Indígenas devem desocupar unidade da Cargill em Santarém em 48 horas, diz liderança
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Por Adriano Machado
SANTARÉM, Pará, 24 Fev (Reuters) - Indígenas que ocupam instalações da Cargill em Santarém (PA) se preparam para deixar a unidade em cerca de 48 horas, após o governo federal revogar um decreto sobre hidrovias no Norte do país, afirmou uma liderança dos manifestantes nesta terça-feira.
O grupo ocupa as instalações da Cargill desde o fim de semana, após semanas bloqueando a entrada do terminal e interrompendo o tráfego de caminhões em um momento crucial para o setor agrícola, enquanto o país colhe mais uma safra recorde de soja.
O governo federal publicou nesta terça-feira no Diário Oficial da União (DOU) a revogação do decreto que autorizava a inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização, medida aguardada pelos indígenas para desocuparem a área.
"Foi revogado o decreto 12.600. Comemoramos. Agora a gente vai sentar e se alinhar aqui dentro. Fazer limpeza. Tem a questão do lixo. Tem muita criança, tem muita gente que não estava preparada para ir embora", disse Alessandra Munduruku à Reuters.
"Tem que buscar apoio para a questão do barco. A maioria usa barco para voltar para suas aldeias. Ainda estamos vendo a questão do transporte. Essas 48 horas são o suficiente para a gente sair".
Os manifestantes afirmaram que o decreto de agosto abriria rios amazônicos como o Tapajós para dragagem, o que poderia afetar a qualidade da água e a pesca da qual dependem para sobreviver. Grãos como soja e milho são transportados pelos rios antes de chegarem aos mercados de exportação.
Santarém é um importante polo exportador da Cargill, que envia para o exterior seus embarques de soja e milho recebidos naquele terminal privado pela hidrovia do Tapajós.
A companhia exportou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho por Santarém no ano passado, segundo informação do setor portuário.
(Por Adriano Machado)
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