Mercado da StoneX Bruno Cordeiro.

Regionalmente, o maior avanço deve ocorrer no Sul, com recuperação das safras de soja e milho, e no Sudeste, impulsionado por exportações aquecidas dos setores agrícola, industrial e extrativista, segundo a consultoria. Já o Centro-Oeste deve registrar crescimento mais moderado.

IMPORTAÇÕES RECORDES

A StoneX também previu um recorde de importações de diesel A (puro) de 17,8 bilhões de litros -- versus 17,1 bilhões de litros em 2025 -- para atender a demanda total pelo produto no país, que deverá somar 60,4 bilhões de litros neste ano (+1%), em seu cenário base.

Tal cenário considera a manutenção da mistura obrigatória de biodiesel no diesel vendido nos postos em 15%.

No cenário com mistura de 16% no segundo semestre, a demanda pelo óleo diesel fóssil ficaria em 59,9 bilhões de litros, com importações ao redor de 17,3 bilhões de litros, apontou a StoneX.

"A depender da evolução do mandato de biodiesel ao longo do ano, podemos observar diferenças relevantes na demanda por diesel A e no volume a ser importado", explica Cordeiro.

Do lado da oferta nacional, a StoneX prevê um "leve" aumento da produção de diesel A em 2026, com a suspensão da oferta pela refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, sendo contrabalanceada pelo avanço produtivo de refinarias da Petrobras.

Para o ano, a Petrobras também planeja um menor número de paradas programadas na operação.

Mesmo com leve avanço da produção nacional, as importações devem ter uma participação elevada na oferta nacional em 2026, entre 29% a 29,3%.

BIODIESEL EM ALTA

As vendas de biodiesel no Brasil devem crescer, diante de uma maior demanda pelo diesel B e pela possibilidade de avanço na mistura obrigatória, segundo a consultoria.

No cenário de manutenção do B15, o consumo pode alcançar 10,4 bilhões de litros (+7,1%), novo recorde da série. Caso o B16 seja adotado a partir de julho, a demanda pode superar 10,7 bilhões de litros (+10,8%), exigindo até 8,6 milhões de toneladas de óleo de soja, principal matéria-prima do biocombustível.

"Trabalhamos com diferentes cenários porque ainda há incertezas sobre o cronograma de elevação da mistura", disse em nota a analista de Inteligência de Mercado da StoneX Isabela Garcia.

Diante desse cenário, Garcia afirmou que o impacto sobre o complexo soja será relevante.

"Uma eventual elevação da mistura amplia de forma significativa a necessidade de óleo de soja no mercado doméstico, reforçando o papel do biodiesel como vetor estrutural de demanda", afirmou.

(Por Marta Nogueira)

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Fonte:
Reuters

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