"Efeito Guerra": Preços da soja acumulam quase R$ 5 e milho mais de R$ 3 no BR; trigo dispara na CBOT

Publicado em 06/03/2026 15:55 e atualizado em 06/03/2026 16:30
Ronaldo Fernandes - Analista de Mercado Royal Rural
Movimento foi alimentado, sobretudo, pela disparada desta 6ª feira (6), que levou a oleaginosa a superar os US$ 12 por bushel em Chicago.
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Preços da soja acumulam mais de R$ 4,60 e milho mais de R$ 3,20 no BR puxados pelo efeito guerra

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A escala severa e contínua dos conflitos no Oriente Médio provocou novos rallies entre as commodities agrícolas, energéticas e metálicas nesta sexta-feira (6), lideradas novamente pelo petróleo nas bolsas internacionais. Perto de 15h55 (Brasília), o WTI disparava mais de 13%, para alcançar US$ 91,62 por barril, e no brent o ganho era de quase 9,65% para US$ 93,65/barril. 

Já no primeiro dia do conflito - este é o sétimo - as consultorias e os bancos internacionais já afirmavam sobre as possibilidades do brent alcançar os US$ 100,00 por barril e o cenário parece não estar muito distante considerando a velocidade e intensidade dos ganhos da commodity. 

O petróleo reflete não só o avanço do conflitos e dos ataques efetivos, mas, principalmente, o bloqueio do estreito de Ormuz, por onde passa uma parte considerável da oferta da commodity. "Enquanto o estreito ficar fechado é alta para o petróleo e pode sim vir a US$ 150,00 por barril. É alta ainda generalizada", afirma o diretor da Royal Rural, Ronaldo Fernandes, em entrevista ao Notícias Agrícolas. 

Todavia, ele pondera que caso o estreito seja reaberto e o fluxo retomado, essa alta deverá ser revertida. O ponto de atenção e monitoramento é, portanto, o tempo de duração do conflito. 

E neste cenário, as demais commodities continuam correndo na esteira do petróleo. A sexta-feira vai terminando com a soja subindo mais de 20 pontos - quase 2% - na Bolsa de Chicago e já operando na casa dos US$ 12,00 por bushel. No trigo, o avanço passou dos 5% - quase 30 pontos de alta - e foi este o mercado que liderou as altas entre as commodities agrícolas. 

Assim, a soja terminou o dia com US$ 12,02 no contrato maio e com US$ 12,14 no julho. A disparada na CBOT, sobretudo desta sexta-feira, fez com que os preços da oleaginosa - e também do milho - subissem também de forma expressiva no mercado brasileiro. Os cálculos da Royal Rural mostraram ganhos de mais de R$ 4,60 por saca na soja e mais de R$ 3,60 no milho, que foram também estimulados por um dólar mais alto. 

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"O dólar só caiu hoje porque tivemos o payroll nos EUA, ou teria subido novamente", afirma Fernandes. Ainda assim, a moeda americana vai concluindo a semana com R$ 5,26, depois de ter testado patamares acima dos R$ 5,30 ao longo das últimas sessões. 

E para o diretor da Royal, os preços no mercado brasileiro ainda não refletiram a totalidade dos ganhos nas bolsas internacionais. "Durante a semana os preços subiram vertiginosamente. O mercado físico ainda não repassou todo o preço para o produtor na hora das negociações. Inclusive algumas traders, em alguns dias, se retiraram do mercado. Houve dias em que as traders não abriram prêmios para o milho", detalha. 

Ainda assim, os portos do Brasil já deveriam estar com os preços da soja variando entre R$ 134,90 e R$ 135,00 por saca, o que ainda não se apresentou, já que boa parte dos ganhos intensos registrados em Chicago se deu no pregão desta sexta-feira. 

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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