Após uma semana de guerra, Trump exige "rendição incondicional" do Irã

Publicado em 06/03/2026 14:00 e atualizado em 06/03/2026 15:36

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Por Maya Gebeily e Steve Holland e Pesha Magid

BEIRUTE/WASHINGTON/JERUSALÉM, 6 Mar (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu nesta sexta-feira a "rendição incondicional" do Irã, uma escalada dramática de suas exigências uma semana após o início da guerra que ele lançou ao lado de Israel, o que poderia dificultar a negociação de um fim rápido para ela.

Trump fez os comentários nas redes sociais poucas horas depois que o presidente do Irã anunciou que países não especificados haviam iniciado os esforços de mediação, um dos primeiros sinais de qualquer iniciativa diplomática para encerrar o conflito.

"Não haverá acordo com o Irã, a não ser que haja RENDIÇÃO INCONDICIONAL!" escreveu Trump.

"Depois disso, e da escolha de um GRANDE E ACEITÁVEL líder(es), nós e muitos de nossos maravilhosos e corajosos aliados e parceiros trabalharemos incansavelmente para trazer o Irã de volta da beira da destruição, tornando-o economicamente maior, melhor e mais forte do que nunca."

A exigência de rendição e a probabilidade de que isso complicaria qualquer caminho rápido para encerrar um conflito que desorganizou o fornecimento global de energia causaram um choque imediato nos mercados financeiros. Os mercados acionários europeus, abertos no momento da publicação da mensagem de Trump, sofreram uma queda repentina. Wall Street abriu em queda acentuada logo depois.

Na quinta-feira, Trump disse à Reuters em uma entrevista por telefone que estava exigindo o direito de ajudar a escolher o novo líder supremo do Irã, para substituir o aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra.

ISRAEL BOMBARDEIA BEIRUTE APÓS ORDEM DE RETIRADA EM MASSA

Em outro fronte, Israel deu continuidade a uma grande expansão da guerra no Líbano, bombardeando a capital Beirute nesta sexta-feira, depois de ordenar uma evacuação sem precedentes de todos os subúrbios do sul da cidade.

Também lançou uma nova onda de ataques contra o Irã, dizendo que 50 de seus aviões de guerra haviam atingido um bunker que ainda estava sendo usado pela liderança iraniana sob o complexo destruído de Khamenei em Teerã.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, postou no X: "Alguns países iniciaram esforços de mediação." Ele não identificou os países nem forneceu mais detalhes.

"Vamos ser claros: estamos comprometidos com a paz duradoura na região, mas não temos a menor hesitação em defender a dignidade e a autoridade de nosso país. A mediação deve abordar aqueles que subestimaram o povo iraniano e deram início a esse conflito", acrescentou.

De acordo com o sistema iraniano, o presidente é subordinado ao líder supremo, mas Pezeshkian agora faz parte de um painel que assumiu as funções de Khamenei.

Israel estendeu seus bombardeios ao Líbano para erradicar o Hezbollah, a milícia xiita aliada ao Irã que tem sido uma facção dominante na política libanesa desde a década de 1980 e parte de um "eixo de resistência" mais amplo, mas agora enfraquecido. O Hezbollah disparou contra Israel esta semana para vingar a morte de Khamenei.

Explosões iluminaram o céu noturno sobre os subúrbios ao sul de Beirute. Os militares israelenses disseram que realizaram 26 ondas de ataques. A seção sul de Beirute, onde Israel ordenou retiradas, abriga centenas de milhares de pessoas. Durante as campanhas anteriores, Israel havia ordenado apenas retiradas menores de áreas específicas.

"Estamos dormindo aqui nas ruas -- alguns em carros, outros na rua, outros na praia", disse Jamal Seifeddin, 43 anos, que fugiu dos subúrbios do sul de Beirute e passou a noite nas ruas do centro da capital. "Ninguém trouxe sequer um cobertor."

Israel interveio no Líbano várias vezes ao longo de décadas, mais recentemente em uma campanha que enfraqueceu o Hezbollah em 2024. Mas a ferocidade dos ataques desta sexta-feira teve poucos precedentes, mesmo na longa história de guerra na capital libanesa.

Dentro de Israel, era possível ouvir explosões quando as defesas israelenses foram ativadas para abater os disparos iranianos que se aproximavam. Os Emirados Árabes Unidos, o Kuweit, o Catar, o Barein e a Arábia Saudita relataram novos ataques com drones e mísseis.

"VAMOS TER QUE ESCOLHER ESSA PESSOA", DIZ TRUMP

Ao insistir no direito de ajudar a escolher o próximo líder do Irã -- que deverá ser um clérigo muçulmano xiita sênior selecionado por um painel de especialistas religiosos -- Trump fez sua exigência mais explícita de controle sobre um país de mais de 90 milhões de pessoas.

"Teremos que escolher essa pessoa junto com o Irã. Teremos que escolher essa pessoa", disse Trump na quinta-feira em uma entrevista por telefone à Reuters.

Israel tem dito abertamente que pretende derrubar o sistema governamental do Irã. Washington tem sido mais circunspecto, dizendo que seu objetivo é eliminar a capacidade do Irã de projetar força além de suas fronteiras, ao mesmo tempo em que convida os iranianos a se levantarem e derrubarem seu governo.

Não houve resposta imediata do Irã às falas de Trump. O Irã classificou a guerra como um ataque não provocado e descreve a morte de seu líder, Khamenei, como um assassinato.

O Irã afirma que o painel que escolherá o novo líder está realizando seu trabalho.

Alguns iranianos comemoraram abertamente a morte de Khamenei, semanas depois que as forças de segurança sob seu controle mataram milhares de manifestantes na pior agitação interna desde a era revolucionária. Mas houve poucos sinais de oposição às autoridades durante os ataques aéreos, com os ativistas dizendo que não é seguro voltar às ruas.

Pelo menos 1.230 pessoas foram mortas no Irã desde que os EUA e Israel lançaram ataques em 28 de fevereiro, de acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. O Ministério da Saúde do Líbano informou que 123 pessoas morreram e 683 ficaram feridas em decorrência dos ataques israelenses. Pelo menos 10 israelenses foram mortos por ataques iranianos.

Duas autoridades norte-americanas disseram à Reuters que os investigadores militares acreditavam ser provável que as forças norte-americanas fossem responsáveis por um aparente ataque a uma escola feminina iraniana que matou muitas crianças no primeiro dia da guerra. Os investigadores ainda não chegaram a uma conclusão final.

(Reportagem dos escritórios da Reuters)

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Fonte:
Reuters

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